terça-feira, 23 de agosto de 2016

Por que me vejo no corpo?



O Silêncio é Consciência, é Presença. O que aqui chamamos de Presença, Consciência e Silêncio é essa Verdade que nós somos, Aquilo que está aí, presente além da mente. Quando colocamos a palavra Consciência, estamos tratando Daquilo que está ciente das  experiências. Consciência significa o que quer que esteja aí, presente, consciente das  experiências. Consciência é algo diferente da mente. A mente é aquilo que significa pensamentos e imagens, em que, dentro das nossas falas aqui, incluem-se os sentimentos e as sensações, assim como as percepções. Tudo isso é parte da mente.

Em Satsang, estamos dentro de um trabalho de investigação, mas não é de investigação da mente, o que seria a investigação da história; é, sim, a investigação dessa ilusão da mente e não da própria mente. O conteúdo da mente são pensamentos, imagens, sentimentos, percepções, sensações, e tudo isso é parte da história. Nós não investigamos a história, mas a ilusão dela. Assim, não investigamos a mente, mas a ilusão que ela é. Nós deixamos essa questão da investigação da mente para os especialistas, como os psicólogos, terapeutas e aqueles que tratam a mente. Aqui, nós apenas investigamos a ilusão da mente, não investigamos a mente; não investigamos o conteúdo, pois ele é a história. Vocês percebem essa diferença?

Enquanto a Consciência é algo sempre presente, a mente é algo intermitente, sempre. Essa Consciência é como uma tela onde as imagens, que são intermitentes, aparecem. A Consciência é essa tela sempre presente. Reparem que as imagens aparecem, mas depois desaparecem, enquanto a tela permanece. Essas imagens são feitas, também, de tela, mas elas são intermitentes. Então, pensamentos, sensações, emoções, percepções, experiências, são aparições intermitentes, mas há algo que permanece imutável: a tela, a Consciência. 

Nossa Natureza Real, Verdadeira, é algo sempre presente; é essa Consciência sempre presente. É maravilhoso isto: não mais se confundir, se perder e se identificar com a mente. Se você entra fundo na natureza do pensamento, da emoção, da sensação, da experiência, não encontra nenhuma distinção, pois tudo o que você encontra é essa Consciência, porém Ela permanece imutável. Enquanto a mente está mudando (ela muda o tempo todo), fica claramente compreendido que não é algo diferente da Consciência. Então, a imagem, a aparição presente, ainda é essa Consciência. 

Não é a mente que percebe que está consciente. A mente é essa experiência de pensamentos, mas há algo que percebe. Esse algo que percebe é a Consciência. Ela percebe, enquanto a mente é aquilo que é percebido, que é somente uma aparição. Esta é a chave de permanecer não identificado. Tudo aparece nesta Consciência, tudo é feito desta Consciência, tudo surge e desaparece nesta Consciência. Você permanece sempre como esta Consciência, embora você possa se confundir com a história, que é o que a mente sempre faz. Quando você se identifica com a mente, ela se confunde com a história e assume essa ilusão. 

Participante: "Por que me vejo no corpo, apesar de estar bem claro isso que o senhor fala?" 

Mestre Gualberto: Você não se vê no corpo, ele é apenas visto. Há um pensamento sobre o que é visto e com o qual você se confunde. Então, você assume essa ilusão de ser esse pensamento “eu sou o corpo”, ou “estou no corpo”, mas é somente um pensamento. Alguma coisa tem que acontecer, para que o corpo chame a atenção da mente e o pensamento apareça dizendo: “eu sou esse braço, eu sou essa mão”... “Essa mão que dói sou eu”. Isso é só um pensamento, uma ideia, mas o corpo chama a atenção da mente, o pensamento aparece e a mente se identifica com esse pensamento e diz: “eu sou esse pé, eu sou esse braço que dói, eu sou esse corpo”. 

Em sono profundo, não há nenhuma ideia desse tipo, como no desmaio, também, e, quando não há nada errado com o pé, você não tem qualquer consciência da presença dele como sendo você. Mas se houver um espinho no pé, se um dos dedos estiver doendo, o corpo chama a atenção. Você tem um estômago, mas somente se houver algo errado com ele você vai tomar consciência de que tem um estômago; e essa consciência é só um pensamento de que você tem essa parte do corpo aí, presente. Porém, se não tiver nada de errado com o estômago, você nunca se lembrará dele, isto porque, na verdade, ele não existe para você - você não é este estômago; este estômago, de fato, não é seu. 

Se houver algo errado com o seu olho esquerdo, você vai tomar consciência de que tem um olho esquerdo. Mas, se estiver tudo bem com ele, você não terá nenhuma ideia da presença dele, que estará aí funcionando por conta própria. O corpo é assim: funciona por ele mesmo e não tem nada a ver com você. É uma apropriação indevida querer que seja seu o que, na verdade, não é seu; ou seja, o pé não é seu e o olho também não. O corpo é da existência, é da vida, é da natureza, é da terra, mas não é seu. É somente quando a lembrança, o pensamento, surge que você tem coisas; todos os problemas estão, exatamente, baseados nisso. 

É curioso, porque Aquilo que percebe está desidentificado; a mente é que assume uma identificação. Aquilo que percebe a presença do corpo está desidentificado do corpo. A mente é que assume, através do pensamento, uma identificação ilusória com o corpo. Não é a mente que percebe, que está consciente, mas sim essa Consciência ciente, percebendo, sempre. A crença de que a mente percebe, de que ela está consciente, não faz o menor sentido, porque a mente é uma coisa percebida; ela não percebe. Somente a Consciência está ciente... ciente da mente e do corpo. 

É sempre essa Consciência que conhece ela própria, que se reconhece, mesmo como uma aparição. O corpo e a mente são uma aparição, mas é sempre essa Consciência se reconhecendo o tempo todo. Na verdade, todo e qualquer objeto é apenas a mente aparecendo, também. Se você não fica preso, não permite essa mente se prender em alguma coisa, não há mente. Se você não está se prendendo a nenhum objeto, não há mente e, quando não existe mente, fica a Liberdade. Nosso trabalho aqui é sair desse sonho, é Despertar. Quando você vê qualquer forma, nome ou objeto e se identifica com eles, isso é apenas um sonho. É melhor Despertar. Quando eu caio no sono, eu sonho que sou casado, que tenho filhos, que tenho casa, corpo, mente... 

Participante: “Mestre, como parar de me identificar com a mente? Cada vez que tento ficar em silêncio, mais e mais pensamentos aparecem”.

Mestre Gualberto: É claro, porque tem sempre alguém fazendo isso aí. O Silêncio não é algo que a mente produz. O silêncio que a mente produz é aquele que alguns conseguem realizar através da prática da meditação, mas, logo que saem dela, tudo continua na mesma, porque é um silêncio artificial, praticado pelo pensamento. Você pode descobrir técnicas de silenciar a mente, mas é a mente silenciando a mente. A Realização não é a mente silenciada, é o fim dessa ilusão, que é essa identificação com o movimento do pensamento.

*Transcrito a partir da fala de um encontro online na noite do dia 27 de Julho de 2014 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h baixe o Paltalk e participe.

3 comentários:

  1. Respostas
    1. Quem é o mágico? Mandrake?
      Talvez Rupert Spira!

      Procure saber por que?

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  2. Quem fala não interessa. O que importa e a mensagem e foi muito apropriada. Obrigada.

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