sábado, 23 de julho de 2016

Quando eu olho para você, eu vejo a mim mesmo!







Como é estar aqui? Como é poder ter chegado aqui? Por que vocês vieram? O que é que você espera? O que você espera de mim? Eu sei… eu sei o que você procura. Eu sei mesmo o que você procura! Eu conheço você! Você procura isso aqui que Eu sou, essa liberdade, essa totalidade, essa completude, essa ausência de sofrimento; essa liberdade de amar incondicionalmente a todos, de não precisar de ninguém, de não precisar de nada, de não precisar atrelar esse incondicional amor a absolutamente nada, a nenhuma situação, a nenhuma circunstância. Eu sei o que você procura. Você procura o que Eu sou, porque Eu sou esse “Eu Sou” que Você é aí dentro. 

O Mestre é o Guru do lado de fora e Deus é o Guru do lado de dentro. Dentro é Deus; fora é o Mestre; e esse é o Guru. Não tem nada a ver com o corpo, não tem nada a ver com a forma. A forma pode ser masculina, feminina, andrógina… a forma é irrelevante. Essa Presença é uma só, dentro ou fora. Isso é só uma linguagem relativa que a gente pode usar na fala — que é o pensamento expresso — mas isso está além do pensamento, além da fala. Todos, desde a formiga até o maior elefante da África, desde a menor criaturinha do mar até a maior de todas as baleias, estão buscando isso, essa liberação, essa completude de ser, de ser esse “Eu Sou” que Você é (porque, quando eu olho para você, eu vejo a mim mesmo). Você é muito bonito! E isso não tem nada a ver com seus olhos claros, tem a ver com esse “Eu Sou” que eu reconheço aí. Todos nascem para realizar isso. 

Alguns nascem e se perdem de si mesmos, que é o que acontece com a maioria. Depois, eles precisam ser encontrados, como aquela ovelha da parábola contada por Jesus. De acordo com a parábola, havia um pastor com cem ovelhas no seu aprisco. Ele cuidava delas, as protegia, as alimentava, as conservava aquecidas no frio e, no calor, as protegia para não se afogarem no riacho. Era um pastor muito zeloso, muito cuidadoso; um bom pastor.

Quando elas saíam para o campo, ele as recolhia e contava todas elas. Então, em um belo dia, ele descobriu que, das cem, uma havia se extraviado. Aquilo o preocupou muito, então ele fechou o aprisco, deixando lá as outras noventa e nove ovelhas, supriu sua bolsa de provisões e foi atrás dessa única ovelha errante, extraviada, perdida. Ele tinha que encontrá-la antes dos lobos, antes dos animais que podiam devorá-la. 

Assim, ele viajou em busca daquela única ovelha errante, até que a encontrou e, nesse momento, o seu coração se alegrou! Ela estava cheia de espinhos, suja, machucada… e ele, ali mesmo, a deitou, a examinou, tirou os espinhos, apanhou o azeite e tratou das feridas. Depois, limpou seu pelo e a abraçou. 

Após isso, ele a colocou em seus ombros e fez outra viagem de volta para o aprisco. Ele deixou as noventa e nove ovelhas por uma única! Então, ele a colocou novamente no aprisco e ela olhou em seus olhos… agora ela estava feliz, ela estava em casa! 

Jesus termina a parábola dizendo: “eu sou o bom pastor”. O bom pastor é aquele que pode dar a sua própria vida por suas ovelhas, capaz de fazer uma viagem para um lugar distante, cercado de lobos e de animais ferozes, se for preciso. Jai Guru Deva!! Jaya Bhagavan!! 

Eu sou o bom pastor! É o pastor que encontra a ovelha. Tudo que a ovelha faz é se desgarrar, é se perder, é se embrenhar nas matas e esquecer a sua casa, esquecer o aprisco. Mas o bom pastor sempre conta as suas ovelhas e não descuida de nenhuma delas, senão ele não seria um bom pastor. 

Eu não quero lhe dar a alegria que os craques de futebol dão a você quando fazem gols. Eles fazem um gol e você fica alegre, você grita o nome deles, você grita o nome do seu time. Eu não quero lhe dar essa alegria. Uma alegria como essa é aquela que o craque tem que fazer um novo gol pelo seu time para você senti-la de novo. Eu quero lhe dar uma alegria não circunstancial. Eu não nasci para ser um craque de futebol, eu nasci para lhe mostrar Deus, e Deus é alegria imorredoura! O meu Guru me deu isso. O Guru é o bom pastor que traz a ovelha para a sua alegria, de volta ao lar. 

Vocês compreendem o que eu quero dizer? Todas as alegrias desse mundo são passageiras, são como as alegrias que o craque de futebol dá aos torcedores de um time. Eu sei o que você busca, você busca a si mesma, você busca a si mesmo. Eu busco Você, o que Você é, essa beleza, essa coisa inominável, indescritível, singular, única, por detrás dos seus olhos. 

Na Índia, eles chamam de darshan, o olhar para o Guru, para um ser realizado, para aquele que está além do nascer e morrer, além de todo sofrimento, de toda ilusão. Eles chamam isso de darshan, o olhar de Deus. Eu adoro esse termo, porque é perfeito! Você não vem ouvir minhas falas, minhas palavras, você vem mesmo é para se ver, para ter o darshan, o olhar de Deus. 

Mas, a pergunta ainda fica: o que traz você aqui? 


*trecho de uma fala em um encontro presencial no Ramanashram Gualberto em Campos do Jordão em Junho de 2016

2 comentários:

  1. Simplesmente demais! Esta fala toca profundamente o nosso coração. Não tenho palavras para expressar tamanha alegria interior ao ler este texto. Só me resta agradecer imensamente ao Mestre Gualberto. Gratidão!

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  2. Mestre, seu Amor que me traz pra junto de Ti, gratidão!

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