quinta-feira, 7 de julho de 2016

O grande segredo para ir além do ego


A atitude do ego é a atitude da defesa, e quanto mais ele se defende, mais pronto está para o ataque; quanto mais pronto para o ataque ele se encontra, mais suscetível está a ter que usar de defesa, a tentar se defender. O ego parece crescer em força quando vive nesse estado de autodefesa, naturalmente pronto para atacar. Mas essa prontidão dele é medo, é muita vulnerabilidade que ele sente. A fortaleza do Estado Natural é não temer ser atacado, é não viver indefeso, em estado defensivo, é não viver pronto para atacar, num estado ofensivo.

A maior descoberta nessa senda do despertar é a importância de ser sensível a todo tipo de ataque, e você só é sensível quando não se defende. Ser sensível não é fraqueza, é tornar-se consciente. Você se torna consciente de que aquilo que o ataca não o atinge - isso é ser sensível! A sensibilidade aumenta consideravelmente essa capacidade de perceber que nenhum ataque atinge você, a ponto de ter a necessidade de fazer uso da defesa. Então, esse é o grande segredo para ir além do ego: não se defender, não estar na defensiva, ter a sensibilidade de estar sempre pronto, não para o ataque, que é o que acontece quando você esta em defensiva, mas para perceber que nada pode atingi-lo, que é quando não há medo.

Assim, ninguém pode magoá-lo, ofendê-lo, aborrecê-lo, entristecê-lo, frustrá-lo ou rejeitá-lo; ninguém pode direcionar para você nenhuma flecha que lhe cause um ferimento, uma dor emocional, sentimental. Quando você não está mais preocupado em se defender, quando essa sensibilidade assume (sensibilidade é vulnerabilidade com Consciência), você é altamente vulnerável, sensível, com Consciência. Então, você permite tudo, até porque sabe que não consegue segurar nada, nem a opinião alheia, nem as línguas ferinas, nenhum dos argumentos, nem as opiniões, nem o posicionamento dos outros em relação a você. Com isso, agora, nesse Estado, você não é importante.

Repare que isso é algo completamente o oposto de tudo que vocês viveram até hoje, porque, a vida de vocês foi isso: se defendendo, se protegendo; contra-atacando para se proteger ou contra-atacando depois do ataque, ao desferir um golpe depois de sofrer o primeiro ou desferir um antes de ser atingido por outro golpe. Eu falo aqui não de um golpe físico, falo de um golpe verbal, de atitude. É esse golpe que é o desejo de ferir, maltratar, ofender, magoar e vilipendiar o outro, de causar algum mal - é a tal da flecha para atingir. Não se trata de afirmar verbalmente “eu não sou atingível”, “ninguém me atinge!”. Não se trata disso! “Ele não pode me atingir!”, “ela não pode me atingir!”, “o problema é dele!”, “o problema é dela!”... Isso tudo verbalizado pode parecer muita valentia, força, coragem, audácia, mas dentro é puro medo. É exatamente o oposto: não é verbalizar assim, é dizer “ok!”... É internamente aceitar ser criticado, zombado, rejeitado, incompreendido.

Então, o grande segredo é esse! Seu grande segredo é deixar de se importar consigo mesmo, com essa pintura, esse quadro, que você faz de si mesmo, e não colocar isso dentro de uma moldura de vidro à prova de bala, ou à prova de flechas, porque o que você está protegendo é só uma imagem... somente uma imagem.

A loucura humana é tão grande, mas tão grande, que quando você pensa que se livrou de alguém, você fortaleceu a imagem dele, ou dela, dentro de si mesma. É muito falsa a ideia de estar livre de algo ou de alguém, porque aquilo não está mais fisicamente presente, não pode estar fisicamente ali, sendo uma grande ilusão acreditar que se livrou. Você ataca e mata o inimigo, alguém vem e sepulta o inimigo que você matou e, então, você não o vê mais, mas ele continua. Não é tão simples assim. Antes fosse... Mas não é tão simples assim!

Por que não? É porque o seu inimigo encontra sua vida real no seu mundo psíquico, emocional, de pensamentos; em seu mundo imaginário da mente, de um “eu”. É uma questão de tempo para o inimigo sair do túmulo e aparecer de novo para você, porque você está algemado. Seu pulso direito está algemado ao pulso esquerdo do seu inimigo; você está lado a lado com ele. Somente a Consciência, que é essa Presença de pura sensibilidade, tem a chave dessas algemas. Viver sem ego é muito natural, mas é uma naturalidade que você vê se revelar de dentro para fora, quebrando esse mundo psíquico, de imagens, onde os adversários e inimigos aparecem.

A chave disso é não fugir mais dessa dor de ser ferido, magoado, ofendido, criticado por alguém ou de ser comparado com alguma coisa, com alguém... É se permitir essa sensibilidade de não mais ser ofendido, magoado, ferido, tentando não sofrer isso e, de prontidão, responder com outro ataque, como é usual.

O que eu tenho observado é que muitos não estão dispostos a fazer isso. Eu falo muitos, referindo-me aos que vêm a Satsang, porque os que estão fora de Satsang não contam. Dentre os que procuram Satsang, muitos não estão dispostos a fazer isso, a se colocarem aí, assim, que significa viver sem inimigos. Por que eu falo de inimigos e não usei essa fala, agora, para falar de amigos? É porque o inimigo guarda o amigo e o amigo guarda o inimigo. Se eu falar de inimigo, já estou falando de amigo. Aqui, o que se aplica para amigo, só se aplica para inimigo. Na verdade, só vai feri-lo aquele que é seu amigo; é ele quem vai se tornar seu inimigo. Só vai ser seu amigo aquele que é seu inimigo. Mas, quando falamos de amigo e inimigo, falamos de inimigo ou de amigo, que dá no mesmo; basta usar um dos dois. Na verdade, eu estou falando de você mesmo! Seu inimigo não está fora... Seu amigo não está fora!  Além da dualidade de “amigo e inimigo”, está essa sensibilidade, que é a Consciência, Aquilo que revela essa chave, que abre essas algemas, tira o outro do lado, afasta o outro para sempre. O outro é o amigo, é o inimigo, é aquele a quem que você está ligado por algemas.

O que o Guru representa em tudo isso? O Guru representa essa Chama, a Consciência, a Presença, essa alta sensibilidade a não mais se deixar ofender, magoar e ferir; a não mais se deixar amar, nesse sentido do prazer, ou buscar a companhia de afago e de tratamento vip, de compreensão e aceitação, o que dá no mesmo. Aquele que aceita você, daqui a pouco, o rejeitará; aquele que compreende você, daqui a pouco, não vai querer mais entendê-lo; aquele que o ama dessa forma, daqui a pouco, o odiará. Nós estamos vivendo isso aqui na sala, pois aquele que é seu amigo se torna seu inimigo; e aquele que lhe dá um beijo dá uma mordida. Esta sala é a representação do mundo, desse mundo mental, psicológico, egoico. Esta sala é esse mar psíquico, um mar de imagens, de prazer e dor, de amor e ódio, de alegria e tristeza, de felicidade e infelicidade, e assim por diante. 

E agora? O que é que você tira disso tudo, aí?


*fala transcrita de um encontro presencial na cidade de Fortaleza em Junho de 2016
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6 comentários:

  1. Homem e mulher,masculino e feminino ainda são distinções.
    Enquanto houver distinção, haverá atração e repulsão.
    O amor não entra nessa área.
    O Mestre é homem ou mulher?

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  2. Queremos estar satisfeitos nos relacionamentos,com o saldo bancário,desejando que tudo sempre dê certo nessa nossa vida pessoal, queremos paz, queremos ser felizes.
    O que tem de errado nisso?
    Na mente é perfeito ser assim.
    Por isso mesmo, no ego, desgraça pouca é bobagem.

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  3. Não temos nada.Nem mesmo um Mestre nós podemos ter.
    E ainda assim só ele pode nos tirar desse sonho.
    Com a Graça de Deus!

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  4. Muitos buscam o Mestre, querendo atenção, carinho,compreensão, consolo.
    Melhor nem tentar.
    O Mestre é frio, duro e cruel.
    Com o ego.
    Se você busca um pai, melhor ficar com aquele que você já tem.
    É doloroso ouvir isso.

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  5. A experiência nesse sentido de separação é algo muito bom de se ver.
    Ela é repetitiva,melancólica,entediante,frustrante,cansativa,compul-
    siva,neurótica.Imagina você vivendo com alguém nessa condição duran-
    te 30,40,50 anos.
    Coitado do meu pai, coitada da minha mãe.

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