sábado, 16 de julho de 2016

É necessário apreciar a verdade acima de tudo




Gente, compreenda o princípio que é muito básico e simples: conflitou, "você" está aí, mas Deus não está e a Verdade não está. Este é um princípio básico. A primeira lição que você tem em Satsang é: você não é Real, é uma fraude.   Essa autoimportância separa você, como entidade, da vida, da existência. Então, aquilo que o incomoda, aflige, perturba, causa conflito, que conflita, sinaliza esse sentido de separação, que é a ilusão desse "eu" em sua autoimportância - essa fraude. Essa é a miséria, esse é o sofrimento, essa é a infelicidade.

A Liberação não é a liberação de "alguém"; é a liberação da ilusão de "alguém" presente, que conflita e se perturba, tem amigos e inimigos. Isto é o básico. Esta é a primeira lição. Eu diria que é a última lição.

Quando "você" está, não há beleza, porque não há verdade. A fealdade é a escravidão. Você só é feio, quando "você" está. Quando "você" não está, não há feiura, não há fealdade; não há malignidade. Quando "você" não está, não há conflito, medo, sofrimento; não há ego e a ilusão do experimentador. Não há o experimentador na experiência. É somente a Vida... A Vida sem "você", o mundo sem "você"! É Deus! Sem "você", tudo é Deus. Sem "você", tudo é a Vida, é Amor, é Felicidade.

Compreendem agora porque eu tenho dito que a Natureza da experiência é Felicidade: a Natureza da experiência é a experiência nela mesma, e ela não conflita com ela própria. Tem que ter um elemento ilusório presente na experiência, para que ela seja conflituosa, perturbadora, infeliz, problemática, difícil. É esse elemento ilusório do experimentador que conflita, porque fica nessa coisa de fazer amigos e inimigos. Os amigos se tornam inimigos, como estamos vendo agora aqui. Quem é muito amigo, se torna um grande inimigo; quem é pouco amigo, se torna um inimigo sem importância. Todas as nossas relações estão assentadas em escolhas, porque é aquilo que preenche essa experiência de um experimentador; são as escolhas realizadas ou escolhas de amores. Quando isso deixa de preencher esse experimentador, que optou escolher e decidiu por essas relações, essas mesmas relações se tornam inamistosas, indesejadas. Então,  é quando fazemos, dos antigos amigos, inimigos, os antigos amores se tornam os mais detestáveis, assim seguindo até o túmulo... até o túmulo. Você caminha, caminha, caminha até a chegada ao túmulo.

A Vida é sem ego, e sem ego não há conflito. Então, a Vida é Felicidade e Felicidade é a ausência do sentido de "alguém", nas suas escolhas, alternativas, decisões e nos seus posicionamentos. Somente então você pode, sem fazer nada, ser a própria vida, se conduzindo ou sendo conduzido... Sendo conduzido ou se conduzindo... A Vida se conduzindo e se permitindo ser conduzida. Então, tudo fica no lugar e a mente não é mais necessária. Aqui, a mente é a presunção de uma inteligência capaz de conduzir, guiar, e de lhe apontar um caminho melhor, mais seguro, sem intempéries e adversidades - o que é uma mentira, uma ilusão.

A chegada do Guru em sua vida deveria ser (antes fosse de imediato) o fim de qualquer escolha, decisão e independência para fazer ou não, resolver ou não, decidir ou não. No entanto, não é assim. A presença de Deus, que é a Graça, o Guru, quando chega encontra a "casa" ocupada e não pode fazer morada ali; Ele mal consegue fazer visitas, como as visitas rápidas que um hóspede faz.

O Guru que é a Consciência, a Verdade, é Deus, a Presença, a Realidade, a Vida, deveria ser o Guia, não o hóspede que faz uma visita rápida, e ser aceito na "casa" como o verdadeiro anfitrião, o verdadeiro dono da "casa". Assim, a Vida se guia, assume e, quando ela assume essa Inteligência além da mente, muito além de ideias, escolhas e crenças, isso sim pode resolver tudo. Para isso, sim, não há nada para ser resolvido. É necessário que você aprecie a Verdade, acima de suas próprias decisões, escolhas, ideias, crenças. É necessário que você desista, não intelectualmente, verbalmente, teoricamente, conceitualmente, mas de fato e de verdade, agora, aqui. Quando você desiste,  a "casa" pode ser desentulhada, esvaziado todo o "lixo", para que esse "Visitante" deixe de ser um "visitante" e seja assumido como um verdadeiro anfitrião, o dono da casa. Mas a "casa" tem que estar limpa, totalmente limpa, para que o Anfitrião não tenha muita pressa, qualquer pressa, como faz o hóspede quando chega em uma casa, e que Ele possa reconhecer Sua própria "casa", permanecer ali. Vocês precisam dar espaço para isso, para que esse "Visitante" se reconheça como o  próprio anfitrião, o dono da "casa".

“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” - são palavras de Jesus na Bíblia.

A pergunta para você é esta: tem espaço? Esta é a pergunta: tem espaço? Tem espaço aí, se está cheio de conhecimento, de experiências, de valentia, de orgulho, de amigos e inimigos, de coisas? Se está cheio de valores, como: posses, prestígio, poder, certezas? Enfim, a "casa" está muito cheia... muito cheia.      

*transcrito a partir de um encontro presencial de João Pessoa em Junho de 2016

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