quinta-feira, 28 de julho de 2016

A verdade se revela quando você está ausente





Olá pessoal! Sejam todos bem-vindos a mais esse encontro, aqui pelo Paltalk!


Estamos tratando juntos desta Coisa… Aproximamo-nos Disso fazendo o uso da fala, mas ela não pode alcançar e descrever Isso. Aqui, chamamos de “Isso” Aquilo que está fora do pensamento, portanto, fora da possibilidade de uma descrição. É Algo que não basta apenas ser sentido. Sentir Isso, ou esta Coisa, é somente mais uma experiência e, como toda experiência, vai passar. Assim como o passado passou, o presente há de passar e o futuro, também, passará.


Curiosamente, a pergunta é se o passado, o futuro ou aquilo que nós chamamos de presente momento é uma experiência ou é só um pensamento. Toda experiência passa, mas... E o passado? Passou! O presente está passando e o futuro irá passar. Mas isso será uma experiência ou um pensamento? Para a “pessoa”, todas as mágoas, desgostos, remorsos, culpas, arrependimentos, decepções, frustrações, etc., tudo isso foi experimentado no passado, ainda continua sendo experimentado no presente e será experimentado no futuro. A “pessoa” sempre terá essas experiências.


A pergunta é: são experiências ou são pensamentos (esse passado, esse presente e esse futuro)? Tudo aquilo que você viveu, está vivendo e que você vai viver é uma experiência ou é um pensamento? É sobre isso que estamos discutindo nesse encontro.


Eu, categoricamente, nego a realidade do tempo, nego a realidade do passado, desse presente e desse, assim chamado, futuro. Nego isso como sendo uma experiência. Eu estou constantemente afirmando que isso é só um pensamento. Esta é que é a beleza da Realização: constatar a verdade, a veracidade, e o quanto é prático perceber o pensamento somente como um pensamento, embora ele se expresse como uma história, criando a ilusão do tempo passado, presente e futuro. Tudo está agora! Quando eu digo “tudo está agora”, estou dizendo que todo pensamento está se desdobrando, como uma aparição, neste instante. Não existe nada que esteja, de fato, acontecendo. Só existe a expressão dos pensamentos, sendo traduzidos como acontecimentos, eventos, incidentes, que, na realidade, são aparições, algo completamente sem importância – sem importância se não existe a validação desta suposta entidade presente para falar, discutir e contar algo sobre isso; para tornar pessoal o que, de fato, não é pessoal, porque não há nada pessoal, e não há “pessoa”; só há pensamentos. São só pensamentos! Os pensamentos dizem que existe essa sala, um corpo, uma mente e a história de “alguém”, com um nome, nascido em determinado país, criado de determinada forma, educado de certa maneira para ser quem, agora, ele “acredita” que ele é. Não há nada disso! 


Em outras palavras, não tem importância a importância que você se dá – isto porque você não existe como uma entidade presente, que viveu o passado e viverá o futuro. Então, não se importe! Não procure ser especial dando importância à importância daquilo que parece ser importante. Eu falo aqui dessa “sua” vida, que parece ser muito importante e para a qual você dá importância. Então, não dê importância àquilo que parece que é importante, porque essa “sua” vida não é real. Só tem a vida, como algo que aparece. Parece acontecer, mas só parece acontecer. Então, cai por terra toda ideia de liberdade e de escolha, de determinação e de vontade, e o poder de decisão e de realização. Só há Deus! Deus é outro nome para Aquilo onde tudo aparece e desaparece; para Isso que não tem nome, que não tem princípio, porque não está no tempo e não terá fim... Porque não está no tempo... Esse tempo é só uma ideia, um pensamento. Quando Isso é claramente percebido, fica evidente que não há nada importante acontecendo, que tenha acontecido ou irá acontecer... Nem para acontecer, nem acontecendo e nem que tenha acontecido. Isso esvazia esse sentido de um “eu” que se julga muito importante, com uma vida importante, enquanto que a “pessoa” é somente uma ideia; suas ações são apenas crenças e suas experiências, pura imaginação. Isso é algo fundamental! É algo simplesmente fundamental saber que não tem “alguém” aí, isto porque são somente pensamentos que agora estão presentes e já desaparecendo, já caminhando para o desaparecimento. 


Assim é a sua história! Não tem ninguém para testemunhar a “sua” história; não tem “você” sendo testemunhado, sendo visto. Todo seu testemunho é de uma falsa testemunha, porque você não pode estar testemunhando sobre coisa alguma. Isso significa apenas o pensamento expressando imaginações, dizendo sobre coisas que ele mesmo criou, produziu, inventou, imaginou. Então, é assim a “sua” história! Quando você faz uma biografia, está tratando disso, dando um falso testemunho. Você é uma falsa testemunha, de um falso “eu”, de um “eu” que é observado, testemunhado, agindo, falando, pensando, desfrutando ou sofrendo. São somente pensamentos... Só pensamentos. Aí está a sua libertação! A libertação dessa cadeia, que é a cadeia do tempo – passado, presente, futuro; a libertação dessa ilusão de ser testemunha de um mundo do lado de fora e de um mundo interno, pessoal, desse mundo de “alguém” que você acredita ser. Então, fica só esse Vazio, que é a Totalidade, essa Plenitude. A Plenitude de ser é esse vazio atemporal, inominável, indescritível, fora da ilusão do tempo (passado, presente, futuro). Então, os pensamentos acontecem, se expressam em movimentos, atitudes, ações, apenas como aparições, mas isso não é você! Você é sempre Aquilo que É, ou melhor, Você está antes desse sempre, que está antes do tempo, como pura e indescritível Felicidade, Amor, Liberdade, Consciência, Onipresença, Onisciência, Verdade.


Não se trata de saber! Não se trata de não saber! É exatamente a ausência do pensamento, a ausência do conhecimento. O que parece para você, a princípio, algo teórico, conceitual, intelectual ou verbal, é algo muito natural, se você não pensar sobre isso. Não se trata de entender Isso! Não é possível entender Isso... Não é possível, nem necessário! 


A Verdade é algo assim: é Aquilo que está presente como única realidade, quando “você” é dispensado – suas crenças e imaginações, seus desejos e medos, suas ideologias e preocupações (sejam elas sociais, econômicas ou políticas) são todos dispensados. Manter a mente e o coração ocupados com toda essa coisa, como eu percebo que alguns de vocês fazem, é uma grande perda de tempo. Precisam colocar a mente e o coração de vocês na Verdade, na entrega a essa Graça, se desocupar internamente de todo esse lixo, de toda essa ilusão e mentira. Então, a Verdade se revela quando “você” está ausente; quando há um espaço, que antes estava ocupado com todas essas tralhas, com todas essas coisas, com toda essa ilusão. 


Acompanham isso?


Você está aqui em Satsang para ir além da ilusão, além de toda essa miséria humana, isso que tem se mostrado como sendo real para você – a ilusão de uma existência assentada no desejo e no medo, o que implica tempo, produzindo constante culpa, remorso, arrependimento, frustração, além de uma tentativa constante de acertar, escolhendo, decidindo, elaborando planos e projetos, todos eles criados pelo pensamento; uma imaginação, um idealismo, algo que, de fato, não funciona, não funcionou até agora e jamais irá funcionar. 


É necessário despertar, ir além dessa ilusão da separação, dessa ilusão do pensamento com os seus projetos. É a nossa proposta em Satsang!


O que eu chamo de investigação não é toda essa habilidade que, talvez, você tenha de, intelectualmente, acompanhar falas como essas ou elaborar, também intelectualmente, falas como essas, ou até melhores do que essas. Isso não tem nada a ver com investigação. A investigação está assentada na sinceridade de olhar para esse “si mesmo”, esse “mim”, esse sentido do “eu”, com todas as suas crenças, inclusive crenças baseadas em falas como essas  (que, também, não passam de crenças), e largar isso assumindo a Verdade – a Verdade de sua Natureza Real, Essencial, Daquilo que está, verdadeiramente, além do tempo e de todas as teorias.


Você pode, depois de certo tempo, aprender toda essa linguagem, e, depois de ouvir algumas dezenas ou centenas de falas como essas, tornar-se um verdadeiro guru e repeti-la para outros à sua volta e causar alguma impressão. Poderá causar a impressão “daquele que sabe”, mas isso não significa nada, absolutamente nada, nem para você mesmo, nem para os seus ouvintes – dois cegos estão na escuridão e um não pode guiar o outro. 


Chocante isso?


Algumas vezes, eu disse que minhas falas são muito malucas, mas estou começando a perceber que não são minhas falas que são malucas. O pensamento comum é que é maluco. O pensamento geral é louco. A Verdade carrega uma singeleza, uma graciosidade, uma fragrância, um perfume, uma delicadeza, uma suavidade e uma singularidade que ultrapassam, em muito, todas as ideias e crenças, todos os conceitos e preconceitos. A Sabedoria esta além da mente, do tempo, do pensamento e das crenças. A Sabedoria não é loucura, é pura sanidade e é disso que tratamos em Satsang. 

Esse é o Real encontro com a Verdade; a Verdade sobre Você mesmo! Esse Você, que não é esse “você” que você acredita ser, mas este Você do qual “você” nunca ouviu falar, que jamais pode alcançá-lo pelo pensamento, pelas crenças, pelas práticas, pelos métodos, por sistemas filosóficos ou espiritualistas... Este Você que é anterior a tudo isso, que é anterior ao corpo e à mente... Este Você que nunca nasceu e que, portanto, não pode morrer... Este Você que é anterior – anterior ao passado, ao presente, ao futuro e a esse pensamento.

 Vamos ficar por aqui! Namastê! Até o próximo encontro!

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