sábado, 30 de julho de 2016

O Florescer de Deus




Na Índia, eles chamam de Bhagavan ou Bhagwan… Bhagwan é um nome para Deus. Aqui, no Ocidente, nós fomos condicionados a acreditar que Deus está no céu, mas Deus é essa Presença; Deus é essa Presença que está presente quando Você está. Sempre quando Você está, Deus está. 

Essa Presença de Deus em você é como uma rosa quando está oculta no botão. Ela já é uma rosa, mas oculta. Ela é uma rosa, mas não está em sua plenitude… Ela ainda não floresceu! Então, ela não está em sua glória, mas, quando ela floresce, quando ela se abre, ela se apresenta em toda a sua glória. Assim é Bhagavan ou Bhagwan. 

Você é Deus! Onde quer que Você esteja, Deus estará. Deus é sempre Onipresença, inegável Onipresença. Mas, da mesma forma que a rosa fora de sua glória ainda é um botão, Deus é assim em todos. Então, quando Ele floresce, quando Sua Glória aparece, quando Sua Fulgente Presença Gloriosa aparece, o que, na Índia, eles chamam de Bhagwan, aquilo que era só um potencial se atualiza; aquilo que era só uma promessa se realiza.

É como um desses modelos automotivos: primeiro, uma equipe de engenheiros se reúne, faz o projeto e estuda como viabilizá-lo. Mas ainda é só um projeto! Deus é um projeto, mas Ele pode ser uma execução também, pode ser a finalização daquilo que antes era um projeto. Ele pode ser todas as fases, desde a ideia inicial, os primeiros encontros na sala de engenharia, os primeiros desenhos toscos, até a finalização de tudo aquilo. Quando tudo finaliza, Deus não mudou em nada. Ele estava lá desde o princípio.

Você é Deus! Só há Deus! Você é um Deus expatriado, um Deus exilado, um Deus que se esqueceu, que resolveu ter um esquecimento temporário e se passar por uma ideia (dentro de uma reunião), depois por um desenho, por um projeto, por uma execução e por uma finalização. 

Quando Você floresce, reconhece que nunca saiu desse “lugar”, do “lugar” de Deus. Bhagwan, na Índia, é Aquele que está ali em Beatitude, em Consciência, em Presença, em Liberdade, o que nós chamaríamos, em nossa linguagem, aqui, de Felicidade Real. Deus em “casa”, Deus em “sua pátria”, Deus em “seu lugar”.

*transcrição de um trecho do encontro presencial ocorrido no  Ramanashram Gualberto 
na cidade de Campos do Jordão em Julho de 2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A verdade se revela quando você está ausente





Olá pessoal! Sejam todos bem-vindos a mais esse encontro, aqui pelo Paltalk!


Estamos tratando juntos desta Coisa… Aproximamo-nos Disso fazendo o uso da fala, mas ela não pode alcançar e descrever Isso. Aqui, chamamos de “Isso” Aquilo que está fora do pensamento, portanto, fora da possibilidade de uma descrição. É Algo que não basta apenas ser sentido. Sentir Isso, ou esta Coisa, é somente mais uma experiência e, como toda experiência, vai passar. Assim como o passado passou, o presente há de passar e o futuro, também, passará.


Curiosamente, a pergunta é se o passado, o futuro ou aquilo que nós chamamos de presente momento é uma experiência ou é só um pensamento. Toda experiência passa, mas... E o passado? Passou! O presente está passando e o futuro irá passar. Mas isso será uma experiência ou um pensamento? Para a “pessoa”, todas as mágoas, desgostos, remorsos, culpas, arrependimentos, decepções, frustrações, etc., tudo isso foi experimentado no passado, ainda continua sendo experimentado no presente e será experimentado no futuro. A “pessoa” sempre terá essas experiências.


A pergunta é: são experiências ou são pensamentos (esse passado, esse presente e esse futuro)? Tudo aquilo que você viveu, está vivendo e que você vai viver é uma experiência ou é um pensamento? É sobre isso que estamos discutindo nesse encontro.


Eu, categoricamente, nego a realidade do tempo, nego a realidade do passado, desse presente e desse, assim chamado, futuro. Nego isso como sendo uma experiência. Eu estou constantemente afirmando que isso é só um pensamento. Esta é que é a beleza da Realização: constatar a verdade, a veracidade, e o quanto é prático perceber o pensamento somente como um pensamento, embora ele se expresse como uma história, criando a ilusão do tempo passado, presente e futuro. Tudo está agora! Quando eu digo “tudo está agora”, estou dizendo que todo pensamento está se desdobrando, como uma aparição, neste instante. Não existe nada que esteja, de fato, acontecendo. Só existe a expressão dos pensamentos, sendo traduzidos como acontecimentos, eventos, incidentes, que, na realidade, são aparições, algo completamente sem importância – sem importância se não existe a validação desta suposta entidade presente para falar, discutir e contar algo sobre isso; para tornar pessoal o que, de fato, não é pessoal, porque não há nada pessoal, e não há “pessoa”; só há pensamentos. São só pensamentos! Os pensamentos dizem que existe essa sala, um corpo, uma mente e a história de “alguém”, com um nome, nascido em determinado país, criado de determinada forma, educado de certa maneira para ser quem, agora, ele “acredita” que ele é. Não há nada disso! 


Em outras palavras, não tem importância a importância que você se dá – isto porque você não existe como uma entidade presente, que viveu o passado e viverá o futuro. Então, não se importe! Não procure ser especial dando importância à importância daquilo que parece ser importante. Eu falo aqui dessa “sua” vida, que parece ser muito importante e para a qual você dá importância. Então, não dê importância àquilo que parece que é importante, porque essa “sua” vida não é real. Só tem a vida, como algo que aparece. Parece acontecer, mas só parece acontecer. Então, cai por terra toda ideia de liberdade e de escolha, de determinação e de vontade, e o poder de decisão e de realização. Só há Deus! Deus é outro nome para Aquilo onde tudo aparece e desaparece; para Isso que não tem nome, que não tem princípio, porque não está no tempo e não terá fim... Porque não está no tempo... Esse tempo é só uma ideia, um pensamento. Quando Isso é claramente percebido, fica evidente que não há nada importante acontecendo, que tenha acontecido ou irá acontecer... Nem para acontecer, nem acontecendo e nem que tenha acontecido. Isso esvazia esse sentido de um “eu” que se julga muito importante, com uma vida importante, enquanto que a “pessoa” é somente uma ideia; suas ações são apenas crenças e suas experiências, pura imaginação. Isso é algo fundamental! É algo simplesmente fundamental saber que não tem “alguém” aí, isto porque são somente pensamentos que agora estão presentes e já desaparecendo, já caminhando para o desaparecimento. 


Assim é a sua história! Não tem ninguém para testemunhar a “sua” história; não tem “você” sendo testemunhado, sendo visto. Todo seu testemunho é de uma falsa testemunha, porque você não pode estar testemunhando sobre coisa alguma. Isso significa apenas o pensamento expressando imaginações, dizendo sobre coisas que ele mesmo criou, produziu, inventou, imaginou. Então, é assim a “sua” história! Quando você faz uma biografia, está tratando disso, dando um falso testemunho. Você é uma falsa testemunha, de um falso “eu”, de um “eu” que é observado, testemunhado, agindo, falando, pensando, desfrutando ou sofrendo. São somente pensamentos... Só pensamentos. Aí está a sua libertação! A libertação dessa cadeia, que é a cadeia do tempo – passado, presente, futuro; a libertação dessa ilusão de ser testemunha de um mundo do lado de fora e de um mundo interno, pessoal, desse mundo de “alguém” que você acredita ser. Então, fica só esse Vazio, que é a Totalidade, essa Plenitude. A Plenitude de ser é esse vazio atemporal, inominável, indescritível, fora da ilusão do tempo (passado, presente, futuro). Então, os pensamentos acontecem, se expressam em movimentos, atitudes, ações, apenas como aparições, mas isso não é você! Você é sempre Aquilo que É, ou melhor, Você está antes desse sempre, que está antes do tempo, como pura e indescritível Felicidade, Amor, Liberdade, Consciência, Onipresença, Onisciência, Verdade.


Não se trata de saber! Não se trata de não saber! É exatamente a ausência do pensamento, a ausência do conhecimento. O que parece para você, a princípio, algo teórico, conceitual, intelectual ou verbal, é algo muito natural, se você não pensar sobre isso. Não se trata de entender Isso! Não é possível entender Isso... Não é possível, nem necessário! 


A Verdade é algo assim: é Aquilo que está presente como única realidade, quando “você” é dispensado – suas crenças e imaginações, seus desejos e medos, suas ideologias e preocupações (sejam elas sociais, econômicas ou políticas) são todos dispensados. Manter a mente e o coração ocupados com toda essa coisa, como eu percebo que alguns de vocês fazem, é uma grande perda de tempo. Precisam colocar a mente e o coração de vocês na Verdade, na entrega a essa Graça, se desocupar internamente de todo esse lixo, de toda essa ilusão e mentira. Então, a Verdade se revela quando “você” está ausente; quando há um espaço, que antes estava ocupado com todas essas tralhas, com todas essas coisas, com toda essa ilusão. 


Acompanham isso?


Você está aqui em Satsang para ir além da ilusão, além de toda essa miséria humana, isso que tem se mostrado como sendo real para você – a ilusão de uma existência assentada no desejo e no medo, o que implica tempo, produzindo constante culpa, remorso, arrependimento, frustração, além de uma tentativa constante de acertar, escolhendo, decidindo, elaborando planos e projetos, todos eles criados pelo pensamento; uma imaginação, um idealismo, algo que, de fato, não funciona, não funcionou até agora e jamais irá funcionar. 


É necessário despertar, ir além dessa ilusão da separação, dessa ilusão do pensamento com os seus projetos. É a nossa proposta em Satsang!


O que eu chamo de investigação não é toda essa habilidade que, talvez, você tenha de, intelectualmente, acompanhar falas como essas ou elaborar, também intelectualmente, falas como essas, ou até melhores do que essas. Isso não tem nada a ver com investigação. A investigação está assentada na sinceridade de olhar para esse “si mesmo”, esse “mim”, esse sentido do “eu”, com todas as suas crenças, inclusive crenças baseadas em falas como essas  (que, também, não passam de crenças), e largar isso assumindo a Verdade – a Verdade de sua Natureza Real, Essencial, Daquilo que está, verdadeiramente, além do tempo e de todas as teorias.


Você pode, depois de certo tempo, aprender toda essa linguagem, e, depois de ouvir algumas dezenas ou centenas de falas como essas, tornar-se um verdadeiro guru e repeti-la para outros à sua volta e causar alguma impressão. Poderá causar a impressão “daquele que sabe”, mas isso não significa nada, absolutamente nada, nem para você mesmo, nem para os seus ouvintes – dois cegos estão na escuridão e um não pode guiar o outro. 


Chocante isso?


Algumas vezes, eu disse que minhas falas são muito malucas, mas estou começando a perceber que não são minhas falas que são malucas. O pensamento comum é que é maluco. O pensamento geral é louco. A Verdade carrega uma singeleza, uma graciosidade, uma fragrância, um perfume, uma delicadeza, uma suavidade e uma singularidade que ultrapassam, em muito, todas as ideias e crenças, todos os conceitos e preconceitos. A Sabedoria esta além da mente, do tempo, do pensamento e das crenças. A Sabedoria não é loucura, é pura sanidade e é disso que tratamos em Satsang. 

Esse é o Real encontro com a Verdade; a Verdade sobre Você mesmo! Esse Você, que não é esse “você” que você acredita ser, mas este Você do qual “você” nunca ouviu falar, que jamais pode alcançá-lo pelo pensamento, pelas crenças, pelas práticas, pelos métodos, por sistemas filosóficos ou espiritualistas... Este Você que é anterior a tudo isso, que é anterior ao corpo e à mente... Este Você que nunca nasceu e que, portanto, não pode morrer... Este Você que é anterior – anterior ao passado, ao presente, ao futuro e a esse pensamento.

 Vamos ficar por aqui! Namastê! Até o próximo encontro!

terça-feira, 26 de julho de 2016

O Silêncio que nasce dessa Consciência é Meditação




Boa noite a todos! Estamos mais uma vez em um momento de encontro com esta Realidade, com esta Presença.

Satsang é um momento assim, de encontro com Aquilo que permanece imutável, com a nossa Natureza Divina. Assim, esse momento é tremendamente precioso; jamais subestimem esse momento chamado Satsang. Satsang é um momento precioso, onde temos uma aproximação, uma investigação, uma observação direta desta Realidade presente, dessa Presença. Todas as formas, objetos, palavras, assim como o próprio silêncio, tudo está sempre carregado desta Presença, que é a origem de tudo. Então, nesses encontros que nós temos, chamados de Satsang, há essa Energia presente, essa Graça presente, que transmite essa compreensão direta dessa Realidade, o abraçar dessa Realidade, a vida dessa Realidade, o poder dessa Realidade. Um encontro como esse tem um tremendo impacto de mudança, de transformação, de alteração nesse mecanismo corpo-mente. Não é através do significado verbal das palavras, mas sim pelo Poder presente nessas palavras, por Aquilo do qual elas estão “plenas”, “carregadas”. Elas estão “cheias” dessa Presença.

Um silêncio como esse de Satsang é algo completamente diferente do silêncio que a mente conhece. A mente conhece uma espécie de silêncio que é ausência de barulho, ausência de som. Assim como essa fala em Satsang está carregada dessa Presença, este silêncio em Satsang está carregado dessa Presença. Isso é um fato. Qualquer palavra, qualquer escrito, assim como esse singular silêncio, que nasce dessa Presença, que nasce do Poder dessa Graça tem um tremendo impacto sobre a mente e o corpo. Essa energia de Presença é puro Amor. No entanto, não é o amor que a mente conhece, assim como esse silêncio e essa fala não são aqueles que a mente conhece; é algo completamente diferente de tudo isso. O Silêncio que nasce dessa Consciência é Meditação, é Beatitude, é Graça. Isso tem um real poder de alterar, de transformar, de modificar essa estrutura corpo-mente. Há uma alteração nas próprias células cerebrais. Esse mecanismo, essa máquina, esse corpo-mente precisa ter uma nova estrutura para assumir essa Consciência, que é Liberação, que é a libertação de toda a ilusão da separatividade. Esse é o Poder dessa Graça, desse espaço chamado Satsang.

Satsang significa encontro com a Realidade, encontro com a Verdade. Não podemos confundir isso com a fala de um professor que ensina advaita, que ensina a filosofia da não dualidade. Isso aqui não é um ensino. Quando você deita para dormir, você não pede ao despertador que tire você do sono lhe contando uma história. Basta um som, qualquer som serve – pode ser uma música estridente, ou suave, ou pode ser aquele som dos despertadores antigos. Você não espera uma história para sair do sono, basta um som. Satsang é um som, um som específico para tirá-lo do sono. Esse sono é a ilusão da separatividade, a ilusão de ser uma entidade separada do todo.

Estamos juntos?

Portanto, não é um ensino. Nosso ensino, nessa sala, nesse espaço, é somente esse: não há ensino. No entanto, precisa existir o som, pois é necessário despertar. Aprender, não; despertar sim. Hoje em dia, nós temos uma grande facilidade de ser ensinado – todos têm algo para ensinar e todos desejam aprender alguma coisa. Se você deseja aprender, você encontrará alguém para ensiná-lo. Eles vão até mesmo lhe propor um ensino sobre a iluminação, sobre a não dualidade, sobre a não separatividade. No entanto, aqui, nós não estamos ensinando, não temos interesse nisso, não há nada que precise ser aprendido.

Todos acompanham isso?

Satsang é um encontro com essa Realidade presente em qualquer forma. Portanto, nesse encontro, tudo o que você precisa é ter o coração em sintonia, voltado para esse Silêncio, para essa Presença, para essa Consciência. Já que esta Presença não precisa ser produzida, ela também não precisa ser ensinada. Nós não iremos produzir isso; isso já é algo presente. Não requer habilidade, não requer especialidade, não requer uma especialização, não requer um treinamento...

Muitos têm feito isso: acreditam que podem obter essa “coisa” e que, para isso, precisam fazer algo, precisam se tornar “experts” nisso, precisam de uma alta especialização na prática da meditação, de um profundo conhecimento verbal, intelectual sobre isso; precisam adquirir isso, estudar bastante e aprender isso.

No entanto, essa Consciência não se obtém, não se adquire, não se ganha, não se conquista. Você nunca irá obter a Paz, a Liberdade, a Felicidade, a Sabedoria; isso desperta quando o som chega, quando o despertador toca. Portanto, é uma questão de despertar, e não de aprender, se especializar ou alcançar. É necessário um trabalho diferente desse que a mente conhece e através do qual ela tenta conquistar, obter, chegar, fazer, produzir alguma coisa.

Essa Presença está sempre presente. Isso significa Onipresença. Essa é a natureza do Ser, da Consciência. É a sua Verdadeira Natureza. É aquilo que está presente em tudo, em todas as coisas.

Quando você relaxa em seu Ser, em sua Natureza Real; quando não mais se confunde com a ilusão de alguém pensando, e portanto, controlando, fazendo, sendo; quando não mais se confunde com a ilusão “eu sou o corpo”, “eu estou aqui”; quando o corpo assume apenas o lugar que ele tem – o corpo é só o corpo – e a mente assume apenas o lugar que é dela; quando você não cria essa ilusão, não imagina essa ilusão de ser a mente, de ser o corpo, de ser alguém dentro dessa máquina, dentro desse mecanismo, aí então, ele sofre uma tremenda mudança, uma radical transformação, um total descondicionamento. Quando essa Graça, esse Poder, essa Presença, Aquilo que se mantém como Verdade, como Graça, como Silêncio, como esse Único Poder, tem essa liberdade para atuar, há uma quebra, uma ruptura, uma desconexão com maya, com a ilusão da separatividade. Então, há um colapso completo dessa suposta entidade presente, desse “eu”, desse “mim”, desse que tem problemas de relacionamentos, emocionais, psicológicos, financeiros, de saúde, de toda ordem.

Enquanto houver essa ilusão de uma entidade presente aqui, agora, ouvindo, sentindo, pensando, agindo, falando, trabalhando, controlando, se relacionando, tendo amigos e inimigos, nascendo, morrendo; enquanto houver essa ilusão, essa ignorância ilusória, isso continuará se mantendo. Isso presente é estupidez, sofrimento, medo, ansiedade, depressão, dor de perda, dor de decepção, de frustração.

Está claro isso? Estranho demais? Assustador? Preocupante?

Aqui, a pergunta é: quem sou eu? A pergunta é: quem é você? Sem a sua história, sem suas crenças, sem seus desejos, quem é você? Sem esse medo presente – que assume diversas expressões, muitas das quais você nem tem consciência – quem é você?

Reparem que esse espaço chamado Satsang é esse convite ao Despertar. Esse espaço é esse som que torna o Despertar possível. Sem isso, não adianta; sem isso, você continua vivendo a sua vida, e essa “sua vida” é a ilusória vida de alguém...

Ok? Vamos ficar por aqui, pessoal? Valeu pelo encontro! Até o próximo!


*transcrito a partir de um encontro online via Paltalk na noite de 13 de Julho 2016
Encontros online todas às segundas, quartas e sextas-feiras às 22h - Baixe o Paltalk e participe!

sábado, 23 de julho de 2016

Quando eu olho para você, eu vejo a mim mesmo!







Como é estar aqui? Como é poder ter chegado aqui? Por que vocês vieram? O que é que você espera? O que você espera de mim? Eu sei… eu sei o que você procura. Eu sei mesmo o que você procura! Eu conheço você! Você procura isso aqui que Eu sou, essa liberdade, essa totalidade, essa completude, essa ausência de sofrimento; essa liberdade de amar incondicionalmente a todos, de não precisar de ninguém, de não precisar de nada, de não precisar atrelar esse incondicional amor a absolutamente nada, a nenhuma situação, a nenhuma circunstância. Eu sei o que você procura. Você procura o que Eu sou, porque Eu sou esse “Eu Sou” que Você é aí dentro. 

O Mestre é o Guru do lado de fora e Deus é o Guru do lado de dentro. Dentro é Deus; fora é o Mestre; e esse é o Guru. Não tem nada a ver com o corpo, não tem nada a ver com a forma. A forma pode ser masculina, feminina, andrógina… a forma é irrelevante. Essa Presença é uma só, dentro ou fora. Isso é só uma linguagem relativa que a gente pode usar na fala — que é o pensamento expresso — mas isso está além do pensamento, além da fala. Todos, desde a formiga até o maior elefante da África, desde a menor criaturinha do mar até a maior de todas as baleias, estão buscando isso, essa liberação, essa completude de ser, de ser esse “Eu Sou” que Você é (porque, quando eu olho para você, eu vejo a mim mesmo). Você é muito bonito! E isso não tem nada a ver com seus olhos claros, tem a ver com esse “Eu Sou” que eu reconheço aí. Todos nascem para realizar isso. 

Alguns nascem e se perdem de si mesmos, que é o que acontece com a maioria. Depois, eles precisam ser encontrados, como aquela ovelha da parábola contada por Jesus. De acordo com a parábola, havia um pastor com cem ovelhas no seu aprisco. Ele cuidava delas, as protegia, as alimentava, as conservava aquecidas no frio e, no calor, as protegia para não se afogarem no riacho. Era um pastor muito zeloso, muito cuidadoso; um bom pastor.

Quando elas saíam para o campo, ele as recolhia e contava todas elas. Então, em um belo dia, ele descobriu que, das cem, uma havia se extraviado. Aquilo o preocupou muito, então ele fechou o aprisco, deixando lá as outras noventa e nove ovelhas, supriu sua bolsa de provisões e foi atrás dessa única ovelha errante, extraviada, perdida. Ele tinha que encontrá-la antes dos lobos, antes dos animais que podiam devorá-la. 

Assim, ele viajou em busca daquela única ovelha errante, até que a encontrou e, nesse momento, o seu coração se alegrou! Ela estava cheia de espinhos, suja, machucada… e ele, ali mesmo, a deitou, a examinou, tirou os espinhos, apanhou o azeite e tratou das feridas. Depois, limpou seu pelo e a abraçou. 

Após isso, ele a colocou em seus ombros e fez outra viagem de volta para o aprisco. Ele deixou as noventa e nove ovelhas por uma única! Então, ele a colocou novamente no aprisco e ela olhou em seus olhos… agora ela estava feliz, ela estava em casa! 

Jesus termina a parábola dizendo: “eu sou o bom pastor”. O bom pastor é aquele que pode dar a sua própria vida por suas ovelhas, capaz de fazer uma viagem para um lugar distante, cercado de lobos e de animais ferozes, se for preciso. Jai Guru Deva!! Jaya Bhagavan!! 

Eu sou o bom pastor! É o pastor que encontra a ovelha. Tudo que a ovelha faz é se desgarrar, é se perder, é se embrenhar nas matas e esquecer a sua casa, esquecer o aprisco. Mas o bom pastor sempre conta as suas ovelhas e não descuida de nenhuma delas, senão ele não seria um bom pastor. 

Eu não quero lhe dar a alegria que os craques de futebol dão a você quando fazem gols. Eles fazem um gol e você fica alegre, você grita o nome deles, você grita o nome do seu time. Eu não quero lhe dar essa alegria. Uma alegria como essa é aquela que o craque tem que fazer um novo gol pelo seu time para você senti-la de novo. Eu quero lhe dar uma alegria não circunstancial. Eu não nasci para ser um craque de futebol, eu nasci para lhe mostrar Deus, e Deus é alegria imorredoura! O meu Guru me deu isso. O Guru é o bom pastor que traz a ovelha para a sua alegria, de volta ao lar. 

Vocês compreendem o que eu quero dizer? Todas as alegrias desse mundo são passageiras, são como as alegrias que o craque de futebol dá aos torcedores de um time. Eu sei o que você busca, você busca a si mesma, você busca a si mesmo. Eu busco Você, o que Você é, essa beleza, essa coisa inominável, indescritível, singular, única, por detrás dos seus olhos. 

Na Índia, eles chamam de darshan, o olhar para o Guru, para um ser realizado, para aquele que está além do nascer e morrer, além de todo sofrimento, de toda ilusão. Eles chamam isso de darshan, o olhar de Deus. Eu adoro esse termo, porque é perfeito! Você não vem ouvir minhas falas, minhas palavras, você vem mesmo é para se ver, para ter o darshan, o olhar de Deus. 

Mas, a pergunta ainda fica: o que traz você aqui? 


*trecho de uma fala em um encontro presencial no Ramanashram Gualberto em Campos do Jordão em Junho de 2016

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