sexta-feira, 10 de junho de 2016

Uma Grande Mágica Divina




Que bom estarmos juntos em mais este encontro, ouvindo essas falas estranhas.
Eu reconheço, sempre reconheci isso… essas falas soam muito estranhas. Por isso é que eu gosto de perguntar como é que isso está soando pra você. Isso porque elas acontecem a partir de um ponto que, na realidade, não é um ponto. Elas estão vindo de um lugar que, na realidade, não é um lugar.
Seria interessante começarmos essa fala, neste encontro, tratando um pouco sobre isso. Estamos falando a partir de um ponto que não é um ponto; a partir de um lugar que não é um lugar. Nossa fala se dirige, também, para um lugar que não é um lugar; para um ponto que não é um ponto.
Estamos tratando da Consciência, mas, curiosamente, e paradoxalmente, não podemos tratar Disso diretamente. Fazemos isso a partir do Silêncio; do Silêncio que se verbaliza, também paradoxalmente, em uma fala. Então, nos deparamos com paradoxos em cima de paradoxos, falando sem dizer, dizendo sem falar qualquer coisa, a partir de um ponto de vista que não é um ponto de vista, a partir de um lugar que não é um lugar.
Desde que comecei a compartilhar Isso, percebi claramente a dificuldade de colocá-lo em palavras ou tentar verbalizá-lo. O resultado é que eu descobri que não podemos atingir esse alvo mirando nele, direcionando, apontando, posicionando a flecha em direção a ele.
Não podemos tratar da Consciência — não de uma forma direta — mas podemos nos aproximar Dela de uma forma indireta, investigando aquilo que não é. A investigação daquilo que não é nos aproxima, de forma “intuitiva”, do coração dessa Realidade, que é essa Consciência, que é essa Presença, que é essa Verdade.
Estamos apontando o Absoluto; vamos usar essa palavra. A Consciência é essa Presença, que agora vou chamar de Absoluto. Absoluto porque está fora de um ponto de vista. Não é um modo de ver as coisas, não é um modo de ver objetos, eventos, lugares, sensações, experiências, percepções… Seria assim se fosse um ponto de vista, mas essa Realidade, essa Presença, essa Consciência, esse Absoluto não está relacionado a um ponto de vista.
Essa é uma outra dificuldade que eu também percebo nessas falas: a dificuldade de não intelectualizar tanto isso, mas é como a fala aparece e, assim, vamos colocando-a. O importante aqui é essa aproximação pelo coração para se perceber isso.
É estranho quando vocês vêm a Satsang e me escutam falar um pouco. Quando eu digo que não há nada fora deste instante, fora deste presente momento, é de forma absoluta. Estou falando do Absoluto ao dizer que não existe nada fora deste momento; estou negando a realidade do mundo objetivo. Estou negando, por exemplo, uma sala fora dessa onde você se encontra. Se você está na sala, estou negando a existência do quarto; se você está no quarto, estou negando a existência da sala. E posso ir mais longe: estou negando qualquer experiência fora deste instante, como, por exemplo, um pensamento sobre um fato que aconteceu, o que nós chamamos de memória.
Memória é só imaginação — a imaginação de um ocorrido, de um acontecimento, de um evento; uma imaginação acontecendo agora. A única realidade dessa imaginação é a presença do pensamento agora. Então, nós temos o pensamento acontecendo agora em forma de memória, como se esta, de fato, estivesse acontecendo. Na realidade, é só o pensamento imaginando agora. A lembrança é apenas isso. Não há a realidade do quarto se você está na sala. Isso é só uma imaginação, é só uma lembrança, é só um pensamento acontecendo agora, e a única realidade é esse pensamento. Não há nada fora deste instante, deste momento presente. É simples e maravilhoso! É maravilhosamente simples isso!
A única realidade é essa Presença, essa Consciência, é esse Absoluto, agora. Então, agora, não há espaço para culpa, para o remorso, para o arrependimento, para a frustração em relação a tudo aquilo que você acredita que aconteceu na sua vida e que teve você como responsável.
A vida é um movimento sem você. Ela é como é; ela acontece como acontece. Assim, de uma forma absoluta, a vida é o formato que a Consciência se manifesta. Essa sua importância como uma entidade presente é como a ilusão de um espaço fora deste onde você se encontra.
Leve isso ao extremo, à lembrança de parentes, amigos, vizinhos, cidades, escritório, lugar de trabalho… Tudo isso está presente agora apenas como uma ideia, uma manifestação dessa Consciência.
Essa evidência de um mundo fora dessa Consciência, de um mundo de imagens, lembranças, pensamentos, lugares, objetos e pessoas, é só uma grande mágica divina. A mente cria a ilusão de alguém presente nisso e esse alguém é você. Você é uma ilusão! É muito louco isso, mas é assim.
Não me pergunte porque a fala caminhou para essa direção hoje, porque eu também não sei. Sabe por que eu não sei? Porque eu não estou aqui! Eu não estou aqui para falar sobre isso e você não está aí para ouvir sobre isso. Tem apenas o “ouvir” aí acontecendo e esse “falar” aqui acontecendo também, através dessa mágica divina. Não tem ninguém nisso!
Não tem ninguém aí dentro dessa sala, ou desse quarto, ou desse espaço onde essa voz está acontecendo. Não tem alguém aí dentro desse corpo ouvindo e não tem alguém nessa sala virtual chamada Paltalk. Tudo isso é virtual mesmo.
Só há presente essa Consciência, essa Realidade, esse Absoluto. Portanto, não é algo para se ver a partir de um ponto de vista, como se vê as coisas, como se pensa sobre as coisas. Isso é muito mais simples: não tem ninguém vendo, não tem ninguém pensando.
Isso é vivencial em Meditação. Não é vivencial para alguém, é vivencial sem alguém. Se você fechar os olhos agora e relaxar sem nenhum pensamento, sem nenhuma imagem, o mundo desaparece.
Mesmo de olhos e ouvidos abertos, o som está presente, as imagens, cores, luz e sombra aparecem, mas não tem ninguém vendo, não tem ninguém ouvindo. O mundo não aparece como uma realidade separada.
Não estou dizendo que essas aparições são irreais. Elas são reais nessa Consciência, nesse Absoluto; não estão separadas dessa Consciência, dessa Presença. A única realidade é essa Consciência.
Na verdade, as coisas são coisas, os objetos são objetos, as pessoas são pessoas, os pensamentos são pensamentos…  A dor no corpo, a presença do corpo, tudo isso é apenas uma aparição para esse José, para essa Ana, mas só desse ponto de vista limitado, de um centro imaginário, de uma entidade presente que diz: “eu estou aqui”. Isso é só uma fala também, é só um pensamento, é só uma crença, é só uma imaginação.
É sempre do ponto de vista imaginário que você tem problemas e que você também não tem problemas; é sempre desse ponto de vista limitado, crédulo, imaginário, desse centro ilusório. Então, esse “eu” separa tudo, separa sua experiência de mundo… um mundo que é só dele.
Para o Sábio, para aquele que está livre desse sentido ilusório de dualidade, de separatividade, não há nada como “eu e o mundo”. Isso é só uma experiência do corpo-mente, mas sem importância.
Acompanhe isso com calma… É a ilusão de uma entidade presente nessa experiência que está criando todo problema. Essa entidade presente vê tudo a partir de um ponto de vista. O Absoluto não tem ponto de vista, a Consciência não tem ponto de vista, a Verdade não é um ponto de vista; Ela é definitivamente o que Ela é: incontestável, indiscutível. Não dá para discutir com o Sábio, não dá para discutir com a Consciência, não dá para discutir com a Verdade.
Você é o Sábio, você é a Consciência, você é a Verdade, você é esse Absoluto. Você não é o corpo, você não é a mente, você não está dentro do corpo, você não está aí no espaço geográfico, no tempo, como uma entidade presente.
Tranquilos aí, ou querem pensar sobre isso?
Se começam a pensar sobre isso, vocês caem de volta na ilusão de um experimentador, acreditando que podem entender o que está sendo colocado. Não se trata de entender e ficar com isso, pois isso não pode ser entendido. Quando você entende, faz isso por boa vontade e, daqui a pouco, você fica com má vontade e não quer mais entender isso. Então, aí está você de novo, sofrendo só porque intelectualmente entendeu. Abandone o intelecto! Essa é a dificuldade que vocês têm. É por isso que vocês se veem muito seduzidos, muito tentados a cair fora desse trabalho: vocês querem entender, e isso é para o coração, não é para a cabeça. Isso é para ser vivenciado agora aqui. Relaxe e se permita. Já que você não pode construir isso, isso tem que cair como uma bomba na sua cabeça. Então fique quieto, relaxe, pois já está acontecendo, não é algo que vai acontecer — só aconteceria se estivesse em algum lugar no futuro para ser encontrado.
Tenha paciência com uma fala que desafia o seu intelecto, o seu senso de lógica, o seu bom senso.
Estamos dizendo que esse Absoluto não vê coisas, não vê lugares, não vê pessoas como objetos fora dessa única Consciência; são vistos apenas como aparições. No entanto, essa Consciência nada sabe dessas aparições.
Vamos complicar um pouco mais isso. Já que você está tentando acompanhar isso intelectualmente, vamos complicar um pouco mais para você.
Essa Consciência não está nem aí para as aparições. No entanto, são essas aparições que surgem nessa Consciência. Não aparecem como coisas separadas, aparecem como a própria Consciência, mas a Consciência não está nem aí para elas.
O Ser, a Consciência, nada sabe dessas coisas aparentes. O Ser só sabe Dele próprio. Ele se manifesta como aparições, mas não está preocupado com elas. O Ser não sabe; Ele não se preocupa em saber. Ele é o Ser, Ele está relaxado em ser, enquanto que o intelecto está ansioso para saber.
Toda inquietude intelectual está no desejo de conhecer, no desejo de experimentar. O intelecto quer até experimentar a Iluminação. Ele se preocupa com o tempo, com data, com prazos, com projetos… Ele diz: “num determinado momento, vai acontecer”. Não tem nada para acontecer que já não esteja acontecendo agora.
Vou simplificar a coisa: essa Consciência, que é esse Absoluto, é algo tão completo e tão íntimo, presente em tudo, em todas essas aparições, que, justamente por não estar separado dessas aparições, não se ocupa com o conhecimento delas. É isso que eu quero dizer.
Ficou claro agora?
O que eu estou dizendo é que esse Absoluto é Amor, é Consciência, é Presença, é Felicidade. A infelicidade aparece quando a procura por algo fora do que se apresenta surge. Essa procura por algo é só o aparecimento dessa ilusão, dessa dualidade, desse sentido de separação.
Então, procura-se um estado diferente desse, um momento diferente desse, uma experiência diferente dessa: “eu quero estar com tal pessoa”; “eu quero estar em tal lugar”; “eu quero viver algo diferente do que estou vivendo agora aqui”. Aí surge a miséria, toda a miséria egoica, toda dependência, todo desejo, todo medo.
Quando você pensa, na verdade, só tem o pensamento. Quando você se confunde com esse pensamento de falta, então alguém lhe faz falta. Pronto, a miséria está criada.
Estou dando um exemplo de tudo que acabei de colocar para você. Você se separa deste instante, se confunde com esse pensamento, com essa falta e, então, surge a miséria, surge o desejo, surge o apego, surge a vontade de estar com outro ou de estar num determinado lugar, que não é esse lugar agora aqui, não é essa sala, não é esse quarto… é um outro momento separado desse, é num outro lugar. É o ego em busca de sensações, é o ego em busca de experiências; é a miséria!
Felicidade é algo presente neste instante quando não há desejo, quando não há espaço para qualquer movimento, quando não há lugar para chegar. Enquanto a mente egoica está viajando para o lado de fora, essa Presença, essa Consciência, esse Absoluto é puro Amor, é pura Felicidade.
Você diz: “o único momento em que essa miséria para é ouvindo ou estando com o Senhor. Fora disso, são lágrimas”.
Então, não deixe de me ouvir, não deixe de estar comigo. Isso significa: fique presente, permaneça desidentificado, sem se confundir com a mente egoica.
A presença de um Mestre vivo é importante nesse sentido, porque essa máquina aí, esse organismo, esse mecanismo, vai começando a responder de uma forma mais direta a esse Absoluto, a essa Consciência, a essa Presença.
É por isso que eu recomendo Satsang presencial, e logo você descobre o porquê. Eu recomendo que você trabalhe isso. Você nunca está distante de Si mesmo, distante dessa Consciência, desse Absoluto, desse Amor, dessa Liberdade, dessa Felicidade, porque essa é a sua Natureza Real, é a sua Natureza Verdadeira.
Quando você se depara com aquele que diante do qual a sua mente para — essa mente egoica que é como um macaquinho inquieto, saltando de galho em galho — a sua noção de espaço e tempo desaparece, o seu coração se abre para esse Silêncio, para essa Verdade, para essa Consciência, para esse Absoluto. Então, você se depara com a Felicidade, se depara com o Amor, que é o seu próprio Ser.
Um participante colocou algo que tem funcionado para ele. Ele diz: “quando estou sendo arrastado pelo contexto, paro um tempo em silêncio, ouço um vídeo do Mestre e a 'coisa' volta ao foco novamente; a Presença do Guru”.
Sim, porque isso é a Consciência, é a Presença. O Guru na forma, o Mestre na forma, está impregnado dessa Graça, dessa Presença. Ele é essa Consciência, Ele é esse Absoluto, Ele é o que Você É. Isso reverbera aí e você fica debaixo dessa Graça.
Na Índia, eles chamam “estar banhado na Presença do Guru”. O Guru não é o corpo, não é o nome, o Guru é essa Consciência, é esse Absoluto, é essa Felicidade, essa Liberdade, que é Você.
Essa presença do Guru sempre será necessária, porque a presença de Deus é indispensável, que é essa Presença que é Você. É insubstituível!
Estamos falando dessa mesma Consciência. Você não pode jamais duvidar disso. Fique com o que estou colocando para você neste instante. Não há coisas separadas, não há pessoas separadas, não há objetos separados, não há lugares separados. Como o Guru pode estar separado de você? Como Deus pode estar em um lugar e você em outro?
É que vocês passaram muito tempo identificados com a ilusão, se confundindo com o que não são. É hora de voltar para casa. Voltar pra casa é saber que você nunca saiu de casa. Apenas a mente está criando essa ilusão e toda miséria ligada àquilo que ela projeta, todo sofrimento ligado àquilo que ela projeta: carência, necessidade de companhia, necessidade de preenchimento, necessidade de sensações, necessidade de experiências, necessidade de continuar existindo como uma entidade presente no tempo e no espaço. Tudo isso é uma necessidade dessa ilusão, dessa mente egoica.
As palavras Felicidade, Liberdade, Verdade e Amor são o que nós temos de mais próximo dessa não alteração, que é essa Consciência. Nessa Felicidade real, nesse Amor real, nessa Liberdade, nessa Paz, não há mudança, não há separação. É, de fato, o Absoluto, o Completo, o Íntegro, Aquilo que é total.
A palavra “Santo” tem esse significado. O Sagrado é o Santo! Na Índia, eles tem um nome para isso, eles chamam de advaita a não-separação, a não-dualidade.
Você não precisa estudar Vedanta. Existem aqueles que querem se aproximar dessa Consciência, desse Absoluto, através do estudo, mas isso fica só a nível intelectual, a nível verbal.
Os Sábios, em sua Sabedoria, chamaram isso de não-dualidade, de não-separação, não-separatividade.
OK?
Vamos dormir, mas, por favor, não durmam! É hora de acordar!
Namastê!      

*Transcrito a partir de uma fala de um encontro online na noite de 29 de fevereiro de 2016  -Encontros todas as segundas, quartas às sextas-feiras às 22h baixe o Paltalk e participe!

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