sexta-feira, 24 de junho de 2016

Toda ideia que você faz do mundo é só uma ideia



É maravilhoso estarmos juntos de novo, com o nosso coração voltado para isso, para aquilo que realmente importa, para a única coisa certa, a única realidade, que é essa percepção. Os objetos aparecem nessa percepção; a mente é um objeto aparecendo nessa percepção, assim como o corpo e o mundo. Tudo é conhecido, presenciado nessa percepção. De fato, o único conhecimento que temos acerca do mundo, da mente e do corpo está nessa percepção. A nossa experiência de vigília, de sono profundo e de sonho está nesta percepção – que é a percepção da realidade. Esta percepção da realidade é a Consciência – algo que não está no tempo. O tempo é a noção do movimento que acontece na mente, no corpo, e como uma experiência do mundo, todo e qualquer movimento do mundo traz a noção do tempo. 

Em Satsang, o nosso interesse real é nessa Consciência, é nessa Presença, é nesta percepção. Essa percepção é não dual, não conhece separação entre sujeito e objeto, entre pensador e pensamento, entre aquilo que vê e aquilo que é visto; esta percepção não conhece conflito, não conhece uma entidade presente na mente, no corpo e no mundo. Nós estamos, em Satsang, ouvindo acerca disso, mas é necessário ir além desse ouvir. É necessário se tornar ciente desta percepção não dual. 

Os objetos são todos aparentes, mas não estamos lidando com o corpo ou com a mente como com um objeto, ou com a experiência do mundo como a experiência com um objeto. Aí está todo o problema: estamos lidando com o corpo e com a mente como se fosse aquilo que somos, como se a experiência do mundo fosse a experiência da Vida Real. Nosso real conhecimento é essa percepção, e nessa percepção não há ilusão –  esta ilusão “eu sou o corpo”, “eu sou a mente” e “eu estou no mundo”. 

Esta percepção é aquilo que é íntimo, que é próximo, que é real. Apenas essa percepção é Liberdade, é Verdade, é Felicidade, é Amor, é Paz; é quando você não se confunde mais com os objetos, sejam eles o corpo, a mente ou o mundo. Nosso trabalho, juntos, aqui em Satsang, é nos tornarmos cientes disso, cientes dessa percepção que é a Única Realidade. 

Todos acompanham isso?

Toda ideia que você faz do mundo é só uma ideia. Toda ideia que você faz do corpo como sendo você é só uma ideia. Toda ideia que você tem sobre o movimento mental, é também só uma ideia, é só uma crença, são só objetos. Se você continuar se confundindo com objetos, você irá continuar mantendo essa vida pessoal, ilusória, separada do Todo – essa é a miséria humana. 

Os objetos sofrem mudanças, são afetados por mudanças. Tudo que tem nome e forma é afetado por mudanças, e aquilo que é afetado por mudanças não pode ser real, não é imutável. Esta percepção da qual estamos falando – que é essa Consciência, esta Presença –não é afetada por mudanças! Isto não muda nunca, nunca mudou. Essa percepção já estava aí quando você era criança, estava aí quando se tornou adolescente, jovem, adulto; você já é até avô e ela continua aí... é a mesma percepção!

A mente, como um objeto, sofreu mudanças: memórias desapareceram, outras memórias estão aparecendo, antigas e novas lembranças... são mudanças na mente. O corpo também sofreu mudanças, e o mundo mudou nesses últimos 20, 30, 40, 50, 60 anos! Tudo sofre mudanças, tudo aquilo que tem nome e forma é afetado por mudanças! Mas há uma percepção aí presente, uma Consciência aí presente que não mudou. 

Você está aqui para assumir essa Verdade – a Verdade sobre si mesmo. A Verdade é esse despertar, é sair dessa inconsciência, desse estado de sono, de sonho, de grande confusão, para o seu Estado Natural de pura percepção da realidade; significa se mover neste mundo, neste corpo e nessa mente livre da ilusão de estar no corpo, na mente  e no mundo. O corpo, a mente e o mundo são experiências de objetos nessa percepção que é Você! Você é imutável, e se isto é assumido, é reconhecido, é constatado, não há mais morte, não há mais a ilusão de ter nascido para morrer.

Repare que o mundo aparece quando o corpo aparece. O corpo aparece pela manhã, deitada na cama, e então, aparecem as paredes do quarto, o teto e o piso; primeiramente, o corpo aparece e, depois, o mundo, nessa sequência. Isso que aparece são objetos, enquanto que essa percepção permanece; mesmo quando nenhum objeto aparece, mesmo em sono profundo, quando não há nenhum objeto, nem o corpo, nem a mente e nem o mundo, há algo que permanece, que se mantém. Este algo que se mantém é o que torna possível o mundo aparecer novamente. De um dia para o outro o mundo aparece. Vem o dia, vem a noite e vem um novo dia... Os dias estão mudando e essa percepção está vendo essa mudança, tornando essa mudança possível. 

É isso mesmo? 

Você pode ir além dessa ilusão da experiência pessoal, que é a crença de uma pessoa se firmando dentro de uma história, se declarando viva – viva, é claro, para morrer; viva, é claro, mas cheia de problemas pessoais. Isso é uma ilusão! Não há problemas, não há pessoa, não há alguém nisso tudo. É só a mente mudando de estados: sentimentos, emoções, pensamentos, tudo está mudando, variando. É só o corpo mudando de estados: bem- estar, mal-estar, saudável, doente, prazer, dor... É só o corpo mudando de estados, é só o mundo mudando com os acontecimentos. Nem alguém no corpo, nem alguém na mente, nem alguém no mundo. Essa Consciência que é essa percepção – ou essa percepção que é essa Consciência – não muda, observa esses estados mudando. 

Iluminação basicamente é isso: não mais se perturbar com mudanças; não mais se afligir com mudanças, não mais se confundir com essa ilusão de alguém presente, com raiva, com ódio, com inimigos, com amigos, com gostar ou não gostar; não mais se confundir com essa ilusão da autoimagem, da imagem que se tem de si mesmo, que se sente magoada, ferida, ofendida, preocupada, querendo matar, com ódio, enfim... todos esses sentimentos. Algo acalentado com muito apreço, com muito cuidado no ego, dando vida a essa ilusão da pessoa na experiência de suas relações com outros, consigo mesmo, com o mundo. 

Estou falando grego ou isso está claro? 

Facilmente nos ofendemos, nos magoamos, nos ferimos e nos deixamos ferir, nos sentimos importantes ou sem nenhuma importância; estamos sempre criando imagens a respeito de nós mesmos, a respeito do mundo ou do que nos parece acontecer, quando na verdade está acontecendo a este corpo, a esta mente, a este mundo. 

Participante: Quando eu tento encontrar minha real natureza, encontro apenas a minha identificação mental, grosseira ou sutil. Como ir além disso?

Mestre Gualberto: A pergunta é: quem está empenhado nisso, nessa tentativa de encontrar? Você não encontra o que você É. Se você procurar o que você É, tudo o que vai encontrar é aquilo que você acredita ser: a agitação mental, grosseira ou sutil, ansiedade, preocupação, medo, e assim por diante. Você não encontra o que você É, você se desidentifica do que você acredita ser, se desidentifica de todas as crenças que tem sobre si mesmo, de todas as ideias que você faz de si mesmo, de todo e qualquer sentimento, pensamento, emoção. Quando isso é descartado, sua Real Natureza se mostra. Ela sempre esteve aí, nunca esteve oculta, mas paradoxalmente, ela nunca se apresenta enquanto a ilusão está aí. A questão é se desidentificar dessa ilusão acerca de quem de fato você é. A própria ilusão de quem de fato você é tem que ser descartada, assim como essa ilusão acerca de quem você acredita que é, porque tudo isso são apenas crenças. Você não vai construir essa realização, você vai constatar a Presença dela. A expressão “despertar” é despertar da ilusão de que há alguém dormindo em estado de sonho, de que há alguém na experiência corpo, mente e mundo. 

Participante: Parece que tento me esvaziar do conteúdo, mas sempre há ainda um conteúdo. 

Mestre Gualberto: A questão continua sendo a mesma. Quem é este que tenta se esvaziar? A ilusão é que existe alguém real aí, e este alguém real aí pode se esvaziar deste alguém ilusório que está aí... Tudo isso são crenças. Essa Realidade – que é essa Presença, que é essa Consciência, que é essa percepção da qual estamos falando – floresce por si mesmo e é expressão da própria Graça, da própria Presença Divina. Isto não é um trabalho seu. O paradoxo é que tudo isso é você que se dispõe a constatar, a perceber, a aprender, a compreender, nenhum outro pode fazer isso no seu lugar. É um trabalho seu, mas não é um trabalho seu! É um trabalho dessa Presença, dessa Graça, e você pode atrasar muito isto. Se você tiver a felicidade de se deparar com um mestre vivo, Ele em sua Graça, Ele que é essa Consciência, que é essa percepção, que é essa realidade de sua Real Natureza, dessa sua verdadeira natureza, cuidará disso. 

O trabalho que é de Deus você não pode fazer, o trabalho que é do Guru você não pode fazer. Mas o trabalho que é seu o Mestre não irá fazer, Deus não irá fazer, o Guru não irá fazer. Vocês estão nessa sala, diante dessa fala, neste momento, diante deste Silêncio, desta Presença porque este é o seu momento de ir além dessa ilusão. Se vocês pudessem resolver isso sozinhos já teriam resolvido, não estariam nessa sala.

Deus é a única e real necessidade e Ele é essa Presença, essa Consciência, essa Graça. Não há nenhuma diferença ou separação entre o Guru interno e o Guru externo. Há somente essa única Consciência, que é essa Presença, essa Graça que trouxe você a esta sala, a este momento chamado Satsang. Agora, a questão é desistir, é se render! Sua oração o trouxe até aqui; seu anseio, seu anelo pela Verdade o trouxe até aqui. Mas quem, na realidade, o trouxe até aqui foi essa Graça, foi essa Presença. Ela que cuida desta percepção, ela que desfaz essa ilusão de “corpo-mente-mundo”, essa ilusão de “eu e não-eu”. Ela que desfaz essa ilusão dessa suposta entidade presente, com seus desejos, medos, sentimentos negativos ou positivos, e assim por diante. 

Você está aqui para realizar Deus, a Verdade sobre si mesmo. Todo o meu interesse é compartilhar isso nesses encontros; é criar para você uma facilitação, lhe mostrando essa tremenda resistência, essa tremenda arrogância, essa tremenda ilusão que a mente egoica carrega, mantendo você nessa prisão, nessa suposta entidade, nessa ilusão do eu. 

Basta por hoje. Vamos ficar por aqui. Namastê! Se programem para estar conosco em encontros presenciais. 

*Transcrito a partir de um encontro online ocorrido na noite de 10 de Junho de 2016 - 
Encontros todas às segundas, quartas e sextas às 22 - Baixe o Paltalk e participe!

2 comentários:

  1. O passado já era, o futuro a Deus pertence.
    Quem somos nós, o que somos?
    O Mestre é a lembrança viva de nossa real natureza.
    Que bom que assim seja!

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