sexta-feira, 17 de junho de 2016

Quem cuida de tudo é essa única Fonte






Participante: Mestre, nos dê a sua bênção para que todos nós aqui consigamos ficar nessa atenção, porque é aí que derrapamos. Há um momento em que nos desligamos dessa atenção e deslizamos para dentro do personagem. Só sua Graça mesmo que pode dar esse “toque” dentro de nós, pois o mecanismo funciona de forma automática. 

Mestre: Esse elemento da bênção vocês já têm. Não está faltando isso para vocês. Vocês não têm que ficar frustrados com a frustração, e deixarem de ir além dessa identificação, sucumbindo a essa tentação e caindo. Isso não pode ser motivo para dizer: “Ah, eu caí! Estou frustrado com essa frustração”. Vocês têm que se levantar e dizer: “Uau! De novo! Vamos ver se agora melhora”. Mas isso é você quem faz. Então, não se frustre com a frustração, tenha paciência com ela, mas olhe para isso, menino!

Você viu o automatismo, viu que está sucumbindo automaticamente a essa pessoa com sua história, sucumbindo à imaginação, às crenças, às imagens — imagens de si mesmo, imagens do mundo, imagem de filho, imagem de mãe, imagem de patroa, imagem de empregado… Você está vendo isso aí, você já conseguiu ver! Pronto! Já teve um choque de realidade, e essa é a bênção que o Guru lhe dá! O Guru sempre vai lembrá-lo: “Olhe! Preste atenção, menino!” Ele está sempre lhe dando isso. O Guru é essa referência. A própria presença do Guru é essa bênção que Ele é; a referência de que isso não é real aí, de que isso não é natural, é só um vício, é só um hábito, é só um movimento de identificação com a história, com o ego, com o “mim”, com a pessoa, com esse conteúdo mental. 

Então, a bênção você já tem, é só fazer o dever de casa. Você vai à academia treinar, mas o treino não fica perdido lá dentro. Você leva o treino com você. Talvez você não faça uso dele na rua, mas está ali na máquina toda a capacidade de usá-lo. Da mesma forma, você vem a Satsang e recebe o “treinamento”, mas você leva o resultado desse “treinamento” para o seu dia a dia. Se você tem o poder de “realizar” isso aqui, você também tem o mesmo poder de “realizar” isso lá. Por isso a minha insistência: “não durma em Satsang”; “preste atenção”; “volte-se”; “olhe de novo”; porque é aqui que você pratica, para levar essa prática lá para fora. 

De fato, você não é uma pessoa, mas, enquanto essa vida pessoal ainda existir, fique alerta! Por isso eu disse que não sou eu que tenho que lhe dar isso, você que tem que ver, você que tem que se livrar dessa identificação. 

Você precisa estar aqui, nesse “Eu Sou”. Você só precisa estar com o Guru. Você tem que “desaparecer” do mundo! A única realidade em você é o Guru, que é a Consciência, o Ser, a Presença, e Ele não tem forma — Ele é esse estado livre de imagens. Aí está o Guru! Então, você está pronto para soltar tudo! 

Vocês perguntaram hoje sobre entrega… Soltar é entrega! O pensamento vem como a imagem de alguém e, então, você a solta. Quando você a solta, fica só o espaço novamente, livre de todo peso. Quando você solta a imagem do filho, você “deixa de ser mãe”; quando você solta a imagem do marido, você “deixa de ser esposa”. Essa fixação em imagens cria essa ilusão de uma identidade, então, quando você as solta, você as entrega. 

Eu sou a Consciência, eu sou o Vazio, eu sou a ausência de separatividade, eu sou esse “Eu Sou”. Você entrega isso a Mim quando deixa solto e não se prende a essa imagem, não se prende a esse pensamento. Quando você não se prende, você não sofre; você não reafirma essa autoimagem nisso. Isso não pode feri-lo, magoá-lo, entristecê-lo, afligi-lo, pois são só imagens. Se você não se prende a elas, você as entrega, e, quando você as entrega, você está livre! 

Participante: Lidar com o filho sem essa imagem, na prática, é muito difícil, Mestre. 

Mestre: Não. Difícil é lidar, na prática, com o filho com essas imagens. Isso é que é difícil. É o oposto. 

Participante: É que daí surge uma outra autocobrança. Eu me sinto irresponsável, como se não estivesse nem aí para o meu filho. 

Mestre: A imagem está aí ainda – a imagem de alguém que não cuida do filho. Basta cuidar daquilo que surge no momento que surge. E, de fato, tudo vai ser cuidado, mas não vai ter alguém, porque não é alguém que cuida. Quem cuida de tudo é essa única Fonte. Não precisa da imagem; a imagem é só uma afirmação dessa ilusão que você acredita ser. Na prática, é bem mais simples não carregar a imagem, pois isso dá muito trabalho, é muito pesado, gera muito sofrimento. Quem continuar acreditando que é mãe, vai sofrer, mas é o que o ego gosta, é o que o ego prefere. Percebe? O vício está aí. Abrir mão desse sofrimento é ser mais uma mulher dentro de casa. Só uma mulher, não uma mãe, a guardiã, a cuidadora. 

Vocês agem de uma forma automática o tempo todo, protegendo a imagem que fazem de si mesmos diante do outro. Vocês fazem, falam e se justificam para salvaguardar uma imagem, para manter essa imagem aí salva. Isso é muito pesado! É preciso se justificar muito, o tempo todo! 

O problema é que vocês são inteligentes demais para entregar sem questionar, para entregar sem duvidar. Você nunca vai entregar sua vida a Deus desse jeito. A compaixão de Deus, do Guru, é muito elevada, muito grande, então Ele se apresenta como um sábio, só para deixar o seu intelecto um pouquinho à vontade. Ele sabe que toda essa lógica, toda essa inteligência, toda essa sabedoria que ele usa não serve para nada, não serve para você realizar Deus. Mas, só para deixá-lo um pouco à vontade, Ele o impressiona intelectualmente, mesmo não precisando disso. 

O Guru é a Consciência, mas, por amor aos seus devotos, Ele se apresenta dessa forma: sábio, inteligente, capaz de jogar com lógicas, palavras, só para driblar o seu ego, mas Ele não precisa disso. Tanto não precisa que o devoto não está nem aí. Ele pode nem entender o que o Mestre está dizendo. O que ele quer mesmo é servir o Guru, é servir o Mestre, é fazer o que Ele lhe pede. O devoto fica mais seguro nessa entrega do que ter que pensar muito, entender muito, e, por isso, é mais fácil ele realizar Deus.

*Fala transcrita a partir de um encontro na cidade de Fortaleza em Maio de 2016  
Encontros online todas às segundas, quartas e sextas às 22h

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