segunda-feira, 20 de junho de 2016

Pesssoas são apenas crenças, imaginações!




Satsang é o encontro com a realidade, com a verdade; esse encontro com nossa Natureza Real. Nossa realidade é aquilo que poderíamos chamar de Consciência, de Presença. Essa é a nossa realidade, o encontro com aquilo que somos; é a revelação acerca de nós mesmos, dessa imutável Presença, dessa imutável realidade. Quer haja um reconhecimento disso ou não, é o que nós somos. Essa é a nossa realidade! Essa nossa realidade é a Verdade... é a mais pura e cristalina Verdade. 

Não existe qualquer entidade separada real, pois não existe nenhuma entidade separada dessa única Realidade que somos. Essa é a verdade sobre nós mesmos. Repito! Não existe tal entidade separada! Não existe outra coisa a não ser essa Consciência, e esta é a verdade sobre nós mesmos. Nesse encontro, nosso foco é esse. Quando nos perdemos dessa realidade, nos perdemos nos objetos. A mente é um objeto, e tudo o que ela produz são apenas objetos, também, aquilo que pode ser presenciado de uma forma objetiva e, quando estamos nos situando na mente, nós estamos perdidos em objetos. Pensamentos,  sentimentos e emoções são objetos, no sentido de que é algo objetivo e pode ser observado de uma forma objetiva. Isso não é nossa natureza real; é algo que aparece aí, mas não é o que somos, sendo, portanto, algo objetivo.  

Quanto tempo dura um sentimento, um pensamento, uma sensação ou emoção? Isso nos mostra que estamos lidando com objetivos, com coisas objetivas, com objetos temporários, com coisas temporárias - aquilo que aparece e desaparece, vem e vai. 

Nosso condicionamento é nos situarmos nesses objetos como sendo nós mesmos, ou seja,  nos pensamentos ou sentimentos, nas emoções ou sensações, em tudo isso acreditamos fazer parte do sujeito que somos. Só que esse sujeito que somos, também, é somente uma crença e, portanto, somente um objeto; nada além de um objeto, um imaginário objeto. Há uma realidade presenciando esses objetos, essas aparições, que não tem identidade. Esses objetos, quer eles sejam grosseiros ou sutis, são todos objetos. A cadeira onde você está sentado é um objeto grosseiro, como o pensamento aí é um objeto também, mas um objeto sutil. Porém, tanto a cadeira quanto o pensamento são uma aparição nessa Consciência.
 
Está claro isso? 

O computador que você tem diante de você, bem como a fala que você escuta, é apenas um objeto. O som, que é parte de uma sensação, também é um objeto. O objeto só pode aparecer naquilo que percebe esse objeto, e aquilo que percebe está fora e além do próprio objeto. Assim, essa Consciência é algo fora e além dessa fala, fora e além desse pensamento ou sentimento, dessa sensação ou emoção. Mas todo condicionamento que você recebeu desde a infância lhe dá essa ilusão, a ilusão de uma entidade presente, que é só uma imaginação, só um pensamento, também. Não tem uma entidade presente. Há somente a ilusão de uma entidade presente, a ilusão de um objeto na criação do pensamento, ou seja, estamos dizendo que não há "pessoas" nessa sala, ou que as pessoas nessa sala são apenas crenças, imaginações. 

A mente imagina uma entidade presente nessa experiência de sentir, de falar, de ouvir, de uma emoção, de um sentimento ou de um pensamento. Não existe tal coisa!  Para alguns de vocês, que são novatos aqui na sala, isso deve estar soando bastante estranho. Eu estou dizendo que você, como entidade separada, é uma fraude, uma ilusão; é só uma crença, um nome, uma forma e uma história. Uma história são pensamentos sendo contados; um nome é um rótulo dado a um objeto, a esse corpo, e esse corpo é uma aparição que vem e vai, como qualquer outro objeto. Então, esse corpo é um objeto, esse nome é um objeto e essa história também é um objeto. 

A pergunta é: "Quem é você? 

Você é essa Realidade além do corpo, do nome, da história e dos objetos. Sejam elas grosseiras ou sutis, toda e qualquer sensação presente é só um pensamento, uma ideia, uma crença. Isso aparece nessa Consciência apenas como parte do pensamento. O pensamento traduz toda essa experiência. O som é ouvido e é uma sensação, mas é traduzida, contada como uma história (o que é só um pensamento, uma coisa objetiva). 

Você nasceu para constatar sua Real Natureza, Aquilo que É: viver a partir desse Espaço, dessa Realidade, livre da imaginação e livre dessas fixações em objetos, nos pensamentos, nessa história, nessa ideia de "ser alguém". 

Essa é a nossa proposta em Satsang: o reconhecimento de sua Natureza Essencial, de sua Natureza Real. Esse momento Real é o momento dessa Consciência. A mente produz um momento imaginário, onde ela cria o tempo, fazendo isso através dessas experiências objetivas, que são os pensamentos, os sentimentos, as sensações, e assim por diante. Tudo isso fortalece a pessoa, dá uma identidade (uma identidade ilusória), cria esse "mim", esse "eu", essa "pessoa" com um nome.  A liberação é o fim disso e essa liberação é Amor, Liberdade, Felicidade, é sua Natureza Essencial, que é Consciência, que é Presença, que é Deus, a Verdade sobre você. Você é essa verdade! Enquanto houver a ilusão da "pessoa", haverá conflito e sofrimento, porque isso não é a verdade. 

A liberdade, a felicidade e o amor estão na Verdade, não fora dela, e não estão na ilusão. Essa crença que você tem sobre si mesma, sobre si mesmo, é pura ilusão e tem moldado (e está moldando) toda a sua experiência pessoal, a experiência de uma "pessoa". Quando você se confunde com o corpo e com a mente, você busca no tempo, nessa experiência de tempo e de objetos, o preenchimento, a realização, a paz, o amor e a felicidade, mas nada disso faz parte no tempo.  

Amor é a natureza do Ser, da Consciência, da Presença. Falo de um Amor que não tem o oposto (o ódio, a raiva) e não é aquilo que nós entendemos por amor - algo sentimental, romântico, que preenche temporariamente o "eu", o ego, ou produz alguma sensação, algum prazer - estamos falando de algo totalmente diferente disso. O Amor não é prazer, não é sensação, não é uma emoção. A raiva é uma emoção, o medo é uma emoção.  O amor que a pessoa conhece é aquele que se transforma em raiva, portanto, é algo emocional. Não é deste amor, que é uma espécie de amor emocional e é o oposto da raiva, do ódio, que estamos falando. Isso tudo são experiências objetivas, mentais e experiências no tempo, do tempo, porém o Amor não é uma experiência no tempo. O amor é real quando não há condições. O amor é real quando é incondicional; ele não se dirige às pessoas, não vê pessoas, não vê objetos. É algo fora do tempo, e não algo ligado às sensações. 

O ego está preso à sua história, só se apresenta com a sua história e nela ele conhece ódio e amor, paz e conflito (guerra), felicidade e infelicidade, escravidão e liberdade. Esta é toda a dualidade que a mente tem produzido. Estamos falando de uma paz diferente, a paz sem dualidade, do amor, da felicidade e da liberdade sem dualidade. Não é algo para "alguém", ou de "alguém". 

A Verdade de sua Natureza Essencial não é pessoal! Deus não é pessoal! Você não é uma pessoa! 

Eu acho que por hoje já basta. Até o nosso próximo encontro! Namastê! 

*fala transcrita a partir de um encontro online ocorrido na noite de 25 de Maio de 2016 - 
Encontros online todas às segundas, quartas e sextas às 22h - Participe!

Um comentário:

  1. Linda a fala. Gratidão, Mestre! Esses encontros online pelo paltalk são mto especiais.

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