quarta-feira, 29 de junho de 2016

A verdade está presente quando a mente não está



Sejam todos bem-vindos em mais esse momento, aqui pelo Paltalk. Momento de encontro com Aquilo que somos! 

Satsang é sempre um momento de investigação. Satsang é esse despertar de uma visão não dual da vida, não separatista, de uma visão natural. A visão natural é aquela onde não há dois, onde não existe essa ilusão do “eu” e do mundo. Isso soa bastante estranho, a princípio, para aqueles que chegam a esses encontros, mas é exatamente assim. Nesses encontros, nós constatamos a realidade de uma só Presença – essa Presença que somos, que contém todas as aparições.

Isso significa a libertação do mundo. Não é a “sua” libertação do mundo, mas a pura libertação. É o mundo livre de você, dessa ilusão de ser alguém. É a libertação da ilusão de ser alguém presente no mundo. Quando essa ilusão cai, o mundo está livre. Da mesma forma, acontece essa liberação aí também, essa liberação dessa ilusão de alguém presente nessa “experiência mundo”. Essa realização da Verdade sobre si mesmo é a libertação do mundo. A ilusão de estar no mundo como uma entidade presente cria essa separatividade entre você e o mundo, e, nessa separatividade, está todo conflito, todo sofrimento, toda miséria. Todo problema humano está basicamente nessa ideia de ser alguém. 

Existe somente a Vida! A Vida é a única Realidade! Essa única Realidade é a Vida e não há nada o que temer! Quando o sentido de separação termina, só resta a Vida.

A ilusão de uma entidade presente no mundo desaparece quando o mundo desaparece, quando essa identidade desaparece. Então, o mundo está livre! É quando você está livre, mas esse Você não carrega mais o sentido de um “eu” presente nessa experiência corpo-mente-mundo. Não se preocupe se isso soa estranho para você, a princípio. Aos poucos, vai ficando claro, até mais do que intelectualmente. Intelectualmente, isso não tem qualquer importância.

O que estou dizendo é que há uma Paz presente, uma Liberdade presente quando não existe mais essa ilusão da separação. Nós temos que voltar a esse simples e natural Estado de Ser!

Você nasceu para ser livre! Ser livre significa não carregar mais o peso dessa separatividade, as implicações dessa separatividade. Isso é só uma ilusão, algo que pode ser investigado e constatado. Isso se apresenta junto a esse sentido de um “eu” presente na experiência corpo-mente-mundo, como temos colocado sempre nesses encontros. 

É nesse momento que a Vida se revela... É nesse instante que a Vida se revela, exatamente como Ela é, sem qualquer ilusão. Toda ilusão está nesse movimento caótico, perturbado, complexo, difícil, desorientado, de pura imaginação que é a mente egoica. Essa mente que todos conhecem, dentro da qual todos fomos educados para viver. Assim, todo nosso modo de nos aproximarmos da Vida é dentro desse movimento. Mas a Verdade está presente quando a mente não está. 

Estamos juntos nisso?

Esse trabalho requer uma profunda honestidade, uma extraordinária entrega, mas nem todos estão dispostos a isso. Ser honesto consigo mesmo é uma coisa muito rara. Quando você não pode, ou não tem essa disposição de ser honesto consigo mesmo, você não consegue ir além dessa ilusão entre você e o mundo, além da ilusão de você presente nessa experiência com o outro. Isso é só uma ilusão, mas se ela se mantém, o conflito se mantém: você com o mundo, você com outro... Então, o outro sempre parece ser a causa de sua infelicidade, o mundo sempre parece ser a causa de sua infelicidade, de todos os seus problemas, enquanto que, na verdade, todos os seus problemas estão nessa ilusão. Isso não está do lado de fora! Isso é algo presente nessa ilusão, nessa interpretação que o pensamento dá àquilo que se apresenta, a todo esse extraordinário e misterioso movimento da Vida como ela se mostra, da Vida como Ela é! Então, o seu problema é você, não é o outro, não é o mundo, não é a vida; é essa ilusão de ser esse “você” que você acredita ser. 

Soa estranho demais isso?

Não há problema no mundo! O outro não é o seu problema! A vida não é o problema! Você é o problema! Você é o problema do mundo, o problema do outro e o problema da vida. A vida sem você não vai chorar, não vai ter nenhum problema. O mundo sem você não vai chorar, não vai sentir nenhuma falta. O outro sem você está sempre em paz. O outro sem você não é uma entidade separada. Quando ele o encontra, ele se vê como uma entidade separada, aí ele tem problema; mas se ele não o encontra, ele está em paz! É assim o mundo também!

Reparem que isso é diferente das nossas crenças. Nas nossas crenças, está tudo errado no mundo, não há nada errado dentro de nós mesmos, só o que o mundo tem provocado. Então, o mundo é o culpado, a vida é a culpada, o outro é o culpado. Tudo isso é parte dessa inconsciência, é o modo como esse mecanismo está configurado, como essa máquina está configurada – essa máquina humana, esse assim chamado ser humano, esse outro que é “alguém” quando o encontra, esse “você” que é “alguém” quando encontra o outro (o outro, a vida ou o mundo), nessa ilusão de que há dois. 

A Meditação é essa libertação! A Meditação, aqui, é o fim da dualidade, o fim dessa separatividade. É estar além do sentido do “eu”, do outro e do mundo. Meditação não é uma prática, uma técnica. Meditação é o Estado Natural do Ser, desse Ser que Você é, de sua Natureza Real. Isso está além da mente egoica, da mente separatista; está além dessa configuração. Por isso, é preciso ir além de todo esse condicionamento. É preciso um novo modo de sentir, de pensar, de se relacionar, de ser, de viver. É preciso viver, ser, se relacionar como Consciência, plenamente desperta, fora da dualidade, fora do sentido de separatividade, fora dessa necessidade do mundo, do corpo, da mente, do outro e da vida. Se Isso está presente, só fica a Vida, e não você nela. Esse é o ponto!

Participante: Mestre, uma coisa é ficar tentando mudar a programação dessa máquina, outra coisa é saltar para fora da programação da máquina, ir além de todo esse condicionamento. Isso é impossível apenas ouvindo falas ou fazendo leituras. Obrigado por mostrar isso tão claramente!

Mestre: Não há como realizar isso apenas ouvindo essas falas, assistindo vídeos ou lendo livros sobre isso. É necessário um poder muito maior do que o intelecto, do que a habilidade de entender palavras. Isso não é como aprender história! Aprender história significa decorar, ou até saber colocar nas próprias palavras aquilo que aprendeu (e aqui, aprender no sentindo de ter conhecimento). A Verdade não é um conhecimento! Você não pode aprender isso, você não pode decorar isso! 

Aqui, o ponto é ir além do que UCEM diz, do que a Bíblia diz, do que qualquer livro sagrado diz. Citar UCEM ou citar a Bíblia dá no mesmo, ou seja, isso não significa nada, de fato. É apenas conhecimento apreendido. É necessário ir além disso!

Participante: Mestre, como abandonar essa percepção egoica e essa racionalidade exacerbada, que são frutos de nossa sociedade moderna?

Mestre: Indo além dessa sociedade, indo além dessa racionalidade, indo além desse modo como o intelecto faz a leitura daquilo que percebe. Isso é possível em Satsang, que significa o encontro com O que É, o encontro com essa Realidade. Não existe uma técnica. Existe um modo desse processo se realizar, mas não há uma técnica! Essa sua pergunta é respondida diretamente em Satsang presencial, e não com palavras. É respondida nesse contato direto, dentro desse Silêncio. Um trabalho simples, mas não fácil. Eu lhe recomendo Satsang presencial (a você e a todos nessa sala).

Vamos ficar por aqui! Valeu pelo encontro!

Namastê!

*Transcrito de uma fala a partir de um encontro online ocorrido na noite de 08 de Junho de 2016 - encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h baixe o Paltalk e participe!

3 comentários:

  1. Sempre é o Mestre, sempre é o Guru.Se não houver alguém que nos diga, você é mais do que isto,estamos condenados a escuridão.
    E dizer, é apenas uma sementinha sendo plantada.Se vai florescer ou não,não depende daquele que ouve.
    Até mesmo o amor ao Guru não depende de nós.
    Estamos secos. A terra está árida.

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  2. Pode o Guru desistir?

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