terça-feira, 7 de junho de 2016

A Singular Beleza de Satsang




Quando falamos da Verdade, estamos tratando de algo muito simples, não estamos falando de algo estranho. É que a mente, por muito tempo, esteve envolvida apenas com seus próprios interesses, com aquilo que mais tem lhe interessado. Todos os seus interesses giram em torno da autoimportância, da arrogante vaidade da autoimportância, e então, fica muito complicado para todos nós. Nosso auto interesse nos afasta da simplicidade da Verdade - dessa Verdade que somos, dessa Verdade que é pura Sabedoria. 

Nesses encontros, não temos qualquer instrução sobre isso, simplesmente, porque não é possível sermos ensinados sobre isso. Essa é a singular beleza de Satsang. Não é um encontro de estudos, não é um encontro onde temos uma palestra tratando de um tema que, depois de ouvirmos, aprendemos e guardamos alguma coisa sobre aquilo. A Verdade não é assim, a Sabedoria não é assim, essa simplicidade de Ser não é assim. E aqui, nós estamos interessados nisso: todo nosso interesse está em Ser e não em aprender alguma coisa. Para aprendermos alguma coisa, precisamos de uma sala de aula, de uma escola, de um professor, alguém que domina uma matéria... E a Sabedoria não é assim! Ninguém pode dizer a você que sabe. Se alguém lhe disser que sabe, este alguém está mentindo para você. 

Isso permanecerá sempre desconhecido. Isso é algo vivo, e tudo aquilo que é vivo, é novo, tem o frescor da mobilidade, não se enquadra em estruturas fixas, não se pode enquadrá-lo. A Sabedoria é essa Verdade que se encontra nessa simplicidade de Ser, portanto não se trata de um conhecimento aprendido. Isso é como a habilidade carregada de uma grande sensibilidade em ouvir uma bela música ou apreciar um belo quadro. Isso precisa estar presente momento a momento, como uma questão de sensibilidade, acuidade, percepção. A Verdade, a Sabedoria, a Vida é algo assim. 

Aqui, estamos interessados nesse despertar da Sabedoria, e a Sabedoria desperta quando o Sábio desperta. O Sábio é essa sensibilidade a Isso que permanece sempre desconhecido, a esse misterioso movimento - o movimento da Vida. Isso, basicamente, é possível quando Deus é possível, quando a Consciência é possível, quando a Verdade é possível. 

É por isso que você entra nessa sala. É por isso que você está aqui. Há algo que o atrai para este espaço. Essa sala se chama Satsang, e Satsang é Silêncio, que é Meditação, que é Consciência, que é Presença. Aquilo que o atrai é isso mesmo que você É. Sua procura, não é uma procura por algo estranho, mas por algo natural e simples, algo presente. É que a mente o desviou você disso. Ela se tornou o que tem se tornado ao longo de toda história humana – algo muito complexo. 

Esse convite que eu tenho para você é um convite a esse mergulho para dentro de si mesmo. Se você mergulha dentro de si mesmo, você encontra “algo” e desaparece nisso – esse “algo” fica e você desaparece. Nós temos expressões como: “Eu estou triste”, “Eu estou alegre”, “Eu estou cansado”, “Eu estou infeliz”. Mas nunca investigamos que “eu” é esse. Quem é este eu triste? Quem é este eu alegre? Quem é este “eu” aborrecido? Quem é este “eu” infeliz? 

E quando há este encontro consigo mesmo, aí dentro, profundamente, este senso de “eu” desaparece. Nesse encontro, você desaparece. E quando você desaparece, essas experiências como triste, alegre, cansado, infeliz, sofredor, pecador, tudo isso também desaparece. Enquanto este encontro não se realiza, você continuará sempre usando expressões como: “Eu estou triste”, “Eu estou alegre”, “Eu estou preocupado”, “Eu estou infeliz”, “Eu estou doente”. Escute isso: neste encontro, não existe o “eu”, só há Deus. 

Deus é essa Consciência, é essa Presença impessoal de sua Real Natureza, que é a sua real identidade. Quando acontece este encontro, esta ilusão do “eu infeliz” cai, porque você é Deus! O “eu pecador” cai, porque você é Deus. Deus não se deprime, Deus não é infeliz, miserável, pecador, sofredor... Deus é essa Consciência que é Você em sua Real Natureza. 

Esse encontro está além dessas definições, dessas experiências pessoais, dessa ideia de ser alguém. É só nessa ideia de ser alguém que essas experiências estão acontecendo, é só para a ideia de pessoa que toda infelicidade, toda doença, toda ideia de nascer e morrer estão acontecendo. Maluco isso? Estranho demais? Como soa isso para você? 

Eu estou lhe apontando algo além de todas as coisas, portanto não é um “algo”, é mais um “aquilo”. Estou lhe apontando Aquilo que você É. Aquilo que você é livre do medo, livre do desejo, livre das escolhas, livre da saúde e da doença, livre do nascer e do morrer, livre da santidade ou da pecaminosidade, livre dessa insanidade ou dessa sanidade humana. Estamos falando de uma sanidade divina, estamos falando de um Deus curado, de um Deus restabelecido, de um Deus assumido, de um Deus que é o Uno. Este Uno é o único eu, o eu real, o Único que pode dizer Eu sou, além de toda ideia do eu sou. 

Por isso, eu comecei a fala dizendo que é algo simples. Quando digo algo simples, não estou dizendo que é algo fácil para este movimento caótico, conturbado, complexo e difícil que é o movimento da mente egoica. Estou dizendo que é algo natural. É natural quando não há essa valorização de toda a identificação que vocês estão tendo com este movimento do pensamento, com o movimento das crenças - essa coisa de gostar, não gostar, essa coisa que faz você se sentir magoado, chateado, ferido, com raiva. E, enquanto você continuar alimentando isso - essa postura ilusória de uma suposta identidade presente agora, aqui, com o outro, com a outra, com isso ou aquilo, com a vida - enquanto você mantiver isso, enquanto você mantiver essa ilusão, enquanto isso se mantiver aí, você não sabe do que estou falando. 

Estou falando desse encontro que acontece nesse mergulho para além do tempo e do espaço, para além dessa ilusória e suposta identidade que está aí falando, comendo, sorrindo, chorando, vivendo uma vida de relacionamentos, de relações com tudo à sua volta. 

Você nasceu para ser livre, para ser feliz, para ser a Verdade! Esse momento é um momento de despertar, é um momento de assumir isso. 

Um Deus que volta do exílio, um Deus curado, um Deus que assume sua deidade, um Deus que acorda. Nada como este momento,  porque este é o único momento possível para você. Alguns esperam isso como um projeto, algo para se realizar no futuro. Você não tem futuro! Futuro é só mais uma ideia, é só mais um pensamento. Tudo o que você tem do almoço de hoje aí dentro da sua cabeça, todas essas lembranças, são apenas imaginações. Não há nenhum almoço acontecendo nesse instante, só a imaginação. Alguns aguardam o despertar assim como imaginam um projeto - algo realizado no futuro. Mas o que você tem do futuro é só uma imaginação neste presente momento. 

Se há alguma verdade presente, é a verdade desse instante, deste momento, e este é o momento do despertar. É agora que você tem que morrer. Morrer para toda essa manifestação fantasiosa dessa ilusória identidade reivindicando direitos, buscando preenchimento, e agindo desse modo estúpido e sem sentido. Você faz isso morrendo, se permitindo morrer para essa ilusão que são esses pensamentos, esses sentimentos, essas emoções, essas crenças, essas imagens que você tem de si mesmo, que você tem do outro, que você tem do que está acontecendo à sua volta, dessas interpretações que a mente dá, fazendo daquilo que está acontecendo à sua volta algo muito hostil, e fazendo de você um coitadinho, a vítima, a que precisa ser compreendida... É dessa mediocridade, dessa estupidez que estamos falando, é disso que você precisa se libertar, soltar, se libertar, imediatamente, agora. 

Meu convite é o convite à Felicidade. E a Felicidade é possível quando o ego não está. Quando seu olhar é um olhar livre de imagens, ele não desfigura a visão, ele não colore, não altera, não adultera nada. Isso é viver com Sabedoria. Isso é simples porque isso é natural. Mas é um simples e natural possível quando você desaprende tudo isso - todo esse modo de ser, sentir, pensar, agir, baseado nessa base ilusória, nessa base de um eu presente, de um mim, dessa pessoa que eu acredito ser. 

Você não pode saber o que é essa autorrealização, porque você já é Isso. Você não pode saber o que é Isso conhecendo Isso. Você sabe o que é Isso assumindo Isso. Colocando de outra forma: você pode saber o que Isso não é. Se você olhar para sua vida, você verá o que Isso não é. Então, se livre dessa assim chamada “sua vida", pois assim, você elimina tudo isso. Se você elimina toda essa confusão, o que é deixado é essa Realização. 

Vamos ficar por aqui? Valeu pelo encontro dessa noite! Namastê! Até o nosso próximo encontro. 

*Trecho transcrito a partir de um encontro online ocorrido na noite de 06 de Junho de 2016
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h baixe o Paltalk e participe! 

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