segunda-feira, 23 de maio de 2016

Você Nasceu para Ser Livre - Satsang




Você nasceu para ser livre! Absolutamente, inegavelmente, irrefutavelmente, incondicionalmente livre. E essa Liberdade é a única realidade para você, a única coisa real para você. Nada menos que isso vai lhe deixar confortável, vai ter algum significado para você.

Essa estrutura que mantém o sentido de separação – onde "você" aparece dentro de um cenário, onde há lugares pessoas e coisas – é uma estrutura ilusória. Todo sentimento e pensamento de inadequação, de insatisfação, de limitação, de prisão, precisa desaparecer. Os pensamentos em sua cabeça estão girando em torno dessa estrutura. Todo e qualquer pensamento aí está representando um lugar, um objeto com uma forma e um nome, e uma pessoa. Pensamento gira em torno de imagens. Essas imagens estão dando voltas, e são pensamentos girando nessa estrutura de separatividade  uma coisa produzida pelo pensamento, imaginada pelo pensamento. 

É necessário romper com essa estrutura, se desfazer dessa estrutura. É necessário abandonar todas as imagens: se ver em um espaço – que é um lugar – desfrutando de um objeto ou sendo acolhido num relacionamento com pessoas; essa forte necessidade de estar dentro de um contexto, dentro de uma estrutura criada pelo pensamento, aquilo que nós conhecemos por sociedade ou mundo. Tudo isso está dentro dessa estrutura, é essa estrutura. E nós nos separamos disso, quando nos vemos também como uma entidade presente nessa vivência, nesse modo de atuar, nesse modo de pensar e de sentir. Aqui está essa estrutura ilusória, na qual esse "eu" se assenta.

Essas aparições não criam, necessariamente, um apreciador delas. Esse apreciador que se relaciona com essas aparições não se faz necessário. E esse apreciador não é, necessariamente, criado por essas aparições. No entanto, quando essas aparições surgem, surge a ilusão da necessidade de um apreciador, de um "eu" se relacionando com essa experiência de lugares, coisas e pessoas... Aqui, estão incluídos todos os lugares, todos os objetos, tudo aquilo que tem nome e forma, e todas as pessoas, com as quais você, na ilusão de "ser alguém", está em contato, está numa apreciação.

Não existe esse elemento que aprecia as aparições. Não existem essas aparições como algo separado desse elemento. É algo que, como uma mágica divina, aparece junto: aquilo que é visto e aquele que vê; aquilo que é observado e aquilo que observa; eu e o não eu. O outro, aqui, pode ser uma cidade, ou pode ser a sala de estar, ou a sala de jantar da sua casa. Esse outro pode ser um objeto como uma caneta, uma folha de papel, ou um carro, ou um cenário. Esse outro pode ser aquilo que você chama de filho, ou de namorado. Essa estrutura é ilusória. Eu não digo a aparição em si. A aparição em si é uma aparição que não se separa dessa "Coisa", que não tem nome, que aqui eu poderia chamar de Consciência. Estamos apenas diante de experiências sensoriais. Nós temos o tato, o olfato, a visão, a audição, o paladar, mas essa própria experiência não se separa do corpo em sua experimentação. Mas o corpo também é um objeto. Quando você aprecia o corpo, como objeto separado, você se vê dentro dele.

Estamos, constantemente, lidando com uma fantasia, com uma imaginação. Não há "alguém", agora, aí me ouvindo. Não há "alguém" aqui falando. Essa única manifestação é só uma aparição fenomênica, que o pensamento traduz como uma experiência pessoal.

Você relaxa em seu Ser e se reconhece em sua Natureza Real, nessa Liberdade incondicional, quando não há mais essa estrutura. Esse é o Estado sem ego. Naturalmente, quando não há separação, não há conflito. Se não há conflito, não há sofrimento. Quando não há separação, não há medo. O medo precisa de um experimentador, de um observador, de um imaginador; precisa desse senso de um "eu".

A Vida é essa Liberdade e ela está acontecendo sem "você" dentro dela. Você permanece anterior a todas as experiências. Você permanece anterior a toda essa estrutura, onde o mundo, o corpo e a mente aparecem nessa ilusão como coisas distintas e separadas. Você permanece anterior a tudo isso. Estamos falando a partir dessa Realidade Absoluta, não a partir de um ponto de vista relativo. Dentro de um ponto de vista relativo, "a experiência e o mundo" é razoável, mas a partir do Absoluto não há nenhum ponto de vista. Então, não existe uma experiência, ou melhor, só existe essa única experiência, que é a Consciência, que é o Absoluto, que é essa incondicional Liberdade. Na Índia, eles chamam de Sat-Chit-Ananda. Eu falo desse seu Estado Natural  a Única Realidade, que sustenta todas as aparições, e não reivindica, não reclama um experimentador dentro disso, um observador para observar essas aparições, um apreciador para essas aparições. O velho e antigo hábito do pensamento é se mover nessa antiga, repetitiva e complicada estrutura – a estrutura que mantém esse sentido de separatividade. 

Você está aqui para realizar Isso! Nada mais! Tudo que está acontecendo, aconteceu e acontecerá não é assunto seu! Esse mecanismo aí, esse corpo-mente que você chama de "meu corpo", pode estar envolvido nessa Coisa, mas não é assunto seu; é assunto da Natureza. É um assunto dessa única Consciência, que não é "você" sendo "alguém". No entanto, é Você sendo o Todo e o Nada. Isso se torna fundamental: abandonar o ponto de vista relativo, no qual essa estrutura está se expressando, aparecendo e sendo importante.

Agora, aqui, nesse instante, quem é você? Quem somos nós? Quem somos nós agora, aqui?

Em seu Ser, permaneça livre de pensamentos! Se não tem pensamentos, não tem imagens! Se não tem imagens, não tem coisas, lugares, pessoas... E o que permanece? Esse Espaço! Apenas 10 segundos, apenas 5 segundos sem pensamentos, sem palavras, sem imagens, sem espaço, sem tempo; apenas 3 segundos sem história. Aí está o colapso dessa estrutura... uma estrutura construída pelo pensamento.

Compreendem isso? Para onde estamos apontando?

É quando fica o olhar, o ouvir, esse sentir da temperatura do ambiente. É quando o corpo responde sensorialmente àquilo que lhe é solicitado, mas sem uma interpretação do pensamento. Não há tempo... Não há espaço... Não há "eu" e o mundo – um "eu", dentro do corpo, na experimentação de um mundo através do corpo. Então, aqui permanece Você, agora, como esta Liberdade, como esta incondicional Liberdade!

Então, a Paz, o Amor, a Felicidade, não é algo que pode ser encontrado dentro dessa estrutura. Ela está presente quando essa estrutura entra em colapso. A Felicidade, o Amor, a Paz é essa Liberdade incondicional, é a Vida! Ou o nome que você queira dar para ISSO, pois não tem nome, mesmo. Chame de Deus! Realização de Deus! Sua Natureza Real! Você, antes de nascer. Você, depois que o corpo desaparece. Você, sem corpo, sem mente, agora, já, aqui!


*Transcrito a partir de um vídeo de um encontro presencial no Ramanashram Gualberto em Campos do Jordão - SP Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22
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