quarta-feira, 18 de maio de 2016

Toda limitação está dentro da própria mente




 
Sejam bem-vindos a mais este momento pelo Paltalk, onde nos voltamos mais uma vez para ISSO. Esses encontros são chamados de Satsang, que é uma palavra indiana que significa "encontro com a Verdade", encontro com essa Única Realidade. Essa Única Realidade não tem nome; podemos chamar de Isso, de Aquilo, Consciência, Presença, Verdade, Deus...

O que tenho dito constantemente nestas falas é que você está fazendo, de uma forma equivocada, uma sobreposição a essa Única Realidade, uma sobreposição de limitação – que são as limitações da mente. É uma sobreposição a essa Realidade, à Consciência, à Presença, à Verdade, a Deus. A verdade é que a mente é limitada. Toda limitação está dentro da própria mente, é o próprio movimento dela. Toda limitação que você conhece é a limitação do conhecido, e o conhecido está na mente. A mente é o conhecido. A mente é a limitação, é essa sobreposição a essa Realidade ilimitada, indescritível, inominável.

A experiência do conhecido é a experiência da mente, que é limitada. A mente se sobrepõe a essa Única Realidade – que é Você – e tenta se passar por Você, em sua limitação, movendo-se no campo do conhecido, no qual todas as experiências acontecem e são traduzidas, interpretadas, planejadas, forjadas pelo pensamento. O conjunto de pensamentos é o que nós chamaríamos de mente. A mente nada mais é do que o conjunto de imagens, pensamentos, memórias, lembranças, ideias, crenças. Você acredita em um elemento presente nesta limitação, que não faz parte desta limitação, e poderia chamar esse elemento de a "Presença Divina em nós", "Deus em nós", a "Verdade em nós". Mas isso, também, é parte do pensamento, parte dessa limitação, e isso ainda é uma crença.

Fala-se muito no guru interno, o que é a mesma coisa: o guru interno, também, é só uma crença; é só mais um pensamento. Se não fica claro que essa Única Realidade – que é esse espaço intocável, imutável, não limitado, não circunstancial – é a sua Real Natureza Divina, falar de guru interno ou guru externo é uma grande bobagem, é só mais uma crença; falar de Deus dentro é só mais uma crença. Aquilo que é teórico, conceitual, verbal, está sempre dentro do conhecido. A Verdade não é nominável, não é conceitual, não é verbal, não é uma crença!

Nosso convite para você, em Satsang, é para a vivência direta dessa Única Realidade, e não a vivência de “alguém”. Essa Única Realidade, em sua vivência direta, não é conceitual.

Eu quero lhe fazer uma sugestão: vá além dessa sobreposição, dessas limitações que a mente tem produzido; vá além disso. Ir além disso significa Consciência, Presença, Meditação. Então, é possível uma direta constatação dessa Única Realidade, desse imensurável espaço, Daquilo que não pode ser tocado pelo pensamento, definido pelo conhecimento, formulado por ideias. Podemos dar muitos nomes a essa Única Realidade, mas o nome também não é a Coisa em si.

Estamos falando de algo íntimo, inato; algo como sua Natureza Verdadeira. Mas você não vai constatar Isso na mente. É necessário um trabalho real nessa direção, um trabalho que pode representar uma vida inteira, no qual você conhecerá muitas mortes. Você não precisa morrer muitas vezes, mas precisa conhecer muitas mortes; precisa, em uma única vida, conhecer muitas mortes. É disso que estamos tratando em Satsang. É necessário que desapareça esse sentido de "pessoa", de dualidade, de separação, aquilo que sustenta e é a base do medo, de todo o sofrimento, de toda a ilusão.

Você nasceu para realizar essa Única Realidade atemporal, indescritível. Já deram vários nomes para essa Única Realidade. Você nasceu para realizar, nessa Liberdade, a Felicidade desse Amor, que é Consciência, que é Presença, que é Deus, que é Beatitude, que é Silêncio. Isso que tem muitos nomes e não tem nenhum nome.

O que eu estou dizendo sempre nestes encontros é que o despertar dessa Única Realidade é pura sabedoria. Não há miséria, não há sofrimento e não há medo no Sábio – aquele que realizou sua Real Natureza. Realizar a sua Real Natureza é constatar o seu Estado Natural, que é Amor, que é Felicidade, que é Paz. Isso significa ausência do ego, desse sentido do "mim", do "eu", da "pessoa", com todas as implicações disso: inveja, ansiedade, medo, desejos, e todo esse tipo de coisa que vocês conhecem muito bem; não conhecem?

Enquanto a "pessoa" estiver presente, o seu mundo estará presente. Esse “seu mundo” é uma expressão, uma projeção dessa própria ilusão – a ilusão de um sentido pessoal. Minha proposta é que, nesta única vida, você conheça todas as mortes, para não mais ter que morrer.

Não há duas realidades: você e o mundo. Não há três realidades: você, o mundo e Deus. Tudo, absolutamente tudo, é parte dessa mesma totalidade inseparável, inominável, indescritível: a menor de todas as coisas e a maior delas; o mais importante personagem do filme e o mais insignificante; o produtor, o diretor, os câmeras, aqueles que são responsáveis pelo som, a iluminação... Absolutamente tudo é essa mesma realidade, que é essa Única Realidade.

Satsang é um convite a uma profunda investigação da sua própria experiência, para essa constatação de que não há nenhuma separação. Essa separação, ou esse sentido de separação, é uma ilusão. Nesse sentido de separação, o conflito, o medo, todo desespero e sofrimento estão presentes. Não há nada disso em sua Real Natureza. Seu Ser não está separado das aparições que Nele aparecem. É a mente, aí, que produz essa ilusão. Tudo o que a mente conhece é essa ilusão. Você não está realmente limitado, localizado em um lugar. O corpo aparece em um lugar e a mente pode aparecer em muitos lugares. Na imaginação, o seu corpo está aqui e a mente está vagando; pode estar em outro estado, em outro país ou até no passado, dois anos atrás ou no futuro, daqui a cinco anos. Tudo isso é só imaginação: o corpo num lugar e a mente em outro lugar.

Você não está localizado nisso – nem na mente, nem no corpo – e essa é toda a dificuldade. Por muito tempo, tudo o que a mente conheceu nessa sua limitação, como parte de sua limitação, foi a crença de uma existência separada – e isso, claro, se passando por Você. É isso que tem que morrer, descobrir muitas mortes. É apenas o pensamento que faz essa sobreposição. Então, se você continuar insistindo em confiar em pensamentos, a ilusão continuará. Se desidentifique deles!

Pensamentos não acontecem "como você", mas acontecem Naquilo que Você é. Assim é a experiência do corpo e do mundo. É isso!

Vamos ficar por aqui? Namastê!

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 9 de Maio de 2016
Encontros todas as segundas, quartas e sextas-feiras! Baixe o Paltalk e participe! 

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