quinta-feira, 5 de maio de 2016

Sem um foco total, não é possível o Despertar!





Mais uma vez nos voltamos para este momento. Mais uma vez nos colocamos disponíveis a este momento. Este momento é o único momento. É o momento da investigação, é o momento dessa Consciência, onde se abre este espaço de pura percepção. Quando todo o seu ser é isso, então isso é Meditação. É um momento de Consciência, de Presença, de Percepção.

Notem que não estamos falando da presença de um agente nessa coisa. A Percepção, a Consciência, a Presença, não é a presença de alguém, não é a presença de um autor, é a Consciência nela mesma, é a Meditação nela mesma, é essa Presença nela mesma. Nessas investigações, a única coisa que importa é Aquilo que constata, Aquilo que presencia. Aquilo que constata é onde a constatação acontece; Aquilo que presencia é onde esta Presença acontece. Portanto, não estamos falando de alguém nisso, não estamos falando de um agente presente nisso, estamos descartando completamente esta crença.

Estamos enfatizando essa Realidade presente, essa Realidade impessoal, essa Realidade sem um autor, sem um agente, sem alguém que fala e alguém que escuta. Estamos tratando dessa impessoalidade. A única Realidade é essa impessoalidade. Estamos falando daquilo que você verdadeiramente é, daquilo que percebe todos os fenômenos passando. Aqui, a arte da Liberdade, a arte da Realização, é assumir essa realidade. Tudo o mais é um grande filme. Tudo o mais é só uma novela, é só um seriado de TV. Não se confundir com isso, não se perturbar em meio a tudo isso, não confiar nisso como sendo real, é do que estamos tratando. Se nós fizermos uma exploração real, verdadeira — o que nós chamamos de investigação — nós vamos chegar a essa Percepção, a essa Presença, a essa Meditação, a essa Realidade.

Portanto, aqui se trata de desconsiderar, literalmente, todo e qualquer pensamento como sendo real e separado dessa única Realidade, sendo real  como um autor, como uma entidade responsável, como o substrato. O pensamento é só um fenômeno. Ele possui somente esta realidade — a realidade do fenômeno. Então, aquilo que dá identidade, aquilo que dá credibilidade a essa entidade, não é real; e não é real essa entidade. Portanto, o pensamento aparece como sendo o pensador, e isso é só um fenômeno. Aqui, a questão é fazer disso uma verdade, que é o que você faz quando assim imagina. Dessa forma, isso passa a ser a verdade da mente, a verdade da ilusão. 

Talvez, desconsiderar os pensamentos não seja tão simples. No entanto, essa é a única possibilidade de ir além deles. Não é nada simples porque, durante muito tempo, você vem considerando o pensamento como sendo a verdade para esse suposto pensador que você acredita ser. Em razão disso, talvez não seja tão simples. É muito tempo nisso, muito investimento nessa ilusão de ser alguém. Porém, não há outra forma. É preciso devoção à Verdade! Entrega! Uma completa entrega à Verdade!

Precisamos de toda a nossa atenção diretamente aplicada nisso. Simplesmente estar com esta Presença... Estar com esta Consciência e estar nesta Consciência. É isso que eu considero desconsiderar o pensamento. Isso é Meditação! É aqui que entra a ação da própria Consciência, a ação da própria Presença, que é Graça. É a Graça Divina tornando isso possível. Somente por uma ação dessa Graça é possível ir além do pensamento. O pensamento não vai além dele próprio. 

Este momento é um momento assim. É um momento de se desabituar de viver na mente, de viver identificado com essa ilusão do “eu”. Este momento chama-se Satsang. Por isso que eu tenho dito que Satsang é Meditação. Você não separa Satsang, que significa “encontro com o que é”, da própria Meditação, que é Presença, que é Consciência. Agora mesmo, neste momento, você tem essa Graça, a Graça Divina, a Graça da Presença, a Graça de Deus. Por isso, estar com aquele que está assentado nesse Estado é fundamental, como estamos fazendo agora, aqui. Quando você está em Satsang com um Mestre vivo, está diante da Graça, está nessa Graça, nessa Presença, na facilitação desse Silêncio. Portanto, eu o convido a, simplesmente, permanecer com essa Presença. 

Este momento é um momento muito precioso, porque é o único momento. É o momento da realidade, o momento desse esvaziamento completo de todo conteúdo da mente, da mente em seu conteúdo. Não há muito o que dizer. Não é preciso dizer muito, pois tudo já está sendo dito nessa Presença, nessa Consciência, neste Silêncio, que é meditação, que é autoinvestigação, que é devoção. Reparem que nada disso aparece de uma forma separada. A autoinvestigação só é possível nessa devoção à Verdade, que é entrega, que é Meditação, que é Consciência, que é Presença.

Portanto, é uma questão de sentir diretamente, mergulhar diretamente. Quando estamos nessa disposição, nessa profunda exploração, nessa imersão, nessa devoção à Verdade, não encontramos nenhuma separação. Toda noção de mundo, objeto, corpo, mente, desaparece, quer você esteja de olhos fechados ou abertos. Neste “ouvir”, é só o “ouvir”; neste “falar”, é só o “falar”. De olhos fechados, presenciando qualquer pensamento aparecendo, sem qualquer importância, e de olhos abertos vendo qualquer imagem diante de seus olhos. Não há nenhuma separação. São apenas expressões dessa única Consciência, dessa única Presença.

Participante: Naturalmente, tendemos a gerar uma expectativa quanto à Realização. Manter esse foco também é identificação? Confunde nosso trabalho?

Mestre Gualberto: A primeira coisa aqui é: você não precisa manter qualquer expectativa quanto a esta Realização. Isso é algo inútil. No entanto, é fundamental manter esse foco. Você precisa manter o foco nesse trabalho do Despertar. Total foco! Sem um foco total, não é possível o Despertar, mas toda e qualquer expectativa é algo completamente inútil. A questão é saber também o que significa estar nesse foco. Se você está distante de um Mestre vivo, distante de um trabalho presencial, você não faz ideia do que estou falando, não faz ideia sobre o que é estar nesse foco. Então, tudo o que a mente pode fazer é criar uma expectativa, e essa expectativa é somente a imaginação de um trabalho de Realização, algo completamente inútil. Sem estar diante de um Mestre vivo, você não tem ideia do que significa estar focado, do que é estar em um trabalho real. É muito fácil se perder, mesmo quando estamos dentro de um trabalho, diante de um Mestre vivo. A coisa mais fácil que existe é o foco desaparecer, é essa entrega desaparecer. Então, não importa a quantidade de expectativas que se crie em torno disso, são meras imaginações.

Vamos ficar por aqui? Valeu pelo encontro! Até o próximo!


*Fala transcrita a partir de um encontro online na noite de 29 de Abril de 2016
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Via paltalk - Participe! 

2 comentários:

  1. Otimo texto! com qual sabio vivo o mestre marcos teve contato?

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    1. Olá Willian! Nosso blog assim como nossas publicações em redes sociais são realizados por nossa Sangha. Perguntas podem ser feitas diretamente o Mestre em nossos encontros online via Paltalk que acontecem às segundas, quartas e sextas às 22h ou em nossos encontros presenciais. Grato por seu comentário!

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