sexta-feira, 13 de maio de 2016

Liberte o mundo dessa inconsciência


PALTALK 04/05/16
PARTICIPANTE: Lendo as transcrições no blog, vi que em uma delas você explica que até os 6 meses, 1 ano, 2 anos, ainda estamos “na consciência”, quando, então, começa o processo de identificação, e que, depois disso, em alguns, ocorre a iluminação. Você poderia comentar sobre esse processo todo e dizer qual é a nossa natureza — se é a da consciência no início da infância ou a da iluminação?
MESTRE GUALBERTO: Você não compreendeu bem isso. Essa identificação fica mais clara depois dessa idade, mas esta inconsciência já está lá antes disso.
PARTICIPANTE: A inconsciência já está presente desde o início do nascimento?
MESTRE GUALBERTO: Todos nascem dormindo. Este trabalho é um trabalho que sinaliza a importância do Despertar. Antes disso, tudo que prevalece é o sono. O sono é essa inconsciência que se mostra, claramente, nessa identificação que o ser humano tem com a imaginação.
A imaginação é o formato que o pensamento assume, e ele está o tempo todo assumindo essa forma, com a qual este assim chamado ser humano se identifica. Aqui, se identificar significa se confundir, se perder nisso. Este é o estado ordinário, é o estado comum, é o estado conhecido, é a mente em seu próprio movimento. Todo nosso interesse nesses encontros é tratarmos com você sobre essa grande e importante tarefa de ir além dessa imaginação, além desse movimento desordenado, caótico, tresloucado e miserável, profundamente perturbado, que é este movimento do pensamento.
Você nasce assim, e a partir de uma certa idade isso fica muito mais explícito. Vai ficando cada vez mais claro. Depois você cresce e isso se mantém. Na realidade, para quem está à sua volta, parece que piorou, mas é curioso, porque é uma piora que todos aceitam como algo natural, pois este é o modelo, este é o padrão.
Toda referência que você tem da sociedade à sua volta é a referência do conflito, do sofrimento e do medo. Claro, com alguns raros momentos de alegria e satisfação de cunho pessoal, que logo se deterioram, também, e se perdem de novo nessa mesma e velha confusão. O estado é de sono geral, mas um sono sonambúlico, uma espécie de hipnose coletiva. É isso que nós chamamos de inconsciência.
Esse estado, que temos por natural, é só o estado comum. O estado que temos como real, esse que todos experimentam no estado de vigília, é só uma forma de sono. Neste sono, neste estado de vigília, a mente acredita estar lúcida e ser inteligente, porque pode calcular a distância entre a Terra e o sol, construir bombas e aviões, além de criar grandes recursos fazendo uso da ciência e da tecnologia. Mas tudo isso, de fato, está acontecendo nesse estado de inconsciência vigil — uma vigília de sono. É isso que todos conhecem. Seus pais conheceram isso, seus avós também, e você, mais uma vez, repete o mesmo programa, o mesmo modelo; seus filhos também; e, se você tem netos, eles também. A não ser que esse sono termine, esse sono da vigília nessa inconsciência termine, o mundo continuará da mesma forma.
Eu estou propondo que você liberte o mundo dessa inconsciência. Você liberta o mundo deixando essa inconsciência que tem produzido este mundo. À noite, quando você sonha, você está num sonho privado e particular, e, quando acorda de manhã, percebe que era só um sonho aquele mundo, onde havia todo tipo de coisa acontecendo, com pessoas e lugares. Assim, esse "seu mundo", nessa inconsciência, nesse assim chamado mundo de vigília, que é esse estado de hipnose, é um mundo completamente privado. Você liberta esse mundo quando você o solta, quando vai além dessa inconsciência.
Nós, de fato, não estamos experimentando o nascimento e a morte de outros, estamos na imaginação do nascimento e morte de outros. Nós não estamos experimentando qualquer coisa, a não ser aparições e desaparições de meras percepções, que são projeções da própria mente interpretando o que está acontecendo.
Então, essas experiências, que aparecem como aparições e desaparições, são apenas percepções que a mente interpreta como nascimento e morte de outros, mas essa substância Real, a essencial substância dessas percepções, não aparece e não desaparece; é algo sempre presente, é o nosso próprio Ser, é a Presença, é a Consciência. Assim, nosso convite é a ISSO. É somente o pensamento que concebe, o tempo todo, uma multiplicidade, uma diversidade de coisas. E ISSO está sempre agora, aqui. Existe somente ISSO, sempre presente agora. Não é algo que exista sempre, é algo presente agora, no Silêncio desse Estado de pura Consciência, de pura Presença.
O que mais podemos dizer sobre ISSO? Podemos dizer que ou ISSO é vivencial, ou uma mera teoria. Como uma teoria, é só mais uma crença. A crença não muda nada, pois é só mais uma ideia no campo do intelecto. Portanto, é fundamental essa vivência direta. A direta vivência é essa “Coisa”. A vivência direta é aquela que não depende de conceitos, de ideias, de pensamentos e de crenças; significa estar além de todo conhecimento, que são conceitos, ideias e crenças. Nossos conceitos, ideias e crenças, que são os nossos conhecimentos, são conhecimentos da mente. E é curioso, porque os conhecimentos da mente e do corpo ainda são pensamentos, imagens, sensações, percepções, crenças, conceitos, fazendo, ainda,  parte da própria mente.
PARTICIPANTE: Essa vivência direta é só o fechamento da conta (ausência completa de ego), ou nós podemos ter fagulhas disso?
MESTRE GUALBERTO: Você coloca esse “fechamento da conta” como algo acontecendo no futuro, e acabei de colocar agora que isso é algo sempre presente, neste momento. Isso é agora ou nunca! O tempo é apenas uma construção mental; o futuro é apenas uma construção mental. Paradoxalmente, isso continua apenas como um conceito, uma ideia; é só uma imaginação também, é só uma crença. Relaxe quanto a isso. O seu trabalho é constatar o que você pode constatar neste instante, porque você só tem este instante para constatar isso. Pode ser este instante em dois minutos, mas isso não é o futuro, é sempre este instante. Soa muito paradoxal, mas é assim mesmo. O tempo é simplesmente uma construção mental imaginada pelo pensamento. Esqueça o tempo.
A dificuldade é quando você pega essas respostas e faz delas uma fórmula, transformando-as na solução de uma questão de prova, ou num mantra. Hoje, um de vocês me escreveu algo parecido, com um mantra que está praticando. Eu nunca passei para vocês afirmações, palavras para serem repetidas, mas a mente constrói isso com muita rapidez. Tudo, absolutamente tudo, está agora e aqui. Quando eu falo agora, não é do “agora”, deste momento do tempo, porque o tempo é essa construção do pensamento. Estou falando dessa sempre presente Presença Agora, que é Consciência, e ISSO está exatamente fora do tempo, fora desse “agora” do tempo. O que vocês vão fazer com uma resposta dessa, eu não sei. Apenas escute isso e relaxe.
Bem, vamos ficar por aqui neste encontro de hoje. Até o próximo encontro.
Namastê!








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