terça-feira, 5 de abril de 2016

Uma sagrada armadilha divina



Isso é algo que pode nos soar desagradável – e até assustador – quando colocado dessa forma, mas não existe nada mais perigoso, para esse padrão de condicionamento que nós temos, do que estar em Satsang. Satsang é uma verdadeira armadilha para mente.  

Você sempre é atraído para Satsang. Você não é atraído por uma divulgação, você é atraído pela própria Presença dessa Graça, que é Aquilo que de fato você já É – você só não sabe disso, pois tudo o que você tem acerca de si próprio é aquilo que a mente tem contado. 

Então, quando você vem a Satsang, atraído por essa Presença – e isso pode soar assustador e desagradável – a mente cai numa armadilha na qual ela é desconstruída, é desmontada, é vista. E quando é vista, ela desaparece: toda essa programação, esse condicionamento, essa maneira de se portar, de se comportar, de viver identificado com o sentido de autoria, de alguém presente, envolvido na ação, ou na não ação, no que aconteceu, ou não aconteceu, no que acontece ou não acontece... A mente  desaparece em Satsang. 

Satsang é mortal para esse sentido de "alguém", é mortal para a mente. É o fim dessa ilusão, da ilusão de "alguém" como autor. 

Quando você nasce, você tem uma programação genética e, logo nos primeiros anos, você recebe uma programação psicológica. Quando eu digo “você”, eu digo esse organismo corpo/mente. E você cresce, e essa programação psicológica se desenvolve, se manifesta com essa mente pesada, com esse sentido de identidade. Você logo identifica um nome como sendo "você", bem como o corpo e toda a história mental que surge nesse organismo. E, então, quando se depara com Satsang, quando se encontra realmente com Aquilo que você É, a mente se desfaz. 

O Satsang é um encontro consigo próprio, com Aquilo que você É, e Isso que você É não tem e não pode receber programação, está além do corpo e da mente, não nasce e não morre.  

Tudo aquilo que nós temos em Satsang é uma real constatação de nossa Real Natureza, daquilo que nós somos. E isso é mortal para a mente, é o fim da mente. 

Assim, é literalmente cair em uma armadilha da existência, dessa Consciência. Estar em Satsang, é uma armadilha para a mente. Ela é vista, sua máscara é retirada e, assim, a ilusão da mente desaparece. Não há tal coisa como "mente", apenas uma programação, apenas um sentido de autoria de alguém presente nessa programação. 

Na verdade, tudo continua como sempre foi. Agora, o que é diferente é ver de forma clara que não há "alguém" presente. Tudo aquilo que seu corpo está programado para ser, ele é e continuará sendo. Aquilo que você tem como parte da programação psicológica – ligada a esse sentido de separação, da ideia de "mim", de um "eu", de um "autor" – desaparece. No entanto, toda ação continua, e essa ação é uma ação desta Consciência, desta Presença, daquilo que é Você de verdade. 

Assim, o sentido da "pessoa", de individualidade, de autoria desaparece. O sentido de "alguém" que sofre desaparece. O orgulho de uma realização, de um feito, de uma conquista, de determinados sucessos também desaparecem. E o que temos no lugar de tudo isso é aquilo que sempre esteve presente, que agora é visto em sua clareza: essa ilimitada Presença, essa ilimitada Consciência. 

Isso que tem como fundo de tudo, como base de tudo – Liberdade, Paz, Silêncio, Serenidade, Felicidade, o nome que acharmos mais adequado – nenhum desses nomes diz qualquer coisa a respeito disso que é Você em sua Real Natureza. Essencialmente, Amor e Liberdade, Silêncio e Paz, são os nomes que podemos dar a isso. 

Quando termina esse sentido de separação, quando a mente não está presente, quando o sentido de identidade se foi, essa é a alegria dessa bela e extraordinária armadilha divina. Aqui, se perder é se encontrar, cair é se erguer... Paradoxal, mas é exatamente assim... Essa é a beleza dessa armadilha sagrada... É assim... 

*Transcrito a partir de um encontro presencial ocorrido no mês de junho de 2012 na cidade do Rio de Janeiro

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