quinta-feira, 28 de abril de 2016

Uma guiança de liberdade e amor





Essas falas e palavras são meras expressões do pensamento. Em geral, nós estamos condicionados a confiar no pensamento, nessas imagens que surgem, porque o pensamento sempre aparece representando imagens e as imagens são muito importantes para o ego.

Quando falamos de ego, aqui nós estamos falando dessa ilusão do sentido de separação que está presente, até que isso seja profundamente investigado. Uma vez isso investigado, acontece um colapso dessa ilusão, que é a ilusão do “eu”, a ilusão da separatividade, e, quando isso termina, toda essa importância de “imagens”, também, termina... É quando o pensamento não tem mais importância, e, portanto, as palavras não são importantes, uma vez que essas palavras representam essas imagens. Aqui, até certo ponto, nós fazemos o uso da fala e naturalmente estamos expressando ideias. Essas ideias, que representam imagens, são apenas pensamentos, e, assim, não estamos lidando com a realidade, estamos lidando com ideias. Eu quero convidá-los a ficarem com aquilo que é relevante, e aqui o relevante é Aquilo que está fora dessas ideias, desses pensamentos, dessas imagens, que é essa Presença, que é esse Silêncio.

Deixe-me falar um pouco, para você hoje, sobre essa questão da dualidade. A dualidade sempre aparece entre dois objetos, e é também só uma ilusão, uma expressão do pensamento. Quando falamos de "alguém" presente pensando, ouvindo, vendo e sentindo, estamos falando da ilusão da separatividade. Isso é somente uma criação do pensamento. Então, nós temos aquele que pensa e o pensamento, aquele que escuta e aquilo que é escutado, aquele que sente e o próprio sentimento, e isto está assentado em uma ilusão – a ilusão de que nessa experiência estão presentes duas partes, dois objetos. Basicamente, essa questão da dualidade é assim tão simples.

O que nós temos colocado em Satsang é que a Consciência não conhece objetos, a Consciência não conhece dualidade. Portanto, aqui quando falamos de Consciência, estamos falando dessa Presença, dessa única Presença não dual. Deste modo, Isso não conhece objeto. Assim, não há um sujeito numa relação com o objeto. Isso é só uma coisa aparente. Portanto, nessa noite, nesse encontro, nesse instante, estamos apenas como pura Presença, presenciando, sem qualquer separação, este único fenômeno chamado “Consciência”.

Então, não há um palestrante com os seus ouvintes, não há aqui um orador diante de uma plateia ou de uma audiência. É um único, sendo o mesmo, fenômeno e isso basicamente é Silêncio. Portanto, ao ouvir esta fala não se separe, senão você vai perder a fala. Se você criar a ilusão de que precisa entender o que está sendo dito, você já se separa como um sensor, um juiz, "alguém" que escuta para avaliar, para comparar, para julgar, para dizer “concordo” ou “discordo”; tudo isso internamente é claro. Aí está a ilusão, aí está o sentido de separatividade. Quando você faz isso, de fato, não está nesse ouvir. Esse “ouvir” é o ouvir não-dual. Nesse ouvir, só tem o ouvir; não tem "alguém" dizendo algo para você concordar ou discordar, porque não tem "você", assim como não tem aquele que fala – é um fenômeno, só.

Aquele que está aqui pela primeira vez, ou segunda vez, talvez estranhe isso; tenha paciência e você vai perceber o que estamos apontando neste encontro. A minha sugestão é que você permaneça com esse único "professor"; a minha sugestão para você é que acompanhe isso com o seu coração... Com todo o seu coração, sem se separar.

Esse momento é um momento assim, em que você não precisa de nenhum esforço para acompanhar essa fala. Não tem nada aqui que esteja sendo dito, que requer um grande esforço intelectual de sua parte para ser compreendido, absolutamente. Relaxe e coloque seu coração nisso, não se preocupe em segurar as palavras, em se prender ao significado verbal delas. Há algo maior do que as palavras neste momento, neste instante, aqui, naquilo que nós chamamos de Satsang, que é "o encontro com O que É", encontro com a simples verdade. A verdade deste momento não tem nada de filosófico, nada de espiritual, nada de místico, nada como uma doutrina, um sistema de crenças ou uma filosofia; nada disso.

Estamos simplesmente diante da beleza. A beleza é aquilo que vê, não é aquilo que é visto, não é aquilo que é ouvido; é aquilo que ouve e é aquilo que vê. Então, não há beleza nessas palavras, porque a beleza está Naquilo aonde as palavras estão acontecendo, nesse simples ouvir diretamente. A Verdade é sinônimo de beleza, que é sinônimo de Graça, que é sinônimo de realidade – isso chama-se “Satsang”.

O que chamo de Meditação é aquilo que vê, que ouve, que abarca esse único fenômeno. Nesse fenômeno de ouvir, o som não está separado dele; nesse fenômeno de ver, a experiência do objeto presenciado, também, não está separado – aí está a beleza, aí está a verdade. Esse Estado Natural é a Consciência não-dual, onde não existe o som e aquilo que escuta, onde não existe o objeto visto e aquilo que vê. Essa Consciência é a Presença que escuta, que vê e que experimenta. Não existe qualquer independência de objetos, independência na experiência, não há dualidade, não há separação. Portanto, mais importante que ouvir essas palavras que estão sendo aqui colocadas, pronunciadas, é estar Naquilo que escuta; isso é mais do que ouvir essas palavras, é permanecer Nisto.

Isso significa ser guiado pela liberdade e pelo amor. Liberdade e amor são a Consciência, que não se trata de nenhum entendimento, de nenhuma compreensão verbal, mas desse sentir diretamente. Novamente, eu repito isso: Isso significa ser guiado, não por um conjunto de palavras, um conjunto de ideias, de afirmações verbais, mas ser guiado pela liberdade e pelo amor. Essa experiência da Graça, esse reconhecimento do seu próprio Ser, desse Estado Natural não-dual, que  é Consciência, que é Presença, é algo sempre disponível, não importa o que esteja acontecendo do lado de fora, ou mesmo ao corpo ou a mente; isso é algo além do corpo e da mente.

Alguma pergunta, pessoal? Está muito estranho tudo isso para alguém aqui?

Participante: Mestre eu percebi a unidade por detrás de sua fala.

Mestre Gualberto: Sim, é isso! O Silêncio é algo presente, algo por trás dessa fala, superior a essa fala. Quando você diz "percebi a unidade", eu colocaria que há só a percepção, essa pura e direta percepção e isso basta; a percepção da Realidade, da não dualidade – eu colocaria dessa forma.

Portanto, eu continuo afirmando para vocês isto: não se trata de relações ou relacionamentos entre coisas separadas, pois há somente essa Consciência mesmo, a única Consciência, que é Silêncio e não conhece dualidade.

Um outro nome para essa Consciência não-dual é, como falei há pouco, “Beleza e Amor”.

OK! Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro! Namastê!  

*Fala transcrita a partir de um encontro online via Paltak no dia  18 de Abril de 2016   

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