sexta-feira, 15 de abril de 2016

Tudo é Consciência





Sejam bem-vindos a mais esse encontro aqui pelo Paltalk! Mais um momento juntos nesse encontro. 

Essa imagem, assim como esse som, aquilo que aparece, aquilo que surge, é algo experimentável nesta Presença, nesta Consciência. 

Uma pessoa ordinária pode ver e pode ouvir, enquanto que uma pessoa cega pode apenas ouvir. Contudo, essa experiência é experimentada no mesmo espaço para ambas. Essas assim chamadas “pessoas normais” e “especiais” estão experimentando no mesmo espaço. As suas experiências são a mesma experiência, e, quando eu digo “suas experiências”, não estou falando das experiências de alguém, estou falando da experiência dessa Consciência. É uma só experiência! Como ela é interpretada pelo mecanismo (corpo-mente) é que muda: um está habilitado e o outro não. Um está habilitado para certas funções e o outro não, mas é a mesma experiência: a experiência dessa Consciência. Ela não é uma experiência pessoal, porque não há pessoa na experiência, só há a experiência. Todos escutam isso?



Participante: Então, quem chora ou quem ri diante da experiência?



Mestre Gualberto: É também uma aparição na experiência. Essa aparição na experiência aparece em um ou outro formato; num formato ela ri e no outro formato ela chora, mas a experiência é sempre Consciência. É desanimador isso, porque você não tem importância. Você é uma fraude como uma entidade presente nisso. Não há uma entidade presente nisso! Você é tão importante quanto uma formiga, um cachorro ou um pássaro, porque a experiência para eles também é a mesma: a experiência da Consciência... experiência na Consciência. O que quer que esteja sendo conhecido, sentido e vivenciado, está sendo conhecido, sentido e vivenciado na Consciência. Nesse sentido, um cachorro também está na mesma condição de uma formiga e do “tão importante” ser humano. Em outras palavras, a pessoa não conhece. É a Consciência que conhece.



A experiência é da Consciência, do Ser. O Ser é a Consciência. A experiência é do Ser, a experiência é no Ser. O Ser é um só, a Consciência é uma só, seja na formiga ou no elefante ou no ser humano. Toda experiência está sendo conhecida na Consciência. Na Consciência, toda experiência é sagrada, é divina; toda experiência é a própria Consciência se experimentando, é a própria Consciência como experiência. Não há separação, não há nada especial acontecendo para "alguém". Tudo está acontecendo de uma forma natural, não especial, e não é para alguém! É na Consciência, pela Consciência e para a Consciência, o que quer que possa ser conhecido, o que quer que esteja sendo conhecido.



Nós não consideramos as pedras. Falamos da formiga, do elefante, do cachorro e do ser humano, mas as pedras também estão na sua experiência. Qualquer que seja a experiência, seja de uma pedra, de uma formiga, de um elefante, de um cachorro ou de um ser humano, é ainda a experiência dessa Consciência. É essa Consciência na experiência. A gente chama de pedra, de formiga, de elefante, de cachorro e de ser humano, mas só tem Consciência... só tem Consciência. Tudo é Consciência! A Consciência se experimenta como pedra, como formiga, como cachorro, como gato, como árvore, como pássaro, como ser humano... E cadê “você”? Onde é que entram você e sua história? Quer que eu diga onde a sua história entra? Na imaginação de “alguém” nessa coisa chamada "vida". A vida não é sua; sua é a imaginação. A imaginação é sua, a Vida é Consciência. Não é lindo isso? A Vida é Consciência! A sua vida é imaginação. Essa história, que você chama de vida, é a imaginação de um suposto experimentador dessa coisa toda. É estranho isso, não? A sua luta é a sua história, e a sua história é a sua imaginação. É o que você chama de vida, de “minha vida”.



Isso chama-se Satsang, o encontro com o que É. É assim que tudo está acontecendo. É assim que tudo está sendo sentido, experimentado, tocando e sendo tocado: sem você! Essa experiência, que não é pessoal, não é particular, é Consciência, Presença, Ser, Amor, Silêncio, Paz, Verdade e Liberdade! Não tem você nisso! Só tem Isso! A importância pessoal é a valorização de uma fantasia, de uma imaginação, de uma história criada pelo pensamento.



Tudo tem sido construído pelo pensamento: um edifício, um prédio, uma ponte, os carros da Chevrolet, da Ford... Tudo tem sido planejado pelo pensamento, imaginado pelo pensamento. Estão dentro da nossa história, da nossa imaginação: os aviões, as igrejas, as catedrais, os deuses que colocamos dentro das catedrais, os santos, nossa religião, assim como nosso time de futebol. Nós inventamos e depois torcemos, ficamos partidários. Nós somos partidários de uma religião, de um time de futebol, de uma ideologia política, de um partido político... É tudo igual! O pensamento criou essa divisão toda, enquanto que a Consciência não sabe nada disso. O Ser, a Presença, Deus, não torce por time algum, não levanta nenhuma ideologia, nenhuma bandeira ideológica, partidária, política, não milita por nenhuma causa e não participa de nenhuma religião.



E agora, o que vocês vão fazer com isso?



O que eu estou dizendo é que essa Consciência não se relaciona, não se envolve em relacionamentos. Por isso, eu tenho dito a vocês: entrem em relações, mas não entrem em relacionamentos. Não tem como viver sem relações. Assim, nossa relação com o padeiro, com o caixa do mercado e com o caixa do banco está acontecendo, assim como nossa relação com o patrão, com o empregado, com a mulher, com os filhos... Mas, se isso se transforma num relacionamento, complica, porque aí você cai numa armadilha. Compreendem a diferença? Uma relação é uma coisa utilitária. Eu já falei isso outras vezes, e, é claro, sempre sou mal interpretado (risos). Relação é uma coisa prática: você dá o dinheiro para o homem que faz o pão e ele faz o pão para você comer; você paga pelo serviço e ele lhe presta o serviço. É uma coisa utilitária! Isso fica mais complicado quando a gente coloca o sentimento pessoal, mas isso é assunto para Satsang presencial, porque é muito duro ouvir isso aqui pelo Paltalk.



Eu já sei. Quando começo a falar disso, a pessoa entra, e aí entra o emocional, o sentimento, o romantismo, e a complicação surge, porque surge a ideia de posse, de domínio, de controle, de obediência, “quem deve o quê para quem”, toda essa coisa. Não há como realizar Deus assim. Mas vamos ficar por aqui, acho que vocês devem estar cansados. Depois dessa que um elefante, uma formiga e você estão no mesmo patamar diante do Divino, que é a Consciência...



Eu li esses dias, de alguém que conviveu com o Ramana, que os animais que iam vê-lo no Ashram – de vez em quando aparecia lá cachorros, gatos, macacos – ficavam tocados pela Presença dele. Curiosamente, os seres humanos não sentiam muita coisa, não. Um ou outro sentia alguma coisa. Olhavam para Ramana e viam uma pessoa, enquanto que os animais olhavam para Ramana e encaravam-no como a Presença Divina na forma.

Os animais conseguiam ver e as pessoas não. Achei isso bastante curioso também.



Até o próximo encontro. Namastê!  

*transcrito a partir de um encontro online ocorrido na noite do dia 04 de Abril de 2016 - 
Encontros gratuitos todas as segundas, quartas e sextas - Participem!

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