quarta-feira, 20 de abril de 2016

Não é possível se libertar da dor sem se libertar de si






A gravidade da dor é proporcional ao investimento na autoimagem. Essa é a gravidade da dor: o quanto cada um, na ilusão de ser “alguém”, tem investido em seus patrimônios. E patrimônio, para “alguém”, é a autoafirmação da imagem que o ego tem de si mesmo. É aqui que está o ponto. A dor é sempre a mesma: é a dor do esfacelamento dessa autoimagem. O quanto cada um, nessa ilusão de ser essa autoimagem, sente essa dor é inerente a esse investimento. Mas essa questão da gravidade, também, está dentro da própria ilusão.

A questão é que, quando você me traz isso dizendo “Mestre, me ajuda, me liberta dessa dor, me livra dessa dor...”, não está percebendo uma coisa básica, que é o que eu tenho falado sempre: não tem como você se livrar dessa dor enquanto a ilusão de ser "alguém" estiver aí presente. E, quando você pede para que eu liberte você dessa dor, você está tentando apenas um substituto para essa dor. No fundo, você não está disposto a ver a ilusão desse investimento, a ilusão que é continuar mantendo essa propriedade, que é o que consegue assegurar essa autoimagem. Então, como você não quer se livrar dessa propriedade ou dessas posses que fazem você se ver como sendo “alguém”, você quer o alívio da dor – ou o que você chama de libertação da dor – sem se livrar de si mesmo, sem se livrar dessa autoimagem, sem se livrar dessas propriedades ou dessa propriedade que é a causa da dor.

Isso, o Guru não pode fazer, porque é um assunto seu. O que o Guru pode fazer é lhe mostrar a grande ilusão desse investimento, lhe mostrar que tudo isso está em cima de “imagens”, que as propriedades e aquele que é beneficiado com essas propriedades, esse alguém que se sustenta em cima disso, são só imagens. O que o Guru pode fazer é: “Olha, isso é a ilusão, solte isso!” E Ele vai dizer também: “Solte isso agora”, porque só pode ser agora, porque é agora que está se apresentando a dor.

Quando o Guru diz: “solte isso!”, Ele está dizendo “morra nesse momento, desapareça neste momento e aí a dor termina”. Porque não existe dor fora dessa fantasia, dessa autoimagem e não existem propriedades trazendo dor real para essa autoimagem. Tanto o que está fora e o que está dentro, é uma ilusão.

O ponto é que o ego, na ilusão de ser alguém, protege com muito afinco aquilo que ele valoriza, aquilo que lhe dá autoimportância. E a dor dá muita autoimportância ao ego. Então, como é que ele pode se livrar dessas propriedades que são só imagens, que lhe fazem ser tão importante?

Participante: Se você for honesto, você vê isso.

Mestre Gualberto: Está tudo dentro dessa ilusão que você mantém por não conseguir ficar com o que é Real que o Mestre, o Guru está lhe apontando. É nesse sentido que o Mestre liberta você, que o Guru liberta você, que Deus liberta você, porque Ele lhe mostra que você não está sendo verdadeiro com você mesmo, com você mesma, não está sendo honesto com essa questão. É isso!

Participante: Porque, se você parar e conseguir olhar para isso direitinho, com honestidade, você vai ver que o que está doendo é: você se sente impotente, culpado, sem satisfação para dar para todos que estão ao seu redor.

Mestre Gualberto: E tudo isso é o quê? Valorização da autoimagem. Então, se você for honesto, você vai ver tudo isso aí, que é tudo mentira mesmo.


*Transcrito a partir de uma fala de um encontro presencial na cidade de Fortaleza em abril de 2016
 

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