sexta-feira, 22 de abril de 2016

Assuma isto agora





Durante toda vida, você esteve se configurando, caminhando para alguma direção, indo em busca de alguma coisa. Eu estou trazendo você para um novo espaço, onde não há falta e, quando não há falta, toda a ideia de movimento cessa. Então, todo esse projeto se dissolve, se desfaz, termina, não vai à frente. Eu não estou interessado em lhe mostrar como realizar algo em um movimento que você projetou como sendo real, capaz de preenchê-lo. Todo o meu interesse aqui é lhe mostrar a ilusão de tudo isso, lhe mostrar essa indescritível Liberdade e Felicidade que reside nesse instante!



Um dia Cristo disse: “Olhai para os lírios do campo: eles não tecem nem fiam, mas nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles". Você não tem qualquer necessidade. Você só precisa se reconhecer, e isso significa, nesse presente instante, tomar ciência dessa suficiência que é essa autorrefulgência do Ser, de sua Natureza Divina. Isso é algo presente a cada respiração, a cada inspiração e expiração.



A ciência chama o movimento das batidas do coração de diástole e sístole. Isto não acontece como um projeto, e sim como um fato. Não é uma ideologia, uma imaginação, um desejo, é um fato, e isso acontece como um movimento da Vida. A Vida se move sem o tempo, ela consegue um espaço no qual o tempo não se apresenta. É nesse espaço, onde o tempo não se apresenta, que a Vida acontece. E aqui Vida é esse momento. É só neste momento que o Divino se mostra, que Deus se revela, que a Liberdade, a Beleza, o Amor se revelam. E isto é Felicidade!



Sem ego significa sem projeto, sem passado, sem futuro, sem desejos, sem medo, sem objetivo. Para o ego, vida é objetivo, e vida sem objetivo é morte. Essa é a ilusão do idealista, do sonho, dessa fantasia – algo tão comum e bastante apreciado em nossa cultura. É disso que tratam os livros de autoajuda. É isso que você escuta em seminários de palestrantes motivacionais, representando uma companhia, uma empresa ou uma escola de sucesso, de realizações. O mundo inteiro gira em torno disso, todos querem obter algo para ser "alguém". E, para ser alguém, quanto mais se tem, maior se é, mais respeitado e importante se é. Toda a nossa cultura está assentada em cima disso - a ideia do sonho de liberdade.



Em Satsang, nesse encontro com a Verdade, essa tão procurada liberdade se mostra uma prisão, claramente; uma prisão dourada, uma prisão de grades de ouro maciço, mas ainda uma prisão. A Liberdade não é uma conquista, é a Natureza Essencial de toda essa manifestação. Ela está no âmago, no cerne, é o substrato oculto, invisível, que penetra e interpenetra toda essa manifestação. Ela não é alcançável, assim como a Felicidade e o Amor também não são alcançáveis.



Quando você vem a Satsang, eu olho para você e você olha para mim... Na Índia, eles chamam isso de darshan: a oportunidade de ter o olhar da Verdade, um olhar para a Verdade; Deus se vendo, Deus se reconhecendo, o Divino no encontro amoroso.



Isso não é o futuro. O futuro é Agora! Não é um sonho de liberdade, é a Liberdade quando não há sonho! O sonho é futuro, é ansiedade, é o amanhã, é o que virá, é o que será, é o que se encontrará. Aqui, eu estou dizendo que o futuro é Agora! Não existe nada que já não esteja aqui, agora.



Deus não pode ser algo “lá”. Esse “lá” é só uma projeção da imaginação. A Liberdade não pode ser algo “lá”. Eu não falo da liberdade econômica, política, da liberdade de uma ideologia, de um sistema, de uma realização calculada, objetivada através de grandes esforços empreendidos por uma pessoa ou por um grupo de pessoas. Isso é toda a liberdade que conhecemos, nessa ilusão de ser "alguém", que acreditamos ser. Não é disso que estou falando. Estou falando deste instante, onde o futuro se revela agora como perfeito Amor, Paz, Graça, Silêncio... como essa Completude que é Deus, que é Você em sua Natureza Divina.



Como é isso para vocês?



Você é Deus, é Consciência! Você não pode estar amanhã! Você só pode estar aqui AGORA! Você não pode estar amanhã sem estar aqui. Você não pode estar aqui e estar em alguma outra parte.



Participante: Eu já falei isso outras vezes, mas eu só percebo isso – que não existe futuro – aqui na sua presença. Mas quando eu estou lá fora, aí eu me embolo e entro num mundo de preocupações, de ansiedade. Aqui, agora não tem isso. A mente até fala “mas e amanhã?”, mas parece que isso não fica por muito tempo. Então, o que a gente faz longe de você?



Mestre: Não fique longe! Quando é que você fica longe de mim? É quando você está fisicamente longe de mim? Não! Você fica longe de mim quando deixa esse olhar, quando deixa esse darshan, quando o Divino deixa de te ver, quando você não está vendo Deus, quando seus olhos estão em uma outra direção. Não é assim?



Participante: Então tem um esforço, tem uma atenção no esforço? O que eu tenho que fazer, mestre? Porque é muito fácil sair...



Mestre: Sua pergunta, na verdade, é como isso se torna natural! E isso leva um tempo mesmo. Vocês criaram essa ilusão do tempo, agora precisam ter paciência para se livrar dela. Mas, o que resta a vocês é agora, assumir isso agora!

*Transcrito a partir de um encontro presencial de João Pessoa na ocasião do retiro de páscoa em maio de 2016

Um comentário:

Deixe aqui o seu comentário

Compartilhe com outros corações