quarta-feira, 6 de abril de 2016

A Verdade é como um beija-flor e seu coração é como uma flor!






Os atletas, para participarem das olimpíadas, passam por várias etapas de treino e, depois de longos anos de muito treinamento, somente um leva o prêmio máximo em um tipo específico de disputa, em um jogo específico, em uma apresentação específica. Mas lá existe algo a ser alcançado, o que é diferente desse Despertar, dessa Realização, dessa Iluminação, desse Florescer em Deus. 

Aqui, você não está concorrendo, não existe alguém disputando uma medalha ou um lugar no pódio com você. A Felicidade, a Liberdade, o Amor, a Verdade não são um prêmio, não são para todos ou para alguns. Isso é algo que está presente quando não tem “todos”, quando não tem esse “alguém” em especial. Não é uma conquista, não é algo conquistado depois de árdua luta. 

Aqui, o guerreiro não é o que luta, é o que desiste desse desejo de lutar. O guerreiro não é o que combate, é aquele que não vê adversário, que não tem o que alcançar, não tem por que lutar, não tem com quem lutar, não tem o que ganhar, porque não tem quem ganhar. Aqui, o guerreiro é a Verdade. 

A Espada da Verdade tremula sem mãos, dança no vazio. A Verdade não se revela em uma luta. O guerreiro não se revela em um combate. A Verdade se revela em uma dança no vazio. Uma espada se movendo, se movimentando no vazio! Ali está o guerreiro sem mãos. Ali está a Verdade que não tem inimigos, que não tem concorrentes, que não disputa qualquer espaço. 

Você, em seu Ser, é esse fulgente guerreiro real, que não vê nenhum adversário, que não luta nenhuma batalha. É um guerreiro sem luta, sem fracasso e sem derrota, sem a possibilidade de perder, sem a preocupação de ganhar; sem tempo, e, portanto, sem pressa; sem espaço, e, portanto, sem nenhum lugar para chegar. 

Eu sei qual é o problema de vocês: vocês confiam na ilusão do tempo, e, assim, estão computando dias, meses e anos para chegar em algum lugar, criando a ilusão do espaço também. A ilusão da mente é acreditar que, quando ela percorrer esse tempo, chegará nesse espaço, e lá encontrará a sua medalha de ouro. A mente diz: “você irá vencer esse inimigo. Esse é um real combate.” A mente diz: “Você tem uma espada em mãos! Entre no combate, atravesse o tempo, chegue lá nesse espaço e você realizará a Verdade!” Mas não é assim que funciona. Isso não é real! 

Aqui, não há nenhuma garantia! A mente escuta, mas não dá atenção a isso. Sua ambição é muito grande, seu desejo de chegar em algum lugar é muito forte, sua imaginação sobre essa coisa chamada Realização é muito fantasiosa. E ela vê um pódio, uma medalha de ouro, uma coroação, um prêmio! Seu ego se embrenha nessas matas e investe nisso, mas chegará o momento em que ele vai ficar frustrado, porque está andando em círculos. 

Você não está aqui para lutar, para combater, para, no tempo e no espaço, realizar alguma coisa. Você está aqui para abandonar a ideia de que é “alguém”, de que tem “alguém” aí que pode realizar isso.

Você pode ser uma pessoa muito bem sucedida em qualquer empreendimento, mas nesse aqui não dá! Se você entrar aqui com a mesma medida, usando a mesma bitola que você usa para tentar moldar a mesma forma, isso não vai funcionar. Você não pode aplicar aqui tudo o que você já aplicou lá fora, na vida secular. Aqui não tem alguém correndo mais, nem mais lá na frente, nem já perto da chegada. Pior: aqui não tem “você”! Foi isso que eu quis dizer com o “guerreiro real”! 

Na bíblia, há uma afirmação que diz algo assim: “Deus, em sua Graça, resiste aos soberbos e, em sua Graça, dá a sua Graça aos simples de coração.” Ser soberbo, aqui, é acreditar que pode realizar isso por ter pernas rápidas ou habilidades que ninguém tem - realizar isso com a espada na mão. Aqui, suas mãos e seus pés são considerados arrogância, soberba.

Você não pode ter a Graça divina. Somente Ela pode tocar você por sua infinita, misteriosa e inexplicável Vontade. Ela pode tocar você, mas você não pode tê-La. Ela não é algo que você conquista. Papaji dizia que quando você se entrega a essa simplicidade, você fica bonito! Então, a Graça se encanta e vem para lhe dar um beijo na boca! (risos) 

Você tem que ficar bonito, atraente. Aí, a Graça fica encantada, toma o movimento, e vem até você. Mas não é você que vai lá e a alcança, e a pega, e faz uso dela. A arrogância afasta, o ego fecha todas as portas, tranca tudo, deixa sem espaço; fecha as portas e as janelas. O sol está brilhando lá fora, mas não tem janelas nem portas abertas, então ele não entra. Ele não deixa de estar lá, mas ele não pode estar aqui porque não tem espaço para ele. 

A Verdade é como um beija-flor e seu coração é como uma flor: se o seu coração exala o cheiro doce do néctar, a Verdade vem! O movimento é do beija-flor, ele vem quando sente esse cheiro adocicado. Você não pode conquistar a Verdade, mas, em Silêncio, essa flor, que é Você, pode perfumar o espaço com esse cheiro adocicado do néctar, e, então, a Verdade, a Graça, vem em forma de beija-flor! A Graça encontra o seu coração como o beija-flor encontra a doçura dessa flor, o espaço doce nesta flor. Você não pode conquistar a Graça, mas pode ficar muito atraente! Deus não resiste a um coração voltado para Ele. 

Sabem o que encanta em um Mestre vivo? É a doçura, a suavidade e delicadeza dessa Graça presente! É essa festa que acontece entre a flor e o beija-flor! O que atrai em um Mestre vivo é essa beleza, essa dança da espada no vazio, sem mãos, sem forma; é essa dança desse encontro entre a flor e o pássaro! É a bela presença da Graça, a bela presença de Deus, a bela presença do Divino! É essa bela presença da Completude, da Bem-aventurança, da Felicidade!
 
Essa Verdade presente significa o fim de todas as preocupações mundanas, de todas as aflições ligadas à pessoalidade, a essa ilusória existência de um “eu”. 

Não há tempo nem espaço nessa realização. Isso é algo presente quando você não está, quando não há alguém aí para vencer e não há nada para ser conquistado. 

É isso!

*Transcrito de um encontro Presencial na cidade de Fortaleza em Março de 2016 

 

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