sábado, 9 de abril de 2016

A Arte de Ser Pura Consciência




Olá, pessoal. Boa noite. Sejam bem vindos a mais esse encontro aqui pelo Paltalk! Maravilha estarmos juntos neste momento, nesta noite. Esses momentos de encontro são momentos de celebração, onde podemos estar diante dessa Graça, dessa Presença, abrindo nosso coração para esse instante de reconhecimento daquilo que somos.

Portanto, compreendam bem isso: Satsang não é um encontro para discutirmos opiniões, para estudarmos certa filosofia, nem para entrarmos em discussão sobre um determinado tema, de uma forma acalorada, na tentativa de defendermos pontos de vista; muito menos é um espaço para defendermos um posicionamento pessoal, mental, ou para defendermos uma proposta de crença ideológica, espiritual, filosófica ou pessoal. Satsang é um lugar de investigação da Verdade, de reconhecimento dessa Verdade sobre nós mesmos.

A gente não vai a um Mestre vivo para discutir com Ele, mas, sim, para viver um momento de Consciência, de Presença, de relaxamento em nosso próprio Ser; um momento de Amor, Alegria, Paz, Verdade; um momento de Real Felicidade. Essa é nossa Natureza Real, nossa Natureza Verdadeira, e é esse reconhecimento que nós temos dentro de Satsang, um espaço para isso.

Satsang não é um espaço de peleja, discussão, atrito, briga, de defesa de teses, e assim por diante, mas um lugar de Consciência. A forma como eu posso definir isso é que “Consciência é aquilo no qual tudo aparece.” A Consciência, além de ser aquilo no qual tudo aparece, é aquilo que está consciente dessas aparições. Aqui, o nosso interesse é nessa Consciência, porque essa Consciência é ananda, que é uma palavra indiana para “felicidade”, é a Natureza do Ser. Na Índia, eles colocam isso de forma bastante clara: Ser é Consciência, que é Felicidade; Chit é Consciência, Sat é Ser e Ananda é Felicidade. O reconhecimento daquilo que somos é Satsang, e isso é Meditação –  É Sat- Chit-Ananda!

Satsang é o lugar onde você, nesse instante, nesse presente momento, se desidentifica da mente egoica, de todos os seus projetos, desejos, intenções, formulações, crenças, ideologias, filosofias, imagens, imaginações pessoais, ou seja, tudo aquilo que diz respeito a essa "pessoa" que você acredita ser. Nesse espaço chamado Satsang, você abre mão disso, para estar com O que você é, ser O que você é, desfrutar dessa Presença Divina, que é, por natureza, Amor, Paz, Felicidade, Liberdade. Estamos juntos?

A natureza do ego é conflito, tensão, resistência e sofrimento. A natureza do ego são imagens e crenças, além de posicionamentos ligados e atrelados às imagens, a desejos, a preocupações pessoais. É necessário que você abra mão disso tudo, que é pura inconsciência, o habitual comportamento egoico e inconsciente da mente. Mente, aqui, significa pensamentos e imagens, e algumas vezes eu uso esse termo, também, incluindo sentimentos e sensações, assim como percepções – este é o significado da mente. Enquanto Consciência é Aquilo onde essas aparições surgem, a mente significa as próprias aparições. Quando se confunde com essas aparições, você assume a ilusão de ser uma entidade separada, com um corpo, e, portanto, com uma forma, um nome e uma história.

A relação entre Consciência e mente é algo muito similar a essa relação entre filme e tela, entre imagem e o quadro onde a imagem aparece. Não há dúvida de que essa imagem, também, é feita de quadro, porque é no quadro que ela aparece, contudo o quadro não é feito de imagem. Quando você olha para um quadro, você vê a imagem que é feita de quadro, mas o quadro em si não é feito de imagem. O quadro é apenas onde a imagem aparece, porém, ao mesmo tempo, o quadro não se separa da imagem – é uma única aparição. Se essa imagem pudesse ter a ilusão de estar separada do quadro, teríamos a ilusão da separatividade num quadro, que é exatamente o que acontece com o ser humano. O ser humano tem essa ilusão de ser uma pessoa, de que esses pensamentos, sentimentos, emoções, sensações, percepções, estão acontecendo separados dessa Consciência. Essa é a ilusão da separatividade, da dualidade; a ilusão do "mim", do "eu", do ego. Está claro isso, gente?

Aqui está a dualidade, a ilusão, a base de todo sofrimento humano e de toda a miséria humana. Nesse espaço chamado Satsang, estamos assumindo a Realidade de ser pura Consciência, na qual essas aparições aparecem, mas não são importantes ou tem apenas a importância de aparições. É como você olhar para um quadro e ver a importância da imagem, mas é só uma imagem; o valor real está no quadro e não na imagem. A vida é esse quadro e a história desse personagem é essa imagem.

A Meditação é essa arte de ser pura Consciência, sem separação, sem separatividade, sem qualquer distinção entre isso ou aquilo, entre o “eu” e o "não eu", entre mente e "não mente", entre imagem e quadro. É, de fato, fascinante aprofundar isso vivencialmente: a Beleza, a Graça da Meditação. Autoinvestigação é Meditação, e  Meditação é essa entrega à realidade. Então, entrega é Meditação e isso não está separado dessa investigação, que aqui eu chamo de autoinvestigação, mas é apenas investigação. Não separamos investigação de Meditação e de entrega; é só um movimento não egoico, um único movimento de pura Consciência.

Essa Consciência está sempre presente, enquanto que os pensamentos e as emoções são intermitentes; as sensações são variadas e também intermitentes. Só existe algo que permanece sem qualquer intermitência, que é sempre presente e esse algo não pode ser feito de pensamentos, de sensações, de emoções, de percepções e de experiências. Esse algo sempre presente, imutável, é essa Consciência, e, no entanto, Ela também não se separa de nada disso. Aquilo, que permanece sem qualquer intermitência, não se separa do que é intermitente, mas aquilo que é intermitente, que vem e vai, não é algo sempre presente. Isso não carrega qualquer identidade, qualquer realidade fora dessa não intermitente Consciência, Presença.

O que estamos colocando para você não é nada teórico, conceitual; é algo que pode ser claramente percebido aí, puramente vivencial.  Observe que tudo vem e vai, os pensamentos estão mudando, os sentimentos e sensações, também, bem como as experiências, mas onde isso acontece não há qualquer mudança. Há cinco ou dez anos atrás, esse corpo aí era um outro corpo, porque as mudanças aconteceram. Quando você era criança tinha um corpo, na adolescência um outro corpo e, agora, adulto, um outro corpo. Você ainda tem traços da adolescência, no formato do corpo, mas é um corpo inteiramente diferente, entretanto algo aí permanece sem qualquer mudança. Houve mudança no corpo e mudança na mente, em suas memórias, com lembranças alegres e tristes, algumas amargas, outras doces; com algumas memórias traumáticas, perturbadoras, ou outras felizes. Todas essas mudanças aconteceram, continuam acontecendo, e, no entanto, há Algo aí, o Espaço no qual tudo isso está aparecendo e desaparecendo.

Esse Espaço é um Espaço sem registros, não tocado por essas mudanças, e que não registra essas mudanças. O corpo e a mente carregam uma memória e registram essas mudanças, mas esse Espaço não é tocado por elas. Esse Espaço, do qual estamos tratando nesse encontro, é o substrato, é a base, é o fundamento, é onde tudo está assentado, toda a realidade não dual está assentada; é esse quadro, é essa tela, é a substância, se podemos chamar assim. Não é uma substância, no sentido de uma substância que muda. Não estamos falando de algo material, mental, ou, também, de algo espiritual. Estamos falando de algo completamente desconhecido, que permanecerá desconhecido, que não pode ser tocado por nomes e adjetivos; não é algo que possa ser objetivado pelo pensamento, definido por palavras, porque é a Natureza da Felicidade e do Amor e da Verdade  –  é a Natureza do Ser.

Nesses encontros que nós temos, estamos entrando mais e mais profundamente nesta Meditação. Aqui, Meditação, repetindo, se ainda não ficou claro, não significa análise de palavras, realização de estudos; estamos, sim, entrando mais profundamente na natureza da realidade da Consciência. Nesta desidentificação, se você vai fundo para a natureza da experiência, você termina não encontrando qualquer distinção, quando eu falo de experiência, pensamento, sentimento, emoção, sensação, percepção e assim por diante. Se você entra fundo na natureza dessa experiência, não encontra qualquer distinção. É uma única experiência tomando essa forma, aparecendo como essa imagem. Tudo é Consciência.
Toda imagem nesse "quadro", ainda, é o quadro; todo filme nessa tela ainda é a tela, no entanto, a tela é anterior ao filme, o quadro é anterior à imagem. Toda e qualquer experiência, apenas, toma a forma, o formato de uma aparição e aparece. Mas mesmo esse formato, bem como essa aparição, ainda é a tela, o quadro. Você está aqui para ir além da ideia “eu sou o corpo”, “eu tenho uma história”, “eu sou alguém”. Isso é Liberdade! Esse “alguém” é alguém apenas numa projeção, numa ideia, numa imagem, seja a imagem de pai, de filho, de marido, de amigo, mãe, filha e naturalmente, aqui, se inclui a imagem de discípulo e mestre; tudo isso são, apenas, imagens – nada disso é real.

Vamos ficar por aqui, nesta noite? Até o nosso próximo encontro. Namastê!  

*Fala transcrita a partir de um encontro online ocorrido na noite do dia 28 de Março de 2016 - 
Encontros online às segundas, quartas e sextas às 22h  

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário

Compartilhe com outros corações