terça-feira, 15 de março de 2016

Por que pessoas são tão carentes, tão dependentes?





Nós temos que ver isso: o que significa toda essa dependência que nós temos? Por que ela está presente? Somos tremendamente dependentes! Nós dependemos dos “outros”. Há somente um nível onde a relação é importante: é o nível comum, natural, do relacionamento físico, com coisas e pessoas. Para mim, aqui, “pessoas” coloco como sinônimo de seres humanos, corpo-mente, algo livre dessa “estrutura psicológica”. Isto porque essa “estrutura psicológica” é a verdadeira causa de toda confusão em nossa vida e da desordem criada por essa mesma dependência que temos. Então, carregamos muita dependência, de coisas e de pessoas. 

Essa dependência, toda ela, está na base desta estrutura psicológica, algo puramente mental, e é exatamente neste nível que nós não precisamos viver dessa forma. Há um novo modo, uma nova maneira, de viver, algo que só é possível quando estamos livres de toda forma de dependência, seja de coisas, situações, lugares, pessoas; tudo isso no nível psicológico, não físico. No nível físico, isso tem certo lugar, certa importância, algo muito razoável, mas eu falo da dependência psicológica, mental. 

Essa tem sido a nossa vida. Há algo que nós sempre temos falado aqui: é sobre a importância de ficar “só”. E aqui, quando falamos em ficar só, reiteradamente, temos dito “ficar só” psicologicamente, não fisicamente. As relações são importantes, mas qualquer relação no nível da mente, dessa estrutura, sempre é carregada de conflito; é algo muito oneroso, pesado, difícil. É assim que temos levado nossas vidas, todos nós. Então, o que temos que nos perguntar é isso: que lugar essas nossas relações têm? Que valor elas têm, senão o valor do conflito, da confusão, do medo, da inveja, dos ciúmes, da posse, ou seja, algo que produz muita miséria, muito sofrimento.

Então, nós temos que explorar tudo isso, olhar muito, muitas vezes, para isso. Quando você atenta para isto, você descobre que isso pode ser dispensado; é algo dispensável, não necessário. Essa é a vida da “mente”, do “eu”, da “personalidade”, a vida não real; essa não é a sua Vida. Melhor dizendo, você acredita nessa, assim chamada, “minha vida”. Então, eu digo que essa é a “sua vida”, mas não é a sua Vida Real. É desta Vida Real que tratamos em Satsang.

A Vida Real é livre desse sentido de separação, dessa estrutura mental, livre de toda forma de dependência, no nível de contato nas relações em nosso dia-a-dia, porque é apenas nesse nível que a dependência acontece. Contato com coisas, pessoas, situações - e essas “pessoas” aqui, repito, são os outros seres humanos - sempre vai acontecer, isso sempre estará aí. Assim sendo, não adianta acreditarmos que temos que fugir desses contatos. Nós, também, temos feito isso: fugimos para o mosteiro, quando o retiro tem o propósito de afastamento de outros; fugimos para as drogas ilícitas ou drogas lícitas, como, por exemplo, os medicamentos psicotrópicos. Estas são maneiras utilizadas para se escapar dessa vida de conflitos nesse nível, que é o das dependências psicológicas desses “outros”. Aqui, eu quero dizer algo para vocês: não há outros, se o “você” não está presente.

Se não está presente essa “estrutura”, não há “outros”. Se “você” não está presente, então, tudo termina: as fugas, as dependências diversas, os conflitos, os medos, os desejos, os ciúmes, as invejas, o despeito, além de toda essa ideia de amigos e inimigos, de “alguém” que amo - na realidade, “alguém” de quem dependo. No Amor não há “alguém”, pois, quando “você” não está, o outro não “está”, e somente assim o Amor está presente. Portanto, quando há Amor, tudo termina, absolutamente tudo termina, e só Ele “triunfa”; só Ele, em si próprio, se manifesta, e esta é a maneira simples, autêntica, real, verdadeira, singular de viver. O Amor é a única Vida Real! No Amor não há o “outro”, porque “você” não está, esse “você” que você acredita ser, há apenas esse Você que de fato Você É. Você é Amor, só há Você, e o “outro” não é visto.

Seres humanos são vistos, as chamadas “pessoas” são vistas, mas tudo é visto em Você. Aqui não há essa coisa de “amor ao próximo”, há somente o Amor, que está presente, quando nenhuma forma de dependência está presente. Isto é Liberdade, é Beatitude, é Paz, é Realização! Isto é Verdade! Isto é Deus! Isto é Você! 


*Transcrito a partir de uma fala ocorrida em Março de 2012

 

Um comentário:

  1. O amor real que o Mestre nos fala, ainda, não é uma realidade para nós, mas só de saber que existe algo muito mais profundo e desconhecido já é o bastante para encher o coração de alegria!

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