sábado, 12 de março de 2016

O convite aqui é para estar só






Nós demoramos muito tempo para descobrir isso, porque a maioria de nós é muito cabeça-dura. Até a gente ver isso, de forma tão direta assim, e aceitar essa coisa de ficar sozinho, estamos sempre cercados de coisas e mais coisas, de pessoas e mais pessoas. Parece que nós colecionamos tudo, estamos sempre juntando mais coisas... e mais coisas. Nós nunca ficamos sozinhos, nós não aceitamos isso, que nos é muito amedrontador. 

Estamos sempre nos preparando para um novo evento, uma nova festa, um novo bate-papo, uma nova viagem, enfim, para encontrar novas coisas. Estamos sempre acompanhados de alguém, de alguma coisa que produz som, como um MP3, um rádio, ou de um livro; sempre acompanhados de alguma coisa, nunca ficamos sozinhos. Assim, nós não encontramos “quem somos”, a riqueza de nossa profundidade... Não encontramos o “coração daquilo que nós somos”. Se encontrássemos isto, encontraríamos o “coração” de todas as pessoas e coisas à nossa volta, bem como, nessa, assim chamada, "solidão" descobriríamos a Beatitude, a suprema Felicidade. E aqui não há o estar só, mas sim o estar com tudo e com todos, em um nível novo, real, essencial, não algo superficial, como a mente tem feito conosco ao longo de todos esses anos.

Todos os que nós encontramos, não se encontraram, e nós, também, não nos encontramos com eles, pois o encontro real com todos é um encontro real consigo mesmo. Você encontra todos e tudo quando se encontra, dentro de si mesmo. Esse é um convite à autoinvestigação, à Meditação... É o convite para ficar aí consigo mesmo, até porque não existe nada além de você. 

Esses encontros superficiais, nos aspectos da personalidade, não são reais. Na verdade não são encontros, são desencontros, porque  o sentido de separação, de cada um, não nos permite ter um encontro com o “outro”. Ali está sempre velado, oculto, escondido, camuflado, o sentido de separação, de separatividade, na verdade, o desencontro e a solidão. 

Assim o convite aqui é para estar só, que é a verdadeira solidão, não essa solidão centrada na personalidade, em que, em meio à multidão, a pessoa se sente deprimida, angustiada, aflita - é assim que a personalidade se sente. Escutem isso com atenção e depois me digam. Não, não, não me digam, mas, sim, digam para si mesmos: Porque não dá certo? Porque não deu certo? Porque não dará certo? Você não pode se encontrar com nada fora de você, antes de ter se encontrado consigo mesmo, consigo mesma. Assim, o ponto é: descubra rapidamente a importância de ficar só. Eu não estou dizendo isolar-se, mas, sim, ficar só, no meio de tudo e de todos. Ficar só! Aí está a grande chave, uma poderosa chave, que abre muitas portas! 

*Transcrito a partir de uma fala  de um encontro online em fevereiro de 2012

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