sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Silêncio é a sua natureza verdadeira



O que é, afinal, aquilo que observa, que escuta, que percebe, que sente? O que é isso, afinal? O que é isso que vê? O que é isso que escuta? O que é isso que sente? O que é isso que percebe?

Quando o músico compõe uma música, a mesma possui um elemento fundamental sem o qual não há música. Esse elemento é o principal na música. Ele está claramente desenhado nas partituras musicais. Esse elemento é o silêncio.

A calma, o Silêncio, assim como na música, é o elemento principal de sua Natureza Real. Assim como as notas musicais aparecem, para compor a música com o som, nessa base imutável de silêncio, as percepções sensoriais, os movimentos mentais aparecem também nesse Silêncio.

Esse Silêncio é aquilo que, na Índia, eles chamam de Sat-chit-ananda: Ser-Consciência-Felicidade. A sua Natureza Real é Silêncio. A sua Natureza Real é calma. A sua Natureza Real é Sat-chit-ananda.

Assim como na música – onde isso nunca está ausente – também em todas as percepções, sensações, emoções, sentimentos presentes aí em você, nesse corpo-mente, esse Silêncio de sua Natureza Real nunca está ausente.

Mas você está sempre ocupado com o perceptível, com a sensação, com a emoção, ou com o pensamento. Estar ocupado com isso é estar insciente desse substrato, desse fundo, dessa base, disso que sustenta essas aparições momentâneas.

Na Índia, eles chamam de não dualismo, não dualidade. Essa não separação entre a experiência acontecendo e a base onde ela acontece é a não dualidade. Você não separa, na música, nessa melodia, nessa sonoridade, as notas e as pausas de silêncio. Os intervalos de silêncio são tão importantes, ou mais importantes... São importantes porque realçam as notas. São mais importantes porque as notas são possíveis nessa mesma base. Mas isso não se separa, jamais se separa. Essa não separação é a não dualidade. Não dualidade significa um sem o segundo, o primeiro sem o segundo.

Essa é a única Realidade, a única Realidade de sua Natureza Real. O problema é que você se vê como uma pessoa, porque existem particularidades neste mecanismo, neste organismo, que lhe dão essa sensação equivocada, falsa, ilusória de que você é alguém, porque tem um nome particular, impressões digitais particulares, memórias da história de um alguém particular.

Isso nada mais são do que pensamentos. Esses pensamentos são aparições nesse fundo imutável que é o Silêncio, que é a calma, que é essa Presença de sua Natureza Verdadeira.

*Transcrito a partir de um vídeo gravado em um encontro presencial na cidade de Campos do Jordão no final do ano de 2015

 

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