quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O fim do buscador é o fim da dualidade




Esses momentos, que nós estamos juntos aqui, são de investigação, quando podemos investigar esse assunto da Realização, como ele é chamado, o assunto do Despertar. Estamos investigando a verdade, ou não, a realidade, ou não, de todos esses problemas psicológicos, e esses programas internos. Nós, aqui, estamos investigando a realidade, a veracidade, a verdade disso. Isso, curiosamente, é algo que gira em torno de uma crença fundamental, que é a crença na “pessoa”, essa entidade separada.

Aqui estamos nos aproximando dessas falas para ver se isso é verdadeiramente real. Essa é uma crença convincente, forte, que vem sendo validada, vez após vez, devido a toda confiança que estamos dando a essa experiência "sentimento/pensamento". Aqui nós estamos desmascarando isso, estamos negando a verdade, a veracidade e a realidade disso.

Quando você vem, aproxima-se de Satsang, não vem para ver confirmadas as suas crenças ou ter, aqui, respostas para suas perguntas. Então, tanto suas crenças, quanto suas perguntas, são, todas elas, mentais. As suas crenças estão baseadas em imagens, em pensamentos, e suas perguntas também. Tudo isso faz parte dessa crença fundamental, que é a crença de uma entidade presente, passando por todo esse processo de sentir e pensar, pensar e sentir.

Você é real demais para si mesmo, para duvidar de que esse sentir/ pensar, pensar/sentir, seja verdadeiramente real, ou realmente verdadeiro. No entanto, aqui estamos questionando isso, que é uma singularidade ao estar em Satsang. Estamos, aqui, dispostos a investigar esse autoengano, que é como a maioria tem vivido e muitos estão vivendo. Nós podemos nos enganar por um tempo, até mesmo acreditando conceitualmente, teoricamente, que nada disso é real. Porém, se isso não passa de uma crença, cedo ou tarde, o sofrimento vai atravessar essa camada fina de crença  da "não dualidade", da "não separatividade, e logo ela irá se mostrar inapropriada. Essa crença irá se mostrar inapropriada e logo estaremos de volta a uma nova busca, a uma nova procura. Aqui, em Satsang, queremos descobrir a importância do fim da busca, mas de uma forma real, definitiva.

O fim da busca está no fim do buscador e, verdadeiramente, o fim do buscador é o fim da dualidade, essa dualidade onde existe "alguém" para encontrar algo; "alguém" infeliz para encontrar a felicidade; "alguém" em conflito para encontrar a paz; "alguém" em sofrimento para encontrar a bem-aventurança. Queremos deixar de lado todos esses aspectos e nos libertarmos desses conceitos teóricos, verbais; enfim, precisamos deixar tudo isso de lado, mas de forma definitiva.

É necessário nós contarmos com essa honestidade e essa confiança, para olharmos para tudo isso, para trabalharmos isso. Esta é a única e importante Realização em sua vida. A única coisa que você tem para realizar nessa vida é a Liberação! Você nasceu para isso! Você nasceu para deixar a ideia de ter nascido e de ter que morrer depois que nasceu. Em outras palavras, você não nasceu, mas acredita ter nascido, e precisa liberar, se libertar, ficar livre dessa ideia. Livre dessa ideia, você está livre da ideia de "ser alguém" - "alguém"  no corpo, que um dia vai perder esse corpo, nessa, assim chamada, morte. Mas isso precisa ser compreendido no Silêncio, de forma direta.

Você está sozinho para realizar Isso, porque só tem você em toda essa manifestação, em toda essa aparição. Aonde aparece o corpo, aparece o mundo e aqui está você, como um profundo e indecifrável enigma; aqui está você como um extraordinário, ao mesmo tempo, simples e divino mistério. Portanto, esses, assim chamados, problemas psicológicos, que nós chamamos de "sofrimento", por definição, só estão aparecendo dentro dessa ilusão, nesse sentido de "ser alguém".

A Liberação, ou a Iluminação, ou a Realização, esta Realização de Deus, como se chama Isso, é o fim dessa crença, é o fim dessa ilusão. É a Realização da Paz, do Amor, da Liberdade, da Felicidade, e isso não tem preço. À medida que nos tornamos conscientes – que aqui não é ter uma consciência pessoal, e sim ser Consciência,  assumir Consciência, assumir este "Eu Sou" –, e à medida que nos damos conta disso, esta ilusão de "ser alguém" no mundo, de estar dentro do mundo e sendo "alguém" dentro dele, sofre uma mudança radical. Essa experiência deixa de ser uma experiência "pessoal" e passa a ser somente a experiência da vida, a vida na experiência, mas não há "alguém" nisso.

Assim, você relaxa, sem resistência à vida e a seu movimento miraculoso, extraordinário, misterioso. Este belo movimento continua, mas não há resistência, não existe a tentativa de alterar, de mudar isso. Então, nesse relaxar, nesse estar quieto, uma mudança profunda acontece, já está presente, e o resultado disso é essa relação com o corpo, que muda completamente. A relação comum que a mente egoica tem com o corpo, é uma relação de apego, de desejo, de se encontrar fixada no corpo. Quando essa relação com o corpo muda, o corpo está presente, mas a ideia de "alguém", com essas fantasiosas exigências, supostas necessidades, desaparece; o ego desaparece, porque ele não pode mais encontrar residência, essa ilusória residência, no corpo.

Essa dependência psicológica, emocional, causa desses problemas, que nós chamamos de sofrimento, não pode mais encontrar espaço aí, então o sofrimento termina. O sofrimento precisa de "alguém" que possa dizer: "estou sofrendo, estou triste, estou em depressão, estou ansioso, estou preocupado, tenho medo, estou desejoso, estou aflito"... e assim por diante.

Portanto, ao relaxar dessa forma, o coração e a mente se libertam de toda essa agitação, e, quando digo "o coração e a mente", eu me refiro a esse simples mecanismo que opera com pensamentos, sentimentos e sensações... se libera dessa agitação e confusão, desse sofrimento e vício, dessa inquietude, dessa atitude defensiva ou ofensiva, que caracteriza grande parte da atividade da mente egoica e desse mecanismo, enquanto se mantém preso a essa crença, a essa contração. Na verdade, o ego carrega essa marca, e grande parte de suas atividades, centrada nessa ilusão, é o elemento que está sempre buscando agitação, confusão, sofrimento, preso a essa intranquilidade, atacando e se defendendo. O ego transforma qualquer coisa em algo assim, seja um relacionamento, um contato, uma experiência.

Aqui, juntos, nós estamos apenas observando isso, vendo essa ignorância fundamental, que é a ignorância a respeito de nós mesmos, sobre nós próprios, sobre esse "eu", sobre esse "você", que você acredita ser. Estamos aqui para realizar a Verdade sobre nós mesmos, para irmos além dessa crença, que causa essa ilusão, que separa pensador do pensamento, observador da coisa observada.

Externamente tudo continua como antes, aparentemente o corpo continua como antes, cumprindo suas funções, sujeito, naturalmente, às leis naturais, incluindo dor física e tudo mais, a fome, sede, etc. No entanto, o conflito não está mais presente –  conflito com base nessa resistência, na experiência corpo/mundo, na experiência mente/mundo/corpo. OK?

Vamos ficar por aqui? Até o próximo encontro!      


*Transcrito a partir de uma fala de um encontro online ocorrido em 18 de Janeiro de 2016

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