segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Este "eu' e o "mundo"




Onde estaria a sua percepção do mundo se não houvesse esse "mim"? Onde é que aparece o mundo? Onde o mundo é percebido? Sem essa percepção do "mim", onde o mundo surge? Onde estaria esse mundo sem esse "mim"? E, quando eu falo "mundo", eu falo tanto esse mundo objetivo, esse mundo de objetos que você percebe sensorialmente, como esse mundo subjetivo de pensamentos, emoções e sentimentos. O que seria desse mundo sem esse "mim", sem esse "eu"? O que seria do mundo sem você?

Vocês já experimentaram isso? Não estão dispostos a experimentar o mundo sem vocês? Por que você não experimenta o mundo sem o "mim"? Por que o beber água, ou o caminhar, ou o comer, ou o falar, ou o ouvir não podem estar presentes sem o sentido do "mim", do "eu"?

Agora há pouco eu ouvi alguém dizer: "o que é que você está me escondendo?" Eu estou lhe escondendo algo? Eu não estou aqui dizendo tudo para você? Vocês vêm a mim e dizem: "por que você não declara logo isso para eu ficar livre de forma definitiva, para eu viver essa liberdade de forma definitiva?" Aí, eu pergunto: O que é essa liberdade sem o "eu"? O que é essa revelação sem alguém para quem isso está sendo revelado? O que é só a revelação sem alguém? O que é essa liberdade sem o "mim"? O que é a água sendo bebida sem alguém nisso? O que é a experiência do mundo sem um "eu" dentro dele? A experiência do pensamento é possível sem você? A experiência do mundo é possível sem você? Tanto essa experiência objetiva do mundo, como essa experiência subjetiva, interna, acontecendo aí dentro do corpo, de coisas específicas ligadas a esse mecanismo corpo-mente... Assim como tomar água, caminhar, comer, falar ou ouvir... Isso é possível sem você?

Eu afirmo que sim!

Mas eu quero que você descubra isso por si mesmo. É a primeira coisa que eu proponho a você: descubra o que é a vida, o mundo, toda a experiência, fisiológica ou interna, assim chamada, psicológica, sem o sentido de alguém. A segunda coisa que eu quero que você constate por si mesmo, é que, quando “você” não está nisso, o mundo desaparece. Mas quando eu digo que o mundo desaparece, parece que fica mais complicado ainda porque, como pode desaparecer se, ao mesmo tempo, a experiência fica?

Você tem que descobrir como é isso! Como é essa coisa? Como isso acontece?

Tem sido difícil acompanhar isso pela fala em razão desse estreito contato que você está mantendo com o sentido de ser alguém nesses atos de beber água, de falar, de ouvir, de pensar (o que significa pensamentos aparecendo). Esses verbos de ação ligados a alguém – dormindo, comendo, falando, ouvindo, bebendo – estão sendo muito valorizados, você confia muito nisso.

Você pergunta o que é que eu estou guardando que ainda não te revelei... Estou revelando agora: pare de se colocar na ação! Pare de ser alguém na ação!  Já me disseram isso: "quando alguém se ilumina..." Ou seja, para você, até a iluminação é alguma coisa que você faz. Eu estou revelando o meu segredo: comer é uma ação, falar é uma ação, o pensamento acontecendo é uma ação – que você chamaria de "pensar" – caminhar é uma ação, mas eu lhe proponho não colocar um agente aí, dentro disso.

Você está assentado agora, me ouvindo? É assim? É isso? Assentado, me ouvindo, e me entendendo? Ok... Então, tem que se desabituar disso!

O que é o mundo? Onde o mundo está? Onde é que ele aparece quando você não está nele, quando "o sentar" é "o sentar" sem alguém, quando "o falar" é "o falar" sem alguém, quando há uma compreensão sem alguém? E isso é muito simples, só há a compreensão verbal, só as colocações fazendo um certo sentido, mas nada importante para alguém compreendendo, para alguém entendendo. Ouvir é o mesmo fenômeno: só ouvir sem alguém ouvindo. Assim é o fenômeno do olhar, é o fenômeno do sentir, todos os fenômenos.

Quando você entra com o pronome "eu", o que você quer dizer com esse "eu"? O que significa esse "eu"? Onde está o mundo sem esse "eu"? Vamos observar isso de perto? Vamos vivenciar isso? É o que eu estou lhe convidando a fazer. Isso se chama Satsang:  encontro com O que É!

*Transcrito a partir do trecho de uma fala de um encontro presencial em Dezembro de 2015 na cidade de Campos do Jordão - SP

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