quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Essa coisa tão terna, tão singela, tão simples, tão sublime, que é ser Natural!




O incrível é que estamos sempre dispostos a aceitar desafios, desafios tão complexos como o de dar continuidade a uma vida, a uma existência tão cheia de conflitos, cheia de temores, anseios e receios. É incrível esse tipo de desafio que nós aceitamos, pois isso é complexo demais. Não ser natural é muito complexo.



Assim, eu quero convidá-los esta noite, neste encontro, a olhar junto comigo essa coisa tão terna, tão singela, tão simples, tão sublime, que é ser Natural. Isso significa abrir mão do sofrimento, abrir mão do desafio complexo que é viver fora de si mesmo.



Vocês sabem o que significa viver fora de si mesmo? Significa viver dentro de um padrão que todos repetem dia após dia, após dia, após dia... O padrão da procura por alguma coisa não natural, que produz o conflito, o medo, a inquietação, e que nos lança para fora de nós mesmos, para esse tamanho e terrível desafio que é essa vida não natural, com base numa crença de que, através de um árduo e difícil esforço, nós conseguimos obter.



Eu falo dessa crença de ser "alguém". Quando você se depara com este momento, como nós estamos tendo aqui, que você se vê, se olha – poder dar a si mesmo esse momento de encontrar aquilo que você é – você descobre que isso é tão simples... Isso não requer esforço, não requer qualquer preparo. É como a própria respiração: acontece tão naturalmente que você nem está presente. Sua "presença" tem sido a causa deste desafio de não ser você mesmo, a causa da desordem, da confusão, da complexa vida em que você hoje se encontra.



Isso é tão simples que nos parece muito complexo. Nós fomos treinados, conduzidos, manipulados, induzidos a ver a vida assim: aquilo que é não natural é simplesmente aceito como padrão real da nossa existência e aquilo que é natural não é reconhecido tão claramente, tão naturalmente.



Assim, é muito bom estarmos juntos neste encontro, nesta noite, neste momento, descobrindo o absurdo desse tamanho desafio de ser não natural. "Temos que aprender sobre isso"... que coisa absurda! Isso é como ensinar um peixe a nadar ou um pássaro a voar. É como tentar ajudar o sol a iluminar o mundo ou tentar fazer com que a lua brilhe sozinha sem a ajuda de “alguém” chamado sol.



Eu estou aqui para dizer para vocês que nós não temos que aprender nada sobre isso. Ninguém pode ensinar a vocês isso. Você não precisa ser ensinado sobre isso. Assim como você não precisa pensar a respeito da respiração, não precisa ser ensinado a respeito daquilo que de fato você é! Podemos fazer um jogo com a palavra desafio aqui. O que acabo de dizer é que você não precisa desse desafio, que é o desafio de ser não natural, desafio este aceito, acatado e cultivado pela grande maioria de nós. Você precisa, sim, aceitar um desafio novo, e repito: para você não é bem um desafio, é o desafio de se desfazer do desafio, para que você seja você mesmo, para que possa desfrutar daquilo que você é.



Isso significa estar fora de casa sem sair de casa... Significa lidar com todos e com tudo à sua volta sabendo que cada coisa tem o seu lugar, mas permanecendo ali, em si próprio, em si mesmo, vendo naturalmente Aquilo que Você é.



Você é Silêncio! Você é Silêncio! Você é Silêncio...

*fala acontecida no mês de fevereiro de 2012 na cidade de Itaquaquecetuba - SP


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