sábado, 27 de fevereiro de 2016

A ilusão de todas as experiências de um eu




Neste Espaço Único, que é Liberdade, que é Consciência, que é Presença, nos deparamos com essa tentativa de comunicar, de colocar em palavras a importância do Silêncio. A natureza da mente egoica é estar na procura de uma experiência sempre mais ampla, mais profunda, mais significativa. Essa busca de preenchimento da mente, essa procura por uma experiência especial, é algo bastante comum. Então, a mente cria essa separação. Ela se separa como se fosse a consciência da experiência. Assim, nós temos duas coisas acontecendo para a mente: ela própria se separa em consciência e em experiência. Sua ampla, significativa, especial e profunda experiência, que ela tanto almeja, é essa ilusão de consciência e experiência. Essa é a ilusão da dualidade, da separatividade. Ela está sempre em busca de um pensamento elevado, profundo, sábio, inteligente, ou de um sentimento preenchedor, feliz, satisfatório. Termina que você vive sempre nessa procura de uma experiência objetiva, de uma experiência fora.

Você se considera aquele que pode capturar isso, chegar a isso. O detalhe é que, quando você faz isso, você termina obrigando a experiência a ser uma experiência pessoal, essa experiência ser a sua experiência. Isso é apenas a mente espelhando uma crença, fortalecendo esse sentido de separação. A mente, aí, tem criado essa separação, se dividindo entre consciência e objeto da consciência, entre esse que experimenta e aquilo que é experimentado, entre aquele que observa e aquilo que é observado, e tudo isso é apenas um jogo – o jogo da mente. Aí está a mente egoica, aí está a mente dualista, aí está a mente separatista, aí está o ego, esse forte sentido de ilusão (a crença da “pessoa”), sendo constantemente espelhado em toda e qualquer experiência, seja ela pensamento, emoção, sensação, sentimento, e assim por diante.

Colocando de uma forma bem simples: todo e qualquer pensamento agora, aí, passando dentro da sua cabeça, toda imagem, toda lembrança, trazem a ilusão de que existe essa experiência e aquele que observa, experimenta, sente essa experiência. É quando você, por exemplo, diz: “estou triste”, “estou deprimido”, “estou angustiado”, “estou chateado”, “estou aborrecido”. Então, a ilusão é que tem o aborrecimento para esse alguém aborrecido; tem a tristeza para esse alguém triste; tem a depressão para esse alguém deprimido. A ilusão é que há duas coisas distintas e separadas: o pensador e o pensamento; o experimentador e a experiência.

Espero não estar tornando isso complicado, porque isso é muito simples. A mente egoica se alimenta dessa ilusão. O sofrimento continua porque o pensador continua, o experimentador continua, a pessoa continua. E quando a mente alimenta essa ilusão de “ser alguém” – alguém sentindo, alguém pensando, alguém se lembrando, alguém imaginando, alguém planejando – ela confirma essa crença, mas isso não é Real

Não é possível o Amor, não é possível a Paz, não é possível a Liberdade, não é possível essa Alegria do Silêncio, essa Alegria que não é motivada, que não pode ser encontrada em experiências, enquanto essa ilusão estiver presente – essa ilusão da mente se separando como consciência e experiência da consciência – enquanto o ego estiver procurando uma experiência objetiva, enquanto a mente estiver se separando nessa procura de uma experiência abundante, plena, feliz, realizadora. Isso tudo é uma falácia, um grande movimento do ego. A Felicidade é algo presente quando o sentido de separação, o sentido do “eu”, do “ego”, esse sentido pessoal, termina. Essa Presença, essa Consciência, não é essa consciência da experiência, que é, na realidade, a mente se separando da experiência, se dividindo, mas essa Consciência Real, essa Consciência que não se divide, que não se separa, essa Consciência que é a Natureza do Ser, que é Você em seu Estado Real, em seu Estado Natural. É a própria Paz, é a própria Liberdade, é a própria Felicidade. 

Isso só é possível quando essa mente egoica não está se separando, não está se dividindo, não está agitada; quando há Silêncio na mente e no coração, esse Silêncio que é essa Consciência Real, que é essa Paz Real, que é essa Felicidade Real, quando Ela assume. 

Isso pode parecer um pouco confuso, a princípio. Quando tentamos capturar isso intelectualmente, fica muito confuso. É necessário estar quieto, é necessário ter essa Presença de constatação interna, essa harmonia interna, esse silêncio interno, essa não divisão. Não há duas coisas, não é possível que haja duas coisas como consciência e objeto presente nessa consciência. Tudo, na verdade, está aparecendo nessa única e Real Presença, nessa Real Consciência. Não é a consciência e este objeto da consciência. Não é a consciência do pensamento, não é a consciência do sentimento, não é a consciência da sensação. Temos apenas essa Presença, ou essa Real Consciência, na qual o pensamento aparece, a sensação aparece, o sentimento aparece e desaparece, enquanto a Consciência permanece imutável.

A natureza da Paz é imutável, a natureza da Liberdade é imutável, a natureza da Felicidade é imutável. Aquilo que você experimenta como felicidade, como paz, como liberdade, que vem e vai, é apenas uma experiência dual, uma experiência ainda da própria mente se separando. Então, a mente experimenta essa consciência da paz, essa consciência da felicidade, essa consciência da liberdade, assim como experimenta a consciência do pensamento, da emoção, da sensação, do sentimento, mas isso vem e vai. Isso ainda está dentro dessa dualidade, dessa ilusão, dessa separatividade. Estamos falando a você a respeito dessa Consciência Real, que é a Consciência Divina, que é a Consciência da Verdade, a Consciência de Deus. Estamos falando dessa Natureza Divina que você É, além da mente, além dessa separação, dessa separatividade, além dessa dualidade, fora dessa dualidade.

Todos juntos? Como você percebe isso? Como você sente isso? Ouvir uma fala como essa é como ouvir música; música sem letra. Quando você ouve uma música sem letra, você apenas fica com a música, com o som, não se preocupa com o significado. Música sem letra não tem significado. Ela transmite algo, mas é algo fora de qualquer significado intelectual. Essa é a minha recomendação, escutem dessa forma. Não se preocupem, a princípio, com esse entendimento. Deixem essa questão do entendimento de lado. Aqui, estamos em Satsang, nesse encontro, para sentir essa música e não para entender o seu significado. Sua Natureza Real, sua Natureza Divina, Aquilo que Você é aí dentro, não precisa aprender nada, adquirir nada, pois já traz Isso, já é Isso, já é essa Liberdade, já é essa Consciência Real , não dual, já é esse Amor, essa Paz, já é essa Verdade. É preciso parar de se confundir com o pensador; é preciso parar de se confundir com a mente. Quando eu digo “com a mente”, é com essa separatividade, com essa ideia de ser “alguém” vivendo essa ou aquela experiência.

Você não é o corpo, você não é a mente. Você é essa Consciência Real, essa Consciência Divina além do corpo, além da mente, além dessa consciência do objeto, além dessa consciência do pensamento, do sentimento, da sensação, da dor, da tristeza, da depressão, da ansiedade, do medo. 

Sua Natureza Real é esta Livre Presença, esta Presença Livre e de Paz.

Estamos chegando ao final desse encontro. Valeu pelo momento. Valeu pelo encontro. Namastê!

      
 *Fala transcrita a partir de um encontro online transmitido em 22 de Fevereiro de 2016 - 
Encontros todas às segundas, quartas e sextas às 22h gratuito no Paltalk - Participem!

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