quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O grande paradoxo divino



A Iluminação é progressiva e é instantânea. A Iluminação é paradoxal. Deus é paradoxal. Não pode especular isso e não há nenhuma necessidade disso. Você não tem nenhuma urgência disso e nem precisa ter, não pode ter, não há nenhuma necessidade de ter.

A Iluminação é paradoxal, Deus é paradoxal. O paradoxo desta Realização é que ela é instantânea e é gradual. O paradoxo dessa Realização é que a “entrega” é sua, a Entrega é de Deus, a Devoção é sua, mas a Devoção é de Deus por Deus. Nenhum pensamento sobre Deus acontece aí, se Deus não produzir esse pensamento acerca Dele mesmo, sobre quem Ele É. O desejo por Deus é o desejo de Deus por Ele mesmo. A sua salvação, não é a salvação sua, é Deus se reconhecendo como salvo, intocável, imutável, inatingível por qualquer aflição, sofrimento e perigo. Este é o paradoxo – paradoxo que Deus nunca se perdeu Dele mesmo, Ele não deseja se encontrar, mas Ele faz isso o tempo todo: se perde e deseja se encontrar. Ele jamais deixará de fazer isso, de ser um paradoxo.

Você não apressa uma flor a desabrochar, nem apressa uma fruta a amadurecer na árvore. Você pode tirar um botão e, na mão, abrir essa flor, como pode tirar uma fruta da árvore e dar calor ou condições dela amadurecer, mas isso é outra coisa. Iluminação não é como forçar uma flor desabrochar ou uma fruta amadurecer; não há essa fraude no Reino dos Céus, no Reino de Deus. Na dimensão da Consciência, isso não se aplica e não vai funcionar.

O Sábio não é uma flor que desabrochou por disciplina, práticas, estudos ou técnicas. O Sábio é uma flor que desabrochou, é um fruto que amadureceu no tempo da Graça. Nesta Graça, por Graça, não houve tempo, não houve técnica, não aconteceu absolutamente nada a fim de tornar Isso possível, ou que tornou isso possível numa dimensão fora da Graça, nessa técnica, habilidade e disciplina, ordem ou força fora da Graça.

“Nem por força, nem por violência, mas pelo Espírito, diz o Senhor.” (Zacarias, cap. 4,6)

Fala do Mestre à mesa do refeitório do Ramanasharam Gualberto em Campos do Jordão no mês de Janeiro de 2016

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