quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O fim da ilusão de um "eu" experimentador - Satsang




Não há você, mesmo, nisso que está acontecendo agora, nesse momento. Não há você. Não tem você nisso. Quando você aparece, o conflito aparece, o sofrimento aparece, a rejeição, a revolta. É quando você aparece na experiência. A experiência acontece sem você, mas você quer acontecer na experiência. Quando você quer acontecer na experiência, você aparece como "alguém" fazendo uma experimentação. Aí, naturalmente, o desejo surge e, com ele, todos os problemas que você tem.

Todos os problemas que você tem estão aparecendo nisso, estão surgindo nisso, nessa ilusão; na ilusão de que você está presente, na ilusão de que você está aí, na ilusão de que você está acontecendo... Acontecendo como o diretor dessa coisa, desse episódio, desse instante, desse momento, desse acontecer.

Descarte isso! Descarte essa ideia, porque é só uma ideia. Aí, o sofredor desaparece, o conflituoso desaparece, o medroso desaparece. Quando o conflituoso não está, não há conflito. Quando o medroso não está, não há medo. Quando o experimentador não está, não há experiência para "alguém" particular. Temos só a experiência como acontecimento, mas não temos, depois, lembrança disso. Não podemos fazer disso uma história carregada, aí, uma memória.

Então, você é livre. Você é essa Liberdade. Você é essa Liberdade do experimentador em toda e qualquer experiência acontecendo. Você é a Liberdade do experimentador.

Eu não estou dizendo que o experimentador é livre! Eu estou dizendo que não há experimentador! Então, você não é o experimentador. Então, há Liberdade desse ilusório experimentador.

Você vem me contar um sonho... Contar um sonho para mim é como contar um dos feitos do Papai Noel ou da Branca de Neve ou algo que você pode me contar sobre o Mickey Mouse. Para mim, não tem importância sua lembrança, sua memória, seu passado, sua história.

E, para você, não deveria ter qualquer importância também. Você só dá importância a isso porque se julga o experimentador da experiência, como se tivesse experimentado isso, como "alguém" experimentado o sonho, ou experimentado a memória. O sonho, assim como a memória, é algo sem importância, quando não existe a ilusão do experimentador nessa coisa.

Então viva! Viva sem o experimentador. Viva sem carregar esse momento para o momento seguinte. Viva sem se importar com o que foi, sem se importar com o que virá, porque tudo está passando sem o experimentador, e sem ele não tem qualquer importância mesmo. Então, você é Livre! Você é Liberdade!

Vocês vêm a Satsang não é para se tornarem livres. Vocês vêm a Satsang para descobrir que são livres! Satsang não vai lhe dar Liberdade. Satsang vai lhe mostrar a Liberdade! Há uma diferença aí...

Você não vai ao salvador para ele salvá-lo. O Real Salvador é aquele que lhe mostra que não há "alguém" para ser salvo - essa é a única salvação. Salvação é o fim da ideia de "alguém" para se salvar. Não há do que se salvar, assim como não há do que se livrar. Há apenas a ilusão de ser escravo, a ilusão de estar perdido. O perdido quer ser salvo, e o prisioneiro quer ser livre. Mas não há prisão, não há prisioneiro; não há perdido, não há salvo.

A sua Liberdade é essa: ser o que Você É! E o que “Você É” é o que acontece como essa experiência sem alguém aí. É o que eu chamei, agora há pouco, de olhar via coração e ouvir via coração. Se você olha via mente, ou escuta via mente, a ilusão continua: a ilusão de "alguém" experimentando, a ilusão de um experimentador...

Ok?

Transcrito a partir de uma gravação de um encontro ocorrido no Ramanashram Gualberto na cidade de Campos do Jordão em novembro de 2015
 

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