terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Este Eu Sou: A única realidade




Você não tem dedicado sua vida a essa investigação, a essa exploração. Você não tem dedicado a sua vida com empenho, com dedicação, com fervor, com foco, a essa Realização.

Essa Realização é a constatação do que está presente sendo Aquilo que Você É, sendo Isso que Você É: essa imutável, indescritível, inominável Presença, que é a Verdade, a Verdade do que Você É, a Verdade que é Você, a Verdade que não aparece ou desaparece como acontece com os objetos, com os pensamentos, com as sensações, com as emoções, com o corpo... O corpo aparece no nascimento, e desaparece na morte. O pensamento aparece quando surge, e desaparece quando vai embora. Uma emoção aparece quando acontece nesse organismo, nesse mecanismo, nesse corpo-mente, e desaparece quando vai embora. Não é assim a Verdade que é Você. Essa Verdade que é Você não é uma aparição.

Você está aqui para, com afinco, com aplicação, com dedicação, com fervor, com foco, com toda a energia do seu coração, com toda a energia do seu ser, tomar ciência e consciência de quem é Você. Saber que Você nunca teve pai, nunca teve mãe, nunca teve irmãos. Saber que o panorama que aparece no quadro não é a tela.

A tela está presente antes da aparição do panorama. Antes da pintura, antes da paisagem, antes do panorama, está a tela. Mesmo se a paisagem, a pintura, for destruída, a tela pode ser tratada novamente, pode se recuperar ainda aquela pintura, aquele panorama, ou podemos desistir do quadro, mas a tela continuará lá. Podemos jogar outra tinta sobre essa tela e teremos uma nova visão, um novo visual, uma nova aparição, um novo quadro, mas isso não vai mudar a tela. A sua história é a pintura, é o panorama, é o quadro, é a paisagem. A tela que não muda é o que não nasce, o que não morre, é o que é anterior a qualquer história, que pode permanecer sem nenhuma história.

Nós temos uma grande preocupação com o destino do planeta. Eu lhe pergunto: a mente conhece seu próprio destino? Quando você acorda pela manhã e lembra de um sonho que teve à noite, por quanto tempo você continua com essa lembrança do sonho? Era só um sonho! Se ocupar com a história é se ocupar com aparições, as quais estão aqui, agora, e daqui a pouco não estarão mais.

Há um poder, e esse poder é aquele no qual o planeta, a mente e o corpo também aparecem. É esse poder que cuida do corpo, da mente e do planeta. Quando você assiste a um filme e se preocupa com os seus personagens, você se torna apenas um personagem também para viver os dramas daquela história. Mas, se você pode assistir a um filme sabendo que um filme é só um filme, e que aquela história toda, a história daquele filme, todo enredo daquele filme, vivido por personagens, são só aparições em uma tela que não muda, você não se confunde com um personagem ali. Se você não se confunde como um dos personagens ali, você não vive mais o drama ou a comédia, ou o terror, ou o, assim chamado, romance, o amor daquela história cinematográfica, é quando você pode constatar que a tela permanece. Ela estava lá antes do filme.

Assim é você. Você estava aí antes de nascer e permanecerá aí antes de tudo. Antes da própria aparição dos seus pais, antes da própria aparição dos seus avós, dos seus bisavós, você já estava aí. Só não se lembra, porque não pode. Você não pode se lembrar. A lembrança é da história. A tela não precisa se lembrar. Ela não se lembra de nenhum personagem que passou por ela, de nenhuma das histórias de vida em seu fundo, em sua base, em sua realidade.

Está claro isso?

Aquilo que está fora do tempo não precisa do tempo. O pensamento está no tempo, relata o tempo, descreve o tempo. O pensamento fala de passado, presente e futuro. Você é a Verdade, é a única e suprema Realidade. Você é a tela antes do panorama, da cultura, da paisagem, do quadro, ou antes de qualquer história, de qualquer personagem, de qualquer enredo, de qualquer drama, comédia, romance de um filme.

Quando você vem me ver, eu o convido a se reconhecer como a Verdade, e a Verdade é: Eu Sou! Não é "eu sou isso" ou "eu sou aquilo". Não é "eu sou a cadeira", ou "eu sou essas flores", ou "eu sou essa casa", ou "eu sou esse corpo", ou "eu sou essa história", ou eu sou casado, solteiro, sou filho, sou pai, sou mãe, sou avó, sou avô. Você é a Consciência! Você é a Presença! Você é Deus! Você está fora do tempo.

É isso que eles chamam de Iluminação. Não é ter uma ideia sobre isso, é ter isso claro. Esse "Eu Sou" que tudo é, esse "Eu Sou" que nada é, esse "Eu Sou" que todas as aparições são, sem exceção, esse "Eu Sou" que nenhuma dessas aparições é. Absolutamente, nenhuma delas.

Assim, Deus não criou o mundo como alguém cria, que vai lá, desenha, depois pega o material e constrói aquilo que quer. Deus não criou o mundo assim. Deus é o mundo, o mundo é Deus, e Deus continua anterior a essa aparição.

Nesse sentido, o problema não é a ideia "eu sou o corpo", mas esquecer que nesse "Eu Sou" não tem só esse corpo, tem todos os corpos. As formigas são parte desse “Eu Sou”, os mamíferos são parte desse “Eu Sou”. O elefante enorme e a formiga também são esse “Eu Sou”. Não há nada separado desse “Eu Sou”, e, no entanto, essas aparições nesse “Eu Sou”, desse “Eu Sou”, não mudam. Não mudam nada.

Assim, se despreocupem com relação ao planeta. Você não pode destruí-lo. Você não pode se destruir, gerar qualquer prejuízo no universo, na existência. Deus nunca vai perder nada. Ele sempre continuará anterior a esse "você" que você acredita ser.

Quero convidá-lo a abandonar essa ilusão, a ser o que, de fato, Você É. Aí está o fim do mundo, o fim dos tempos, de todos os tempos. Aí está o fim da humanidade, o fim do planeta Terra, o fim da Via Láctea, o fim da galáxia, o fim de todas as galáxias do universo. Aí está o fim. Aí está o princípio de tudo. Aí está Você, em sua Natureza Real. Aí está Deus!

 Transcrito a partir de uma gravação de um encontro ocorrido no Ramanashram Gualberto na cidade de Campos do Jordão em  novembro de 2015


3 comentários:

  1. " Eu" tenho acompanhado seus "ensinamentos" há uns 5 dias apenas, mas já estava estudando a filosofia advaita vedanta há alguns meses, entao encontrei "você" vocês que o mundo é e não é uma ilusão, até ai tudo bem, mas se tudo no mundo é uma manifestação de Brahmam, da Consciência, como fica a questão da nossa individualidade no mundo, não existe? Eu como pessoa não existo? E o mal que se manifesta no mundo? Se eu tiro a vida de um outro ser, foi quem que tirou?

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    1. O mais alto ensino aqui presente é o silêncio, a quietude, o voltar-se para a fonte, a autoinvestigação, a meditação e a entrega a sua real natureza. Quem é que faz perguntas sobre a individualidade? Porque perguntas a respeito de tirar a vida de um outro ser, esta é sua intenção? Sua realidade? Quem afinal, aí, quer saber de alguma coisa? Acredita que é possível o saber? Em Satsang, dentro de encontros presenciais é possível investigar isso para valer, portanto, fica aqui o convite. Não estamos interessados em respostas verbais, muito menos demonstrar o que é ou o que não é, aqui, neste jogo de palavras... Grato por nos escrever.

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