quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A mente falsifica a realidade




A mente carrega uma necessidade para se manter constantemente, se fortalecendo. Eu falo da mente egoica. Ela carrega uma necessidade de se fortalecer, momento a momento. E eu quero chamar a sua atenção para esse ponto: aquilo que você está vendo acontecer a sua volta está sempre, pela mente, sendo traduzido, sendo interpretado, por uma questão de necessidade dela. Ela precisa interpretar, traduzir, nomear, etiquetar o que acontece. Isso é uma necessidade da mente egoica. Você traz essa necessidade aí dentro. Você vive desatento a essa necessidade. Essa desatenção dessa necessidade é o que nós chamamos de inconsciência. A natureza da mente é carregar essa necessidade de interpretar, de traduzir.

Agora, por exemplo, é um dia de sol e a mente diz: "gosto desse dia". Mas ela diz: "gosto desse dia" imaginando que o dia não poderia ser tão bom, porque esse "bom" para ela é o dia de sol. E ela imagina um dia diferente, um momento diferente, um momento onde não há sol e sim chuva. Então, quando ela diz: "hoje o dia está bom", "hoje o dia está maravilhoso", ela está dizendo: "eu não estou satisfeita". É só o que ela está dizendo. Ela está dizendo: "aquilo que acontece precisa de um sugestão minha. A minha sugestão é que está bom mas podia ser melhor". Ou "está bom mas poderia não estar bom".

Você tem esse condicionamento. Todos nós carregamos esse condicionamento que é o "modus operandi" da mente egoica. Ela vê o que acontece e traduz. Ela vê o acontece e interpreta. Ela vê o que acontece e faz uma leitura. E essa leitura é a sua necessidade de se manter, sempre, sabendo, sendo responsável, ou podendo mudar, ou entendendo o que, de fato, ela vê a sua volta.

Isso é uma patologia que nós aceitamos como algo natural. Eu tenho enfatizado isso em Satsang. Isso é algo comum, mas não é algo natural. Não é algo natural em seu Ser. É algo comum em seu comportamento. É algo natural na mente egoica. Não é real. Real é a visão do que está presente, do que se mostra sem um fundo que traduz, interpreta, julga, avalia, mede consequências.

O meu convite para você é um convite para viver sem ego. Ego, aqui, é esse sentido de separação que a mente cria quando julga o que acontece, quando compara o que acontece, quando faz uma leitura do que acontece, quando ela interfere com essa necessidade que ela tem de se separar da experiência presente. Ela se torna, assim, o sensor.

É assim que, no ego, você se comporta. Você se comporta preso a essa identificação.

Isso é inconsciência. Esse é o modelo de desatenção que a mente carrega. Se a sua pergunta é: como viver livre da ilusão da separatividade? Se essa é a sua pergunta, a minha resposta é: traga atenção porque, nessa atenção, essa desatenção – que é esse modelo, esse modo, essa forma que a mente tem de ficar sempre vendo através de uma fórmula, de um modelo – isso desaparece. Essa desatenção de Ser o coloca nessa ilusão de ser alguém – que eu acabei de chamar de patologia. Uma patologia comum: a patologia de ser alguém.

O que acontece ou o que é presenciado, nesse instante, está completo. Mas não está completo na visão particular dessa mente separatista, dessa mente que sabe, dessa mente que escolhe. O que ela faz? Falsifica a realidade. Ela cria uma sobreposição a essa verdade, a essa realidade, a esse acontecer, a esse acontecimento.

Quando isso está presente em você, e o que acontece – nós podemos falar um pouco mais sobre isso depois: você e o que acontece – aí está o sentido de separatividade. Aí está o sentido de alguém. Algo necessário na mente egoica, desnecessário em sua Real Natureza, naquilo que, de fato, Você É.

*Transcrito a partir de um vídeo gravado em um encontro no Ramanashram Gualberto em Campos do Jordão em dezembro de 2015

 

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