sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A aflição de ser alguém: A inconsciência e os pesadelos




Todos vocês têm a clara constatação do Estado Natural, livre dessa ilusão de alguém presente sentindo, fazendo, pensando. Todos vocês experimentam Isso, mas esquecem rápido. Isso não tem nenhum valor para a mente egoica. Quando Isso está presente, o ego não está. O ego não aprecia o não-ego e não pode, pois não teria condições de apreciar Isso. É quando você está em paz – mas uma paz sem motivo, uma paz não buscada, não procurada, e que, simplesmente, aparece num dado instante, num dado momento... 

Em sua vida há um certo momento em que há paz, mas o ego não aprecia essa paz. O que é que a mente egoica faz? Ela diz: “está tudo muito calmo, tudo está muito quieto, não dá para ficar assim... Eu vou ver um filme no Netflix! Eu vou ligar para fulano! Hoje à noite, eu vou sair para jantar”. Você não precisa de jantar, não precisa ligar para fulano, nem precisa de um filme – nem no Netflix, nem no cinema, porque você está em Paz! Mas, em Paz, você é ninguém...

É assim, ou não é?

Você está tão bem... sem pensamento. Você está tão bem que nem consciência tem de um pensamento passando, tal é o relaxamento e a tranquilidade, tal é a desidentificação natural com a mente egoica. E, no entanto, um pensamento surge, e esse pensamento é imperioso quando diz: “e aí, vai ficar sentado aí? Levanta! Vai fazer alguma coisa! Abre a geladeira! Lembra da torta que está lá, esperando você? Lembra que fulana trouxe um bolo ontem?”

O pensamento surge aí, cria um desejo, cria um movimento, e lá vai você para aquilo que você chama de prazer... Ou não chama de nada, não dá nome. Mas há um movimento, e esse movimento é sair dessa quietude, desse silêncio, desse relaxamento, dessa não-mente, para algo. Há essa aflição de ser "alguém"... Essa aflição de estar fazendo algo, acessando o Facebook ou comendo alguma coisa.

Você me perguntou sobre o pesadelo. Pesadelo é o desespero de não poder controlar, de sentir que perdeu o controle, como acontece no estado de vigília. No estado de vigília, quando você sente que não está no controle de alguma coisa, você sofre. Então, você se conflita, se apavora, se assusta; você tem medo, treme diante disso. A sensação de não estar no controle, no estado de vigília, é um pesadelo. E a sensação de não estar no controle, durante o sonho que você tem à noite, também é um pesadelo.

Você pergunta para mim por que os pesadelos continuam e lhe respondo: porque você não relaxa nem dormindo. Vocês não estão entediados de fazer isso no estado de vigília. Não estão entediados, ainda, de querer assumir o controle no estado de vigília, e, aí, têm que levar isso para a noite, enquanto dormem. Isso explica os seus pesadelos.

O desejo de controlar seu estado de vigília reaparece de novo, enquanto você dorme. Na verdade, a mente se expressa naquilo em que ela sente mais liberdade para se expressar. Essa liberdade que a mente tem para se expressar é o condicionamento de fundo que ela carrega. Durante o sono, a mente tem uma liberdade inacreditável de autoexpressão, e ela mesma não se submete a um autocontrole criado por ela própria. Ela solta as rédeas; não tem censura. A medida da cura, o tratamento e a cura para o sonho no sono profundo, é parar de sonhar no estado de vigília.

Agora mesmo, você está sonhando quando uma imaginação surge e ela o carrega. Você não tem consciência disso. Isso não volta para você, como uma memória, porque é tão habitual estar nesse estado que ela não causa nenhuma impressão forte, a ponto de voltar e se repetir como uma imaginação no estado de vigília. Isso está acontecendo o tempo todo, mas no sono isso causa uma forte impressão e pode ser recordado no estado de vigília – coisa que, às vezes, nem sempre é bem recordado, e, às vezes, também é esquecido. Felizmente! Felizmente!

Pare de sonhar no estado de vigília que você não vai ter problema com qualquer sonho no estado de sono profundo.

É isso aí!

Transcrito a partir de uma gravação de um encontro ocorrido no Ramanashram Gualberto na cidade de Campos do Jordão em novembro de 2015
  

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