sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Quem Sou Eu?

 

Vocês consideram o fazer de "alguém" fazendo. Para você, o fazer é "alguém" fazendo. Para mim, só há "o fazer". A ideia de estar presente nesse "fazer", fazendo, é uma ilusão.

Você não tem o poder de fazer, no entanto, tem o poder de imaginar ser o fazedor, de estar fazendo. Esse poder de imaginar isso ainda é "do fazer". Você acredita que é o autor das ações, e eu digo que só há ações, que não tem nenhum autor nisso.

Eu o convido a soltar a ilusão de ser "aquele que experimenta" o que acontece. Se essa ilusão cai, a ilusão de ser o autor da experiência desaparece; a ilusão de ser o "fazedor" desaparece.

Você acredita que paga suas contas, que vai para o trabalho e que trabalha. Você vai para o trabalho, trabalha, ganha dinheiro e paga as suas contas. A sensação, para o experimentador, é de que uma coisa vem após a outra. Você é o "ator principal", nesse cinema que você chama de "sua vida", entretanto, isso tudo está acontecendo por esse "fazer". Esse "fazer" é a Vontade Divina se levantando pela manhã, indo para o trabalho, trabalhando, ganhando dinheiro e pagando as contas. Você é só a ilusão de "alguém" presente nessa experiência e, portanto, sendo o autor dessas ações.

Isso é só um hábito de pensar, um modo condicionado de pensar, uma crença. Só há uma ação acontecendo, e ela não é sua. Essa ação é da Consciência, que não se separa como experimentador e experiência, como ação e autor das ações.

Se eu perguntar a você: quem é, então, que se levanta pela manhã, que se dirige ao trabalho, trabalha, ganha dinheiro e paga as contas? A sua resposta será clara. Qual é a sua resposta? Quem é que se levanta pela manhã? “Eu”. Mas, onde está esse "eu"? Está na ilusão de estar localizado dentro do corpo, precisamente, dentro da cabeça, tendo 1,70m, pesando 85kg.

Você se identifica com o corpo, mas quem é que se identifica com o corpo?

Nessa experiência "eu sou o corpo", surgem todas as demais experiências, que criam essa ilusão de um autor dentro da experiência. No entanto, não tem "você". Se houvesse "você", você controlaria os resultados dessa experiência, como experimentador. Mas você não tem controle sobre os resultados dessa experiência.

E é fácil a gente verificar isso. Você pensa o que quer? Alguém aqui pensa o que quer e quando quer, faz o que quer e quando quer? Você pode prever o resultado de suas ações, as consequências delas? Se você pudesse fazer isso... Mas você não pode fazer isso...

Você imagina as consequências de suas ações. Imagina ter o poder de fazer o que quer, de pensar o que quer e de poder se livrar dos pensamentos quando quer. Você pode imaginar tudo isso, mas isso também é só um pensamento, uma imaginação, que, por sinal, você acredita que, também, é sua imaginação. Mas você, também, não tem o poder de imaginar, como não tem o poder de pensar, nem de agir. Isso só acontece. O pensamento acontece, a imaginação acontece.

Há um Poder que levanta esse corpo, aí, da cama, pela manhã, leva-o para o trabalho, coloca-o trabalhando; coloca-o pensando, recebendo pelo trabalho, pagando suas contas. Há um poder fazendo isso.

Você está alienado de si mesmo, quando acredita que é "alguém" nessa coisa toda.  Estar alienado é não estar consciente da Consciência de tudo isso; da Consciência, que é a Presença de Deus em tudo isso. Eu não tenho como provar isso para você. Há como você investigar a sua incapacidade, a sua não-condição, o seu não-poder de controlar essa, assim chamada, "sua vida".

Você pode investigar isso e responder a pergunta: "Quem Sou Eu?" Nessa resposta, você descobre que não há um perguntador, e isso é o fim da questão; é o fim da ilusão de "alguém" aí... O fim da alienação!


*Transcrito a partir do trecho de um Satsang em Novembro de 2015 no Ramanashram Gualberto na cidade de Campos do Jordão

 

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