domingo, 27 de dezembro de 2015

Meu convite é para a Realização de Deus!



 
Estamos mais uma vez juntos nesse encontro. Esses momentos são uma grande oportunidade de termos uma aproximação da Realidade, da Verdade presente. A Realidade, a Verdade presente, não exclui nenhum acontecimento, seja ele externo ou interno, e o conflito se dá quando existe uma reatividade a esse movimento, quando não se dá espaço para esse movimento, quer ele seja externo ou interno. Portanto, nós temos em encontros como este um momento em que descobrimos o que significa dar espaço para isso que acontece.

Nós temos perdido o contato com a Realidade. A mente não tem nos permitido esse contato, e nós fomos crescendo, habitualmente, fora desse contato com a Realidade. Nos seus primeiros seis meses, a vida estava com toda liberdade de se apresentar a você. Era um momento de descobrimento, um momento de descoberta, um momento de constatação da experiência, da pura experiência, ainda sem o filtro desse elemento que nós conhecemos hoje – o intelecto ainda não tinha se apresentado nesse cenário. O contato com a realidade externa e interna acontecia com toda liberdade. Logo você cresceu... chegou aos 7 meses, 1 ano, 2 anos, 3 anos, e isso foi ficando cada vez mais distante, e o intelecto foi assumindo o lugar.

Esse elemento natural da mente, que é o intelecto, aparece no cenário traduzindo, julgando, comparando, avaliando, somando, subtraindo, dividindo. Mas não fica só nisso! O elemento cresce também, porque esse elemento busca sobrevivência, se identifica com o corpo, assume logo um nome e uma identidade. Então, temos no cenário esse elemento, que hoje está presente aí, completamente alienado da Realidade. A Realidade é aquilo que acontece externamente e internamente. Alienação é a ideia, a crença, o juízo de valor dessa entidade presente nesse experimentar, no experimentar da Realidade. Então, aquilo que acontece internamente e externamente não é suficiente para este sensor, para este juiz que avalia, julga e bate o martelo.

Aqui, nós estamos colocando para você como realizar aquilo que Você é, o que representa sair dessa alienação, ir além dessa alienação de um “eu” particular, de uma entidade presente nisto que acontece, quer no mundo externo ou no mundo interno. Existe algo que eu quero falar com você nesse encontro, sobre isso. Quero lhe colocar qual é o elemento principal dessa alienação; mostrar-lhe porque que, hoje, nós não damos espaço para essa Liberdade de ser quem somos, de ser aquilo que verdadeiramente somos; porque nos mantemos assim, alienados, fora desse Espaço, que é Beatitude, Amor e Liberdade, desse Espaço atemporal, desse Espaço fora do tempo, que somos nós mesmos. Nós somos esse Espaço, e, no entanto, estamos nos perdendo nessa alienação, nesse conflito com o que acontece exteriormente e internamente, em razão desse elemento separatista que imaginamos ser.

E qual é o elemento principal em tudo isso? Nessa fala, eu quero trabalhar isso com você. Qual é o elemento principal que mantém, sustenta e coloca estabilidade nessa ilusão de separação, nessa ilusão de uma entidade presente, dentro do corpo, olhando para o mundo, percebendo o que acontece externamente, ou olhando para dentro, percebendo impressões internas, e se separando? Quando ela se separa, ela não dá espaço, ela não é esse Espaço, não abarca esse Espaço. Eu quero lhe dizer, primeiro, que você é esse Espaço! Você é esse Espaço que acolhe o que acontece exteriormente e internamente, sem conflito. Sem conflito significa sem resistência, e sem resistência significa sem esse peso que produz todo conflito.

Estou dizendo que você é esse Espaço de Beatitude, de Amor, Paz, Liberdade, que nós chamamos de Consciência, ou Presença, mas em razão desse elemento que separa essa Presença, essa Consciência, esse Espaço, você está em luta, está em guerra, está em sofrimento, em conflito com a vida como ela se apresenta, como ela se mostra. Então, o pensamento está aí, e esse é o elemento principal dessa ego-identidade.

O pensamento é o modelo da imaginação acerca do que acontece, tanto externamente quanto internamente. Enquanto você estiver se identificando, se confundindo, acreditando nesse elemento presente, toda desfiguração estará acontecendo, toda resistência estará acontecendo, todo esse modelo programado estará acontecendo, e isto é a alienação da Realidade.

O pensamento é esse elemento, com o qual o sentimento anda de mãos dadas. A sua confiança no elemento “pensamento-sentimento”, a sua crença nele, a sua identificação com ele, a sua valorização, é a base de uma existência, de uma vida completamente imaginária, e isso, infalivelmente, manterá você nessa ilusão da separatividade. Aí está a pessoa que você acredita ser, e aí está o mundo que você acredita ver, presenciar, vivenciar e dele participar.

O ego presente é a alienação da Vida em sua Graça, em sua Beleza, em sua Liberdade, em sua Felicidade. Isso jamais será possível para você enquanto se mantiver preso a esse círculo do pensamento, sentimento, emoção, sensação, eu, o mundo e os outros. Esses elementos formam esse círculo vicioso, o círculo que possui um centro imaginário: uma entidade que está nessa experiência “pensamento, sentimento, emoção, sensação, eu, o mundo e outros”. Isso é o que você acredita ser sua vida. Então, sua vida está centrada, toda ela, nesse círculo.

Assim sendo, não há esse Espaço de profundo acolhimento a tudo que acontece exteriormente e internamente. Esse acolhimento é o reconhecimento de que só uma e única Vontade predomina, prevalece, acontece, e, nela, a Graça é Soberana. Curiosamente, você não está separado disso. Você é essa Graça, essa Vontade Soberana, esse Espaço. Quando esse elemento “pensamento- sentimento-emoção-sensação-eu-outros-mundo” não tem mais nenhuma importância, só o Espaço tem importância, e esse Espaço é Silêncio, esse Silêncio que acolhe mesmo o som presente. Por mais barulhento que ele seja, ele também é acolhido como algo acontecendo externamente, ou internamente, sem causar nenhum conflito, porque não há resistência; ele não é parte do elemento “mundo”. Outros não podem perturbar, com o seu som, esse Silêncio que Sou em minha Natureza Real, porque esse Espaço é Soberano, esse Espaço é Graça, esse Espaço é Presença, esse Espaço é Silêncio, esse Espaço é Beatitude, é Felicidade, é Amor, é Paz.

Alguns de vocês ainda não compreenderam isso. Meu convite é para a Realização de Deus! Realização de Deus, em outras palavras, é a constatação desse ilimitado estado de Beatitude, de Bem-Aventurança, Graça, Silêncio, no qual toda vida é possível. Quando eu digo “toda vida é possível”, quero dizer que há lugar para tudo, tanto para o bem quanto para o mal; tanto para a Verdade quanto para a não-verdade; tanto para a vida quanto para a morte; tanto para a saúde quanto para a doença; para pensamentos ou não-pensamentos; sentimentos ou não-sentimentos; e não importa a qualidade desses sentimentos, assim como não importa a qualidade desses pensamentos, nem a medida, o valor ou a altura do som, ou a ausência total do som, ou mesmo sua espécie. Esse Espaço é profundamente generoso.

Alguns de vocês não compreenderam isso. Estou convidando você para entrar profundamente neste instante, neste acolhimento daquilo que acontece, sem o conflito, sem o drama, sem o dilema e sem a resistência que o pensamento produz. O pensamento é, de fato, um elemento muito importante nesse círculo. Eu comecei tratando com você, a respeito desse círculo, logo pelo pensamento. Quando eu disse: “pensamento, sentimento, emoção, sensação”, estava dizendo que o pensamento é a base disso tudo. É o pensamento que cria tudo isso. Sem o pensamento, não há mundo; sem o pensamento, não há outros; sem o pensamento, não há uma ideia sobre sensação, não há uma ideia sobre emoções, não há uma ideia sobre sentimentos; sem pensamento, não há uma ideia sobre o que é o pensar. Agora mesmo, nesse instante, se não há pensamento, fica esse Silêncio de profundo acolhimento, algo que acontece quando você está profundamente presente como esta Presença que Você é, como pura Consciência. Não há o elemento “eu”, esse elemento “mim”, não fica qualquer história, nenhum pensamento, nenhuma ideia passa nesse instante. Nesse momento, o mundo termina, o outro termina... A emoção de alguém não tem importância quando o pensamento não está validando isso, dizendo que isso é desse “mim”, que é importante para esse “mim”. Então, é só uma emoção, é só uma sensação, é só um sentimento, é só uma aparição do “outro” ou do “mundo”. Assim, se não há ninguém como uma entidade presente no centro desse círculo, o que fica é o Espaço ilimitado e indescritível de pura Presença, de pura Realidade.

Por isso comecei a fala colocando para você que só há essa Realidade, que se apresenta externamente e internamente. Esse círculo desaparece nessa totalidade de Ser, nessa totalidade que é Consciência. Isso é Meditação! Meditação não é ficar de pernas cruzadas, cantando um mantra ou respirando de certa forma. Meditação é assumir esse Espaço de pura Consciência, de pura Presença, o que significa estar profundamente agora com o que é, com o que se mostra.

Estranho isso? Maluco isso? Será maluco o que eu digo, ou será maluca a sua vida, nessa alienação de ser esse “alguém” que você acredita que é? Vocês não estão ouvindo um palestrante. Não sou um orador profissional. Estou apenas colocando algumas coisas para vocês acerca de como a Vida se mostra a Ela mesma quando o elemento “eu” não aparece, quando esse elemento “mim” não está presente.

Meu convite é a esta natural Felicidade de ser o que Você é: esse Espaço, esse Silêncio, essa Presença. Eu quero convidá-lo a trabalhar isso, a estar, entrar, mergulhar profundamente neste momento, e olhar a partir disto, ouvir a partir disto, falar a partir disto. Se algum pensamento passa, ele só passa, assim como o sentimento ou a emoção, e, a partir disto, não há nenhuma entidade presente assumindo, conclusivamente, qualquer ideia a respeito. Então, estamos diante do que somos, e a vida não está separada disso. Isso significa um estado de Presença, de pura Consciência, de pura Atenção. Assim, a vida é suave, não é desafiadora. A vida é algo muito desafiador para aquele que acredita que está presente e que pode controlar; para aquele que se considera um soldado, alguém que tem que vencer, “matar um leão todos os dias” – esse é o ditado. Quando você se considera “alguém”, Deus está muito longe. Deus é “alguém” a quem você tem que rezar para livrar você dessa sua batalha, dessa sua luta, desse seu desafio, livrá-lo de todos os conflitos, de todas as barreiras, de todos os impedimentos, de todos os obstáculos, das garras e dos dentes desse leão que você tem que matar. Tem que matar todos os dias! Você se levanta da cama e sai de casa para lutar. Esse é o sentido de uma existência separada, algo tremendamente estúpido.

A minha música, a minha canção, é um convite para a calma desta Presença de Ser, onde Deus está cuidando de tudo e você é completamente dispensável. Você é o conflito, o dilema, o problema, o desafio. Você é o leão contra o qual você mesmo luta. Você quer matar esse leão, quer se livrar desse leão, mas não entendeu ainda, não compreendeu ainda. Um dia, Cristo disse: “Vinde a mim todos vós que estais cansados, sobrecarregados, pesados e oprimidos, e eu vos aliviarei, eu vos darei descanso, porque o meu peso é suave e o meu fardo é leve”. Um dia, Ramana disse que o homem é como aquele que entra no trem e continua com a bagagem nos ombros. O trem dá a partida e ele esquece que esse trem o leva com a sua bagagem. Ele não precisa carregá-la. Ele poderia pegá-la e colocá-la no bagageiro, mas insiste em ficar com a bagagem nos ombros. Assim são vocês quando nos encontramos pela primeira vez. Fica muito claro para mim quando eu olho em seus olhos e vejo a importância de ser alguém, essa entidade tão significativa, tão autovalorizada, tão egocentrada... no centro mesmo... desse círculo vicioso chamado “vida humana”.

Eu quero lhe dizer que o meu Guru me deu isso! E, em sua Graça, Ele está aqui lhe dando isso também! Jay, Jay Bhagavan! Jay, Jay Gurudev! Ao Cristo, a honra, a glória e o louvor, pelos séculos dos séculos, dos séculos, dos séculos. O Senhor está em seu Santo Templo! Cale-se diante Dele toda a Terra! Que todos os joelhos se dobrem e repitam a uma só voz: “Só o Senhor é Deus!”.

Vamos ficar por aqui? Namastê!

*Fala transcrita a partir de um encontro online em 09 de Dezembro de 2015 - Encontros online às segundas, quartas e sextas às 22h

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário

Compartilhe com outros corações