terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Essa Realidade Suprema que é Você





Este é um momento de encontro com a Realidade. É mais um momento com a Presença, em que estamos diante dessas palavras vivas. As palavras, em Satsang, nascem desse ponto, que não é particular.  Esse ponto é aquele “lugar” que chamamos de Consciência, Presença. Você, mais uma vez, se depara com uma fala direta assim.

Satsang é o encontro com a Verdade, o encontro com a Realidade, é o momento de estarmos juntos, de nos aproximarmos dessa constatação. A coisa básica, nesses encontros, é aquilo que temos colocado para vocês: a ilusão desse pensamento, desse sentimento, que mantém essa base equivocada – a base de alguém presente. Nós estamos aprofundando isso, trabalhando esta compreensão experiencial, aquilo que eu chamo de constatação direta. Esta compreensão experiencial, esta constatação direta, é a certeza de que não existe esta entidade separada. Isso causa um impacto muito grande, muito real, aí dentro de você; gera um efeito profundo na vida daquele que está em Satsang.

Isso não é um entendimento intelectual. Há tantos professores por aí... Você já deve ter passado por muitos deles, mas, neste momento, você não está mais interessado nisso. Vocês estão trabalhando, em Satsang, essa compreensão experiencial, esse efeito significativo em suas vidas. O entendimento intelectual, a compreensão intelectual, o mero conhecimento verbal, não transforma ninguém. É preciso este Saber, Ser, Sentir direto, e é isso que você tem diante de uma fala como essa em Satsang. Aqui, você não está ouvindo um professor, um teórico. Não tratamos de teoria, mas deste contato direto, experimental, com a realidade do seu próprio Ser, este Ser não dual, este Ser impensável, indizível, essa Realidade Suprema que é Você em sua Natureza Verdadeira.

Qual a base da sensação da seperação?

A base é a inconsciência. Você nasce inconsciente, cresce inconsciente, se torna adolescente, jovem, casa, tem filhos, se torna avô e morre totalmente inconsciente, carregando esse sentido de separatividade, todo conflito que a vida representa para essa ilusão da separação. Pura inconsciência! Despertar ou Realizar Deus, ou Iluminação, é este florescer da Consciência. O estado comum do homem, o estado habitual do ser humano, é de inteira e completa inconsciência. A vida, nessa inconsciência, é conflito e sofrimento. Essa é a natureza da mente egóica. Repare que o meu convite a você para esse mergulho em sua Natureza Autêntica, Real, é para que perceba, compreenda e sinta por si mesmo – não intelectualmente, pois isso é impossível, mas experiencialmente e diretamente – que Você não é uma entidade separada.

Este “Você”, ao qual estou me dirigindo, é a Consciência. Esta Consciência onde as flores, o sol, as estrelas, o mar com suas ondas, as pessoas no seu consultório, no seu escritório, seus clientes, amigos, vizinhos e parentes aparecem. Nada está separado disso que Você é! Esses são só nomes, que a mente entende como entidades e coisas separadas do que é Você, mas este é o equívoco, a ilusão. Tudo está acontecendo em Você, aparecendo em Você, nisso que Você é. Você é a Vida!! Tudo está aparecendo em Você! Você é o carro que dirige, o próprio pneu do carro que fura, o próprio prego nesse pneu... Você é essa Consciência, na qual o universo inteiro aparece! 

Toda a sua miséria e infelicidade estão em sua própria cabeça, não em sua vida. Estão nessa mente ilusória, separatista; nessa mente e suas crenças. Sem isso, não há conflito, não há medo e não há sofrimento. O medo só é possível quando o sentido de separação está presente. Se você não está separado do viver e do morrer, não há medo. A vida e a morte, a saúde e a doença, o negativo e o positivo, surgem como aparições naquilo que Você é. Além de ser tudo isso que acabamos de colocar, Você está além de tudo isso, está além de todas as aparições, está além do próprio corpo e suas funções sensoriais que percebem o pneu e o prego no pneu. Você está além dos sentidos, além da experiência “mente, corpo e mundo”. 

Eu sei que parece bastante absurdo tudo isso. 

Participante: Dá um nó.

Mestre: Este nó também é uma aparição nisso que Você é. Uma benção.

Uma aproximação real disso faz com que todos os seus sentimentos, percepções, que antes surgiam e eram vistos de uma forma assustada, agora comecem a ser vistos de uma forma completamente diferente. Antes, seus sentimentos e pensamentos só confirmavam a sensação de ser alguém. Agora, mesmo com todo esse absurdo, essa estupidez da mente egoica e o que ela apronta, você olha para tudo isso e sabe – tem este Saber, Ser, Sentir – que tudo é só um sonho. Não existe nenhuma experiência separada desta Verdade última.

Todos que vêm a mim hoje são convidados a esta Felicidade. A constatação de Deus presente é pura Felicidade, Amor, Paz e Liberdade. Satsang significa o encontro com a Felicidade – a única Felicidade possível – que está nessa Realização disso que Você é, no qual toda Vontade Divina aparece; as, assim conhecidas, boas coisas, ou as coisas ruins, tristes, estúpidas e absurdas, como a crueldade, a violência, o terrorismo e todo sofrimento.

Uma vez que essa ignorância fundamental é exposta e fica clara, esses pensamentos, sentimentos e também as atividades motivadas por essa mente egoica, por toda a loucura dessa ilusão, desse sentido de separação, começam a “cair”, começam a se desvanecer, pouco a pouco. Mesmo que ainda apareçam pensamentos, atividades e sentimentos impulsionados por essas vasanas (tendências latentes da mente egoica em seu equívoco) eles não conseguem mais ser alimentados por este equívoco fundamental de que há alguém nisso, e, então vão se desvanecendo, pois já não há como manter essa continuidade. Então, a mente fica inteiramente livre dessa confusão, de toda ansiedade, de toda mentira, de toda ilusão, de tudo aquilo que sempre caracterizou sua continuidade, seu movimento.

Portanto, eu recomendo: não se confunda com os pensamentos, eles não são reais. Todos os pensamentos são uma fraude, uma ilusão. 

Quando isso acontece aí dentro, quando isso está claro aí dentro de você, o mundo não é mais um potencial de paz, de amor e de felicidade. Isso não é só mais uma coisa imaginária que produz ainda mais peso, mais culpa e mais sofrimento. Na verdade, o mundo agora é experimentado de uma forma direta, a vida é experimentada de uma forma direta, algo que é vivido no íntimo. Você não está mais em um mundo hostil, você está agora num mundo vivo, vibrante, amigável, cheio desta Presença Divina, com a certeza de que essa Graça está cuidando de tudo, que está tudo certo, tudo no lugar. Então, conhecer o mundo é ser o mundo, e ser o mundo é amar a Vida, e amar a Vida é estar além de um mundo imaginário, um mundo criado pelo pensamento, um mundo colorido por conceitos, crenças e ideias, um mundo carregado do peso da dualidade, da separatividade.  A vida sem esse peso, o mundo sem esse peso, é esse “Conhecer-Ser”. 

Quarenta e uma pessoas nessa sala e, no entanto, uma Única Presença, uma Única Realidade, uma Única Consciência, uma Única Verdade. 

Vamos ficar por aqui? Grato pela presença de todos. Namastê!


*fala transcrita de um encontro online via Paltalk na noite do dia 23 de Novembro de 2015

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário

Compartilhe com outros corações