quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A crença de que você é alguém dentro do corpo



Nós temos uma oportunidade única aqui nesse encontro. Temos a Graça de estarmos juntos, aqui, nesse trabalho, saindo desse modelo comum. Nós estamos saindo desse modelo que pressupõe uma existência: a presença de "alguém” independente dos objetos, independente do mundo. Este é o modelo comum que nós conhecemos, que é o modelo de todos - o modelo da existência de uma identidade separada. O problema que você enfrenta enquanto este modelo permanece, persiste, é que, por se imaginar assim, você tenta encaixar essa imaginação à vida, e ela não se encaixa. Você presume que, entre as coisas separadas de si, você é uma delas, sendo especial, sendo uma pessoa. A palavra “coisa” dirigida à pessoa soa muito ofensiva. 

Assim, estes encontros são belas oportunidades para investigarmos a ilusão desse modelo que jamais se encaixa à vida. A vida é não dual. Ela é dual na expressão, mas é não dual na essência. Quando digo que na expressão ela é dual, é porque nela você encontra a vida e a morte, o positivo e o negativo, a saúde e a doença... E tudo aquilo que parece antagônico, na verdade, só parece, mas, em essência, estamos falando da mesma Realidade, da mesma Presença, que se expressa nesse ou naquele organismo. Aqui, você está saindo desse modelo, dessa existência independente, separada, dessa ilusão, para uma compressão real, não separatista, não dual. 

Você imagina coisas, pessoas, objetos e o mundo separados. Então, você vive em uma multiplicidade de coisas. Você é uma parte de toda essa engrenagem, uma peça dessa grande máquina. Para você, o universo é uma máquina muito complexa, e ele se constituiu, no seu todo, em diversas partes, que se unem, se encaixam, através da criação de um Deus também separado. Um Deus separado criando peças separadas de um universo separado de si mesmo, e, naturalmente, com um observador também separado, nessa observação: você. Alguém que, por sinal, é muito especial, muito importante. Aqui está a ilusão! Aqui está o modelo que pressupõe a existência separada de objetos, coisas, pessoas, universo, Deus e um experimentador que pode experimentar tudo isso. Então, você presume que as rochas, plantas, mares, rios, animais, insetos e pessoas são todas existências separadas, e estou dizendo, em Satsang, que você está apenas diante de um filme, de um todo que carrega uma única Presença, e que não há objetos, nem pessoas, nem coisas, nem mundo, nem Deus, nem observador e nem coisa observada, porque nada disso é real, isso é só um modo de conceituar uma única aparição. Eu sei que soa estranho isso, mas é assim. 

Essa única aparição é possível nessa única Consciência, nessa única Presença, e Você, como Consciência, Presença, Ser, é onde tudo isso aparece. Como Consciência, é em Você que o universo está aparecendo, ou esta aparente multiplicidade de coisas, pessoas, lugares, mundo, observador, coisa observada, e assim por diante... Você é a essência de toda essa manifestação existencial! 

Nós separamos também a essência de uma existência, mas isso é só uma forma de falar, de colocar, pois isso também não é real. A essência é a existência, a existência é a essência, não há nenhuma separação. Isso está além da mente. 

O ponto é que, aqui, isso não é algo teórico, conceitual, verbal, é algo essencialmente vivencial. Vivenciar isso é estar nesse "experimentar", livre do sentido de dualismo. Essa tem sido a experiência única de todos os sábios, de todos os tempos, de toda a história humana. Isso significa ver o universo por dentro, significa estar no coração do universo; e universo, aqui, é só uma palavra para essa aparente multiplicidade que se manifesta aos sentidos, como diversas e diferentes expressões de uma única realidade. O que se escuta parece ser muitos sons diferentes; o que se vê parece ser muitas cores diferentes; os objetos parecem que têm formas, texturas e densidades diferentes; mas isso parece assim a esses sentidos físicos, que também não estão separados, só parece que cada um funciona de certa forma. 

Nós estamos convidando você, em Satsang, para ir além desse sentido de dualidade, para ir além desse modelo, como coloquei agora há pouco, que pressupõe uma entidade presente experimentando tudo isso como um experimentador. 

Estamos falando dessa única Consciência, Presença, Ser, que é Você em sua Real Natureza, que não se relaciona com nada disso. A experiência de se relacionar com isso é baseada numa crença: a crença de que você é alguém dentro do corpo e o corpo é algo separado do que Você é. Eu estou dizendo que a Consciência não se relaciona com o mundo, com o corpo e com a vida. A Consciência é o corpo, é o mundo, é Deus, é tudo e não é nada. É possível constatar isso abandonando esse modelo de ser alguém, de estar ocupado consigo mesmo, numa relação completamente ilusória com um mundo externo, com uma vida externa, com uma existência separada. 

Eu estou dizendo que a Consciência não conhece nenhum objeto. A mente é separatista, a mente de um "eu", dessa pessoa aí, com um nome, uma forma, com certo número de anos, com um corpo específico de 1,80m ou 2,00m, que pesa 130kg ou 84kg, mas isso não é real, é só uma aparição. 

A ilusão que nós temos é de que o cérebro é importante para mantermos a Consciência, mas este cérebro é só uma aparição, também, nessa Consciência. A Consciência não tem relação com o corpo, mas o corpo e o cérebro aparecem nessa Consciência. Você não é o corpo, e está além do cérebro. Você é essa Consciência que está além do próprio mundo. Essa é a sua Natureza Real! Você é Consciência! Você é Deus! 

O que é Real? 

Você falou da sua avó... Você acredita que a sua avó foi real e que ela chegou antes de você, e eu estou lhe dizendo que a sua avó aparece em Você, seu bisavô também, sua tataravó também... 

O corpo que você teme perder é algo tão real como aquele corpo que você teve no sonho de ontem à noite. Aquele corpo que você teve no sonho de ontem à noite desapareceu, e isso não o afetou em nada. Assim é a sua avó, o seu bisavô, nessa ideia de que eles chegaram antes de você. 

A única realidade é essa que está presente nesse instante como sua Natureza Real. 

Alguma pergunta? Bem, de qualquer forma, chegamos ao final do encontro de hoje. Namastê!

*Transcrito a partir de uma fala de um encontro online ocorrido em 30 de Novembro de 2011 - Encontros as segundas, quartas e sextas às 22h - via Paltalk

 

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