terça-feira, 17 de novembro de 2015

Viver sem ego não requer esforço algum


Participante: O presente, sem a noção do tempo, é o presente sem a história, é simplesmente aquilo que É?
Mestre: "É o que É" - "o que É" no qual você não tem importância nenhuma, e isto porque: "o que é você"? Uma imagem, uma autoimagem, que vem sendo sustentada pelo pensamento, pelas historinhas que o pensamento conta: isso é o ego. Então reparem: viver sem ego é muito simples, é muito natural, não requer esforço nenhum. Agora, esforço requer viver alimentando isso, o que é um esforço enorme; é estar ocupado demais; é muito trabalhoso. Por isso, quando eu digo para vocês que eu decidi viver numa preguiça, num ócio total, é isto: não quero mais me ocupar com coisa nenhuma que não seja Aquilo que Sou, e como Eu Sou Aquilo em que tudo acontece e não acontece, que vem e vai, prefiro ficar Aqui. 
Participante: Mestre, e o pensamento funcional, sobre o que o senhor já falou? 
Mestre: Você não se ocupa com isso.
Participante: Mas parece que a gente não vai ter memória, se ficar só nesse presente, sem se importar e sem ter esses pensamentos... 
Mestre: Você não precisa da memória, nem desse pensamento funcional! A memória não é assunto seu, assim como o pensamento funcional e as batidas do coração. Quem criou isso, está trazendo isso à tona, que cuide disso. Deixe isso por conta dessa Consciência que move tudo, faz tudo do jeito dela, e sempre estará certa, porque cada coisa sempre terá o lugar que tem que ter. O pensamento funcional será assim, o sentimento será assim, as batidas do coração serão assim, a memória funcionará assim. Não é a memória "para alguém", "de alguém"; é só a memória, assim como é só o pensamento e são só batidas do coração. Mas tudo isso não está acontecendo para alguém, não está a serviço de alguém, e sim está a serviço da Existência, que cuida disso, e você é completamente dispensável. A pessoa que você acredita ser é completamente dispensável. 
Agora mesmo, a fala está acontecendo, mas tem alguém falando algo? É só a ilusão de que algo está sendo dito por "alguém", para "alguém" que, supostamente, acredita estar aí ouvindo. Mas só tem o ouvir, assim como só tem o falar, e isso não é obra de "alguém", e sim um trabalho da Existência. Só há Deus, Consciência, Presença, o nome que você queira dar, para Esse que usa o pensamento, para Esse que usa a memória, para Esse que faz o coração bater, para Esse que fala e para Esse que escuta. É só Ele! É Ele lá, sem separação! É Ele lá, sempre Ele.
Eu decidi ser O que Sou, e eu não falo de mim, eu falo de você. Assuma ser o que você É, e permita tudo ser O que É. A beleza disso é que nisso há uma liberação indescritível, que não é a liberação de "alguém"; é só a liberação da suprema Liberdade, da suprema Alegria, da suprema Felicidade, do Silêncio, da Graça.

*Transcrição de um trecho de um encontro em Recife em Agosto de 2015

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