quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A Profunda Confiança em Sua Real Natureza


É aqui que está aquilo que é o fundamento. Uma vez que já tenha sido vista a coisa toda, você está na direção real. Não há nada ou alguém nisso. É que por um bom tempo essa ideia, a principal ideia, nesse mecanismo aí, neste "corpo-mente", de um alguém fazendo ou não as coisas, parece ter assumido o controle. Portanto, é normal que a mente ainda insista em tentar segurar algo. É exatamente isso que chamo de “trabalho”, o qual está acontecendo sem você.

Aqui, é apenas a entrega - a profunda confiança em sua Real Natureza - que importa. Deixe a mente, ou o que resta dela, continuar no seu joguinho de busca de território. Deixe-a fazer o que sabe fazer bem, ou acredita que sabe.

A mente, quando você está aqui, neste espaço chamado Satsang, já está desmascarada. Quando falo em trabalho e entrega, sinto que muitos não pegam isso de imediato. A mente sobrepõe a isso diversas ideias confusas. Aqui, você não existe para fazer ou não fazer qualquer coisa, pois tudo começa e termina em Graça.

A coisa é só ficar perto, ficar dentro, com o coração nisso, e tudo vem naturalmente. Não há palavras para expressar isso que acontece nessa Presença, em Satsang. É algo real, simples, natural, revelador... 

Ficamos algum tempo, inconscientemente, negociando com isso e querendo a coisa da nossa forma. É preciso simplicidade, ou continuaremos em nossas próprias conclusões de como a coisa acontece, ou deve acontecer, e tudo isso é somente um jogo da mente ainda, ganhando tempo.

Toda a existência está sendo atraída para este constatar. Em alguns, a coisa chega a um ponto em que nada mais pode causar distrações. Isso chega, geralmente, num momento de grande desespero, de desejo de abandonar tudo, e naquele momento há uma súplica de coração: o pedido para encontrar uma saída. Até que chega o grande momento de Deus aparecer na forma do Guru. Antes, brigávamos com essa ideia. Agora, não é mais uma ideia, é um fato inegável. Deus faz como quer, sempre. É assim, e não há mais nada a dizer, nem para si mesmo, nem para outros.

O que vivemos diretamente é inquestionável, a mente não pode mais nos convencer de que estamos enganados ou sendo vitimas de uma fraude, ou de mais uma ilusão. Como disse Papaji: "Ao encontrar o Guru, diga com simplicidade: Senhor, como posso ser livre? Como realizar essa liberdade?” Ele também acrescentou: “Somos muito arrogantes... Sem essa simplicidade, nada disso é possível”.

Ser “ninguém” é não ser arrogante. Simplicidade é naturalidade. Olhe para uma criança... Ela nada sabe sobre isso de ser simples, isso é natural. Esse é o ponto da Graça. Tudo é uma Ação Divina
 
 *Trecho de uma fala ocorrida no Rio de Janeiro em Setembro de 2012
 
 

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