terça-feira, 3 de novembro de 2015

A opressão do mundo desaparece neste espaço chamado Satsang



Parece que as religiões e os ensinos espiritualistas produzem mais miséria, porque você, a cada dia, se sente mais culpado, mais longe, mais distante da Verdade. E com vocês, aqui, em Satsang, é o contrário: quando vocês vêm, sentem-se vivos, e querem voltar de novo. Vocês não ficam pesados, não pensam em se suicidar. Interessante, não é? Vocês não querem sair daqui e se suicidar. Vocês não se sentem mais miseráveis, mais culpados, mais mortos. Vocês ficam mais vivos, mais leves, mais confiantes de que está tudo certo, que tudo é assim mesmo. Esse peso, essa opressão que o mundo causa, desaparece aqui nesse espaço chamado Satsang. Você se sente acolhido pela Graça, acolhido por Deus, pela Verdade. É engraçado isso. Como você explica? 

O mundo não é seu, você não o criou. Você não tem responsabilidades, porque você não é alguém. Você pode usar esse pronome “eu” ao se referir a si mesmo, mas você precisa saber o que ele significa para saber usá-lo, porque ele não é pessoal. Eles dizem que é um pronome pessoal, o primeiro pronome, mas não é. “Eu” não é um pronome pessoal. Eu... Aí está a origem. É preciso identificar esse “Eu”, identificar que lugar ele tem. Quando você identifica esse “Eu”, o lugar que ele tem, você se “desidentifica” dessa ilusão de um “eu” particular e pessoal. Aí, você pode usar o “Eu”. O Sábio sabe que esse “Eu” é tudo, então ele pode usar esse “Eu”, porque nele está você, está ele, estão todos os pronomes!

Só Deus pode usar o pronome “Eu”, pois só Ele É. Quando Deus falou com Moisés, a sarça ardia em chamas, mas ela não se consumia pelo fogo. Ele tinha essa visão da sarça ardendo, mas ela não era consumida e, naquele momento, Deus disse: “Eu Sou me enviou a vós!” É o único que pode usar o que é conhecido por nós como um pronome, mas que não é um pronome pessoal. Aliás, nós tornamos tudo pessoal. Para nós, a pessoa é importante, e o que a pessoa faz é tornar tudo dela, para ela. 

Um dia alguém perguntou a Ramana: “Por que aqueles que se aproximam de você, com o tempo, ficam tão semelhantes a você?” Ramana sorriu e disse: “Só tem Eu! Só tem Eu em toda parte! Eu, eu, eu...” A ilusão não está no “eu”, a ilusão está na crença de que tem o outro, os outros, o mundo.

*Trecho de um encontro na cidade de São Paulo em Setembro de 2015 

 

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