quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Compreensão e Silêncio é a Sua Natureza Real


Esse Silêncio é a minha fala! A minha fala é o seu barulho. Quando faço barulho, eu uso da sua fala. Quando uso da minha fala, eu não preciso falar - Eu fico em silêncio. Na verdade, quando o Sábio fala é para distrair você, com o barulho que a sua mente produz, fazendo uso da linguagem que ela conhece bem. É só para distrair a sua mente, porque, na verdade, a fala do Sábio não está acontecendo quando ele faz todo esse barulho. A fala Dele está acontecendo por detrás de toda essa “zoeira”, que são as palavras.  

A compreensão termina com as palavras. Quando há compreensão, não há palavra, nenhuma palavra. Pessoas se comunicam porque não são reais. A Verdade não se comunica, a Verdade não é dual. A Verdade não tem nada a comunicar, nada a dizer, nada a falar. Você volta a mim em razão da Verdade, daquilo que o Silêncio expressa. É isso que lhe dá compreensão. Enquanto a mente se preocupa com o entendimento, a Consciência, como Verdade e Silêncio, é pura Compreensão.

E quando eu digo “Compreensão”, não é uma compreensão entre dois. Entre dois não há compreensão, só há entendimento, porque entre dois só existe comunicação. Compreensão é o fim do entendimento e não acontece entre dois, só acontece em Silêncio. E você volta a mim porque fica fascinado pela compreensão que o Silêncio traz. Isto porque Compreensão, Silêncio, é a sua Natureza Real, é a Natureza do Sábio, é a Natureza da Consciência, é a Natureza do Ser. Você ama esse silêncio, porque esse Silêncio é você. Nesse Silêncio há pura Compreensão. Há pura liberdade. Nesse Silêncio há paz, Verdade.

Eu estimulo as pessoas a fazer perguntas, porque é só o que as "pessoas" podem fazer: perguntas, barulho! Olhe para você (pessoa): agora ela não é tão importante, não é muito importante. Por isso as perguntas vão cessando, vão desaparecendo... Elas vão desaparecendo com a pessoa desaparecendo.

O que você acha que eu entendo? Se você quer experiência e conhecimento, você tem que ir a um especialista. Se você quer constatar a sua Natureza Real, que é Silêncio, aí você vem a Mim. Se você quer ter respostas para suas perguntas, vá a uma "pessoa" entendida,  um expert, especialista. Se você já cansou disso, e é a Verdade que você procura, a Graça traz você a Mim, ao Silêncio. 

É animador saber que você não precisa de nenhuma especialização para realizar aquilo que você É. É animador saber que você não precisa de nenhum conhecimento, de nenhuma experiência e de nenhum entendimento para realizar Aquilo que você É. É animador... Até eu tive chance (risos), que dirá você!  

A vaquinha de Ramana, a Lakshmi, teve chance. Por que ela teve chance? Porque ela, diante de Ramana, não ouvia suas palavras. Ele não estava interessado em palavras. A vaquinha, diante de Ramana, não só a vaquinha, mas os macacos, os esquilos, todos que se aproximavam Dele, até as árvores das quais Ele se aproximava, podiam ouvir o Silêncio, a fala do Sábio, a Compreensão, a Sabedoria, a Verdade, como você queira chamar Isso. Porém, não chame, jamais chame, de entendimento. Não faça isso. Não se trata de entendimento, e sim de Compreensão, que silencia o pensamento e toda a necessidade de comunicação. Satsang sempre será algo fascinante, porque você não tem que “adquirir” nada, dentro dessa coisa chamada Satsang. Em qualquer outra parte você faz sempre algo para “obter algo”. 

O que é fascinante em Satsang é que é o único lugar que, no intelecto, não vale à pena você entrar, porque ele vai ficar perdido. Será algo tão inútil quanto a crença de que você é "alguém" ali para adquirir, aprender ou obter alguma coisa. A alegria de estar aqui, que você vivencia, você a vivencia pela compreensão que aparece, se apresenta, manifesta-se Nisso que você É, como Aquilo, como a única coisa presente, também, na figura do Guru.

Eu digo às pessoas: façam perguntas! O que eu estou dizendo para elas? Mostrem-me o barulho que vocês trazem. Eu estou dizendo para cada uma delas: "eu quero ver o barulho que você traz". Elas não sabem, mas eu estou estimulando-as a se expressarem, até elas perceberem a estupidez que é ser uma "pessoa" em um espaço chamado Satsang. Assim, elas desistem. Quando eu digo “elas desistem”, eu digo: a mente delas para de tagarelar, pelo toque da Presença, do Silêncio, que traz essa compreensão. São sempre os discípulos novos que fazem mais perguntas, e por quê? Isto porque ainda acreditam, quando chegam, que podem aprender, entender ou ver alguma coisa com o intelecto. 

O amadurecimento do discípulo é algo diretamente proporcional à constatação dessa inutilidade que o intelecto tem, dentro dessa coisa chamada de "visão da realidade", Compreensão, Verdade, Silêncio. 

Como acompanham isso? Ouvindo? Só o ouvir? Ou esse ouvir aí ainda tem um fundo de barulho, quando compara isso com alguma coisa que você já ouviu antes? O barulho do pensamento tentando ajustar isso a um quadro já conhecido? Como você escuta isso? É só o escutar? Nenhum desejo de capturar Isso, apanhar, e  torná-lo claro para si? Como você escuta isso? É só o ouvir, o que eu chamo de Pura Compreensão, sem o “compreendedor”, ou tem "alguém"  aí? 

Participante: eu acho que a diferença entre a conclusão e a compreensão vai ficando bem nítida, quando se percebe que a conclusão é acompanhada de um esforço. Por exemplo, através de uma fala sua, eu concluo que estou fazendo algo de errado, crio uma regra de conduta, e percebo um padrão a partir de uma conclusão. E aí eu vou ter um esforço para cumprir aquela conclusão, para me livrar daquele padrão. E a compreensão se dá e aquilo vai embora sem nenhum esforço. É instantâneo. Eu percebo que o esforço é um excelente indicador de que o que aconteceu foi uma conclusão, foi uma coisa mental.

Mestre: em outras palavras, há um experimentador segurando a experiência do ouvir, do entender.  

Participante: eu percebo dois movimentos. Um movimento em que o Senhor está falando e aí é só o escutar, olhar; um outro em que o Senhor está falando e a mente começa a querer capturar, e a própria mente diz para sair daí e voltar para o coração. Isto, que parte da própria mente, é não natural, uma coisa forçada; é uma cobrança para ficar no coração, enquanto que o outro movimento é natural. 

Mestre: o outro movimento acontece sem você. Por isso é total. O que eu recomendo é: olhe para mim e me escute. O resto eu faço! Eu disse só isso. Não coloque mais coisas. Eu disse “olhe para mim e me escute”.  E aí a mente vem e diz: “escute, entenda, guarde as palavras, faça as ligações, veja onde você está errando, falhando”.  

Eu não disse nada disso. Eu disse “olhe para mim e me escute”. Só isso. Disse, também, “o resto eu faço”. Isso não vai requerer nenhum esforço seu. Eu creio que o trabalho maior que vocês têm, que é  o que eu exijo que vocês façam, que é o único que eu sei que vocês podem fazer, é vir me ver... É ficar por aqui. Isso não é complicado. É só ter uma disciplina mínima, de saber que os nossos encontros não podem ser substituídos por outros encontros. Você não pode substituir esse encontro que nós temos por um casamento, um batizado, um churrasco, uma festa de amigos, ou seja, essas coisas que a mente constrói para nada, para ser importante, sentir-se importante.

Então você vem, fica aqui, escuta a minha fala e olha para mim. Se tirar alguma conclusão da minha fala, eu vou ter paciência, mas não diga que eu disse o que você está dizendo que Eu disse. Diga: "eu entendi o que você disse", "eu entendi o que Ele disse", mas não diga que Eu disse, porque isso é só uma conclusão sua. Isto é uma coisa que Eu vou negar até o final. Eu não estou dizendo nada. Vocês ouviram minha fala. Eu não disse nada agora.

*Transcrito de um encontro presencial na cidade de Fortaleza em Agosto de 2015


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