quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Este é o único lugar e nada mais importa!





Quando não há desejo, o que é que está faltando? Quando não há pensamento, o que é que está fora do lugar? Quando não há escolha, o que é melhor?

Quando não há padrão, o que é certo e errado? Quando não há crença, o que pode ser imaginado? Quando não há história pessoal, quem está aí sofrendo ou tendo algum problema? 

Quando você não é importante, o que é que na sua vida é importante? O que é que, para você, tem real importância, quando você não tem nenhuma? O que é que pode fazê-lo sofrer, se você não se importa com nada? 

Se você vive sem expectativas, como é que pode se frustrar? Qual o problema de ter planos, se você não é dogmático quanto a isso? Se você não quer mudar nada, o que é que ainda está vendo fora do lugar? 

Se você não se compara, quem é mais feliz que você, ou quem tem mais que você, ou quem é mais importante? Se você não se compara, com o que se preocupa? O que é que o aflige, se você não tem pensamentos sobre isso? O que lhe provoca medo, se você não se preocupa com o passado, nem tem expectativa nenhuma quanto ao futuro?

Eu tenho pequenos planos, mas eles não podem me frustrar, porque Eu não sou esses planos; Eu estou acima deles, e não os levo a sério.

Aquilo com o que eu me importo me aprisiona.

Eu não sei se a gente pode chamar de plano “B” não ter nenhum plano. Agora mesmo, o plano “A” era trazer a árvore no avião. (Pé enxertado de Jabuticaba que fora trazido de Recife para nosso Ashram em Campos do Jordão). Porém, já havia o plano “B”, que era deixar a árvore lá, se a companhia não deixasse. Mas eu não sei se isso é o plano “B”, ou se isso é não dar importância ao plano “A”. Quando você não dá importância, você não se frustra.

Você quer ser amado e aceito: isso é o plano “A”. Não ter planos é o plano “B”: não precisar ser amado e não precisar ser aceito, para ser o que Você É.

Não são as pessoas, as situações e a vida que nos fazem sofrer; é o nosso pensamento, a nossa mentira e ideia sobre isso. E você só sofre porque tem fixações, é dogmático e tem certeza das coisas. Você faz ideias sobre pessoas, o que elas podem lhe oferecer, aquilo que podem lhe dar; faz ideias sobre a vida, e tem expectativas sobre o que a vida pode lhe dar. Vocês aguardam das situações sempre o melhor, algo que possa valorizar esse sentido de "ser alguém" - o alguém que você acredita ser.

Por que vocês amam vir e estar perto de mim? Eu vou dizer: é porque Eu sou transparente, não resisto a vocês... Eu não crio resistência. Quando vocês me encontram, não encontram alguém com quem lutar, disputar, duelar. Façam o mesmo! É o ego que ama resistência e conflito; que ama duelar e discutir. Como a sua disposição é a disposição da entrega do ego, você ama estar comigo. Isto porque você já percebeu, aí dentro de você, a estupidez que é resistir à vida, resistir ao que É! Então, você ama vir a mim. Quando está perto de mim, você percebe que é possível viver sem "ser alguém". E "viver sem 'ser alguém" significa viver sem resistência, sem luta, sem duelo, sem conflito... Viver em Paz, em Silêncio, Verdade e Amor.

Eu lhe dou espaço! Eu lhe acolho neste espaço desse “Eu Sou, que você É”. Assim, não há resistência, luta, duelo, e nem conflito. Então, você viaja, vem de longe, para me ver, porque quando me encontra, você se encontra na não resistência, no não conflito, no não duelo... Você em seu Estado Real, em seu Estado de Ser, em seu Estado Natural, transparente!

A luz entra e atravessa, porque você é transparente. A luz chega, entra e atravessa porque não há resistência; não há uma coisa opaca e fechada que retém a luz, que prende e cria uma barreira! Não, não é assim! A luz chega e atravessa, porque você é transparente. O ego é opaco, portanto tudo o que bate não atravessa, bate e volta. Mas você olha para um objeto transparente, e quase não vê o objeto, tal é o poder de transparência; a luz não prende, não bate, não reflete. Você é como um cristal transparente, em seu Ser! A Presença Divina, a Presença de Deus não resiste, não conflita, não luta, não duela! Ela é pura Graça, Liberdade e Verdade... É o Amor, a Paz de sua Natureza Real, não opacidade, transparência da Presença e da não resistência.

Quando você vem, e se assenta aqui, sente que está diante da não resistência. Não estou aqui para discutir ideias, opiniões ou crenças com você. Eu não vou disputar com você. Eu não sei mais que você! Eu não posso mais que você! Eu não tenho mais que você! Eu não sou maior que você! Eu sou só transparência! Você não pode me ofender, porque eu não vou resistir, pois não há resistência. Eu sou transparência, e sua ofensa vai atravessar por mim. Você também não pode me magoar, pois isso, também, vai atravessar por mim, porque Eu sou a transparência, e isso não vai me atingir. Se eu sou a transparência, nada irá me magoar, me ofender, me entristecer, me deprimir, me angustiar! Eu estou falando de você, não estou falando de mim! Estou falando desse “Eu Sou”, que você É; da Consciência, da Presença, que você É, quando o ego, a mente e a ideia de “ser alguém” não estão.  

Dá para viver sem isso, ou você tem que “ser alguém” sempre, o tempo todo? Ficar sempre discutindo, impondo crenças, opiniões, julgamentos, ideias, desejos, nas relações comuns de namorado, de família, de marido, com filhos e mulher. No dia a dia, dá para viver sem saber mais que o outro, sem poder mais e ter mais certeza que o outro? Será que dá ou não dá? Porque, se você vive assim, você sofre; se vive assim, você não é uma luz de Presença, não é transparente, e, então, tudo que bate fica, reflete em pura resistência.

Eu tenho para mim que a expressão Iluminado vem daí: aquele que expressa a Luz, que é transparente. Você olha e só vê luz porque é transparente. Transparência é Verdade, e não adultera, ou altera, nada; tudo é visto como É: transparência. Não é o que eu digo, é esse “Eu Sou", que você É, transparência que traz você até mim, que lhe dá alegria de estar comigo.

Na primeira vez em que me encontra, você já fica à vontade comigo, por quê? Não é bom me ouvir, olhar para mim? Eu não sou amigo?

A Presença desse “Eu Sou", que você É, Daquilo que você É nesse “Eu Sou que Sou”, é Transparência, é Silêncio, é Verdade, é Paz, é Graça, é Deus, é Amor, é Sabedoria, é Verdade... Tudo o mais, aí fora, é mediocridade, é estupidez, é hipocrisia, é “mais do mesmo”. Tudo aí fora desse “Eu Sou", que você É, é o ego e seu mundo, a mente e seu mundo, que é uma fraude, uma ilusão, e isto porque a mente e seu mundo não podem ser reais. A mente e seu mundo são como uma miragem no deserto: parece estar lá, mas não está; parece que pode ser encontrada água, mas não tem nada lá, a não ser uma ilusão...

Por que você vem aqui? Por que você vem a Satsang? Porque não existe outro lugar! Você não se importa de viajar 300, 400, 600 ou 800 quilômetros – ou até mais, muito mais – para estar em Satsang, porque, na verdade, você não saiu do lugar. Em Satsang, você percebe que este é o Único lugar, e nada mais importa.

*Trecho de uma fala de um encontro na cidade do Rio de Janeiro em Setembro de 2015

 

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A história humana é um sonho






Eu não estou interessado no que você sonha. Eu estou interessado no que Você É, e não no que você pensa. Eu estou interessado no que Você É, e não nos seus desejos. Eu estou interessado no que Você É, e não em sua família, no seu sucesso, nos seus relacionamentos. Há quem se preocupe com isso, eu não! Existem aqueles que querem salvar você, salvar seu casamento, seus sonhos, seus objetivos, suas metas, seu futuro... Você acha que eu estou interessado em seu futuro? Olhe para mim. Eu estou interessado em seu futuro? Eu sei lá o que vai ser o seu futuro e o que foi o seu passado! Você acha que eu tenho interesse em seu passado, e então (é tão engraçado) vem me contar seus pecados. Pecados só estão no passado. Onde está o passado sem a lembrança? Você está interessado em todo o movimento da mente, e eu estou interessado naquilo que Você É! 

Eu vejo você, agora, no que Você É! E, no que Você É, você está pronto: sem passado, sem futuro, sem relacionamentos, sem família, sem história. Você precisa muito da história para ser miserável, para ser um pecador, um sofredor, para estar em apuros, para ser infeliz. Você precisa da história, mas eu o empurro para além da história, para fora da história!

Eu estou interessado naquilo que, através desses olhos físicos, está olhando para mim! Eu estou interessado nisso aí, nessa Presença que Sou, nesse “Eu Sou” que Você É. 

A sua história pode ser importante para os outros terem o que contar sobre ela. No ego, você está preocupado com que sua história seja boa, para que você represente alguém que fez algo valioso um dia na história humana. Eu não tenho interesse nisso e, para mim, a história humana é um sonho, não tem nenhuma importância. Você é importante, mas a sua história não é Você! Suas realizações, ganhos e perdas, nada disso é Você. 

Participante: Isso é fácil de embolar, não é, Mestre? Mas, na verdade, isso é uma bênção! É uma bênção estar livre de tudo isso. 

Mestre: Eu chamo isso de acordar do sonho de ser essa “pessoa” que você acha que é, para ser o que Você É! A história que fica para ser contada relativa a um suposto passado, ou à hipótese de um futuro, não tem relevância nenhuma! Não tem mesmo! Pode ser muito bonito o sonho, mas é só um sonho! Em breve, vamos entrar em um sonho chamado Ashram. No momento, estamos em um sonho chamado escola, mas é só um sonho, é só uma história para ser contada. Mas o que Você É não pode ser contado. O que Você É não pode ser irmã, mãe, filha ou pai de alguém; o que Você É não pode ter vivido o passado, nem viverá o futuro, e não está vivendo o presente.

Porém, a mente diz: “Isso não é a verdade.” Não confie na mente, não confie na lógica, não confie no bom senso, no razoável, no plausível, no explicável, no conceito... Não confie em si mesmo! Você é uma fraude! Confie naquilo que está fora do confiável! 

Aí, você me pergunta: “Onde encontro Isso?” Eu lhe digo: Isso só está presente, mas não pode ser encontrado, porque se você encontrar Isso, você o destrói, e o torna uma outra historinha. Por isso eu trago você para esse espaço chamado Meditação – que não tem nada a ver com ficar de olhos fechados, pernas cruzadas, ouvindo ou recitando mantra, ou respirando de uma certa forma. Meditação é olhar sem a mente, é ouvir sem a mente, é sentir sem a mente, é essa Presença nunca ausente que É Você! Isso é Meditação! Isso é você sem história!

Porém, com história, você vai explicar, contar, recitar, concluir, deduzir, vai sempre fazer algo. Sem história, Você É! Com história, você vai se iluminar, despertar, acordar, ser feliz, vai realizar a felicidade pelo sucesso, pela fama. Mas, não dá, não dá! Jamais alguém conseguiu isso: pela fama, realizar a Felicidade; pelo sucesso, chegar a essa Realização.

*Trecho de um encontro presencial na cidade de São Paulo em em Setembro de 2015 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A felicidade é a natureza da Consciência






Não há nenhum grau de alegria ou realização, em qualquer nível que seja, separado dessa Consciência Divina. A alegria desse copo de cerveja, desse orgasmo, dessa mãe que vê a criança se realizando e, assim, se realiza nela, é sempre uma alegria sagrada, uma alegria divina; é sempre um instante de encontro com o Ser, com a Consciência, com Deus. 

E quando é que isso acontece? Quando a mente descansa de sua procura, de sua atividade, de seu movimento, neste espaço chamado Consciência, neste espaço que é Deus; quando a mente, por alguns segundos, por alguns minutos, interrompe todos os desejos, porque o objetivo, o alvo, o propósito está, naquele momento, sendo realizado. Então, o movimento da mente para e a Consciência aflora! Mas logo a mente volta de novo criando novos desejos, dizendo: “preciso de mais preenchimento!” Ela atribui a si mesma a realização disso, e acredita que é nela que essa felicidade está sendo encontrada. Então, ela vai em busca de mais! É simples assim! Ou seja, a busca do prazer, da realização, da felicidade é o que impede a Felicidade e a Realização Real, a Alegria dessa Realização Real. 

Esse movimento é o impedimento, enquanto a “aquietação” é a felicidade. Por isso, em toda dor, você vai encontrar o prazer, e vice versa, porque a dor e o prazer estão nesse movimento da mente, enquanto que a felicidade está na ausência da mente – que é o que acontece quando a mente silencia no orgasmo, no copo de cerveja, ou na realização de um desejo.

A Felicidade é a natureza da Consciência, é a natureza do Ser, e ela não é temporária. Temporária é a chegada e a saída da mente. Temporário é o movimento da mente, que vem e vai. Então, essa felicidade que vem e vai se apresenta dessa forma só por essa ilusão, que é a ilusão da mente nesse movimento. Em seu Estado Natural, você é Felicidade! 

Você não realiza Felicidade, você não experimenta Felicidade, você não desfruta Dela. Você é Felicidade! E como Você é Felicidade, Você está liberto da suposta felicidade em objetos, em sensações, em sentimentos, em emoções. Como você é Felicidade, você não depende de sexo para ser Felicidade; você não depende de cerveja para ser Felicidade; você não depende de prazer sensorial para ser Felicidade. Essa Felicidade reside na Consciência, no Ser, nesta Liberdade do não-movimento da mente.

Por isso é que o Sábio está livre de tudo: porque ele está livre da mente. Estando livre da mente, está livre dessa busca por prazer e preenchimento, que a mente, ilusoriamente, conquista ou realiza nos seus supostos feitos.

A Felicidade é a natureza da Consciência, agora! Agora, Consciência, Felicidade, Presença, Deus, Completude e Amor são sinônimos; palavras diferentes dizendo uma única coisa. Verdade, Realidade, Salvação, Liberação, Nirvana, Felicidade, Bem-Aventurança, Ananda... qualquer palavra. Palavras diferentes, mas palavras nunca dizem nada sobre “a coisa” em si. São só palavras... 

*Trecho transcrito de um fala de um encontro presencial na cidade de Fortaleza em Agosto de 2015

 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Compreensão e Silêncio é a Sua Natureza Real


Esse Silêncio é a minha fala! A minha fala é o seu barulho. Quando faço barulho, eu uso da sua fala. Quando uso da minha fala, eu não preciso falar - Eu fico em silêncio. Na verdade, quando o Sábio fala é para distrair você, com o barulho que a sua mente produz, fazendo uso da linguagem que ela conhece bem. É só para distrair a sua mente, porque, na verdade, a fala do Sábio não está acontecendo quando ele faz todo esse barulho. A fala Dele está acontecendo por detrás de toda essa “zoeira”, que são as palavras.  

A compreensão termina com as palavras. Quando há compreensão, não há palavra, nenhuma palavra. Pessoas se comunicam porque não são reais. A Verdade não se comunica, a Verdade não é dual. A Verdade não tem nada a comunicar, nada a dizer, nada a falar. Você volta a mim em razão da Verdade, daquilo que o Silêncio expressa. É isso que lhe dá compreensão. Enquanto a mente se preocupa com o entendimento, a Consciência, como Verdade e Silêncio, é pura Compreensão.

E quando eu digo “Compreensão”, não é uma compreensão entre dois. Entre dois não há compreensão, só há entendimento, porque entre dois só existe comunicação. Compreensão é o fim do entendimento e não acontece entre dois, só acontece em Silêncio. E você volta a mim porque fica fascinado pela compreensão que o Silêncio traz. Isto porque Compreensão, Silêncio, é a sua Natureza Real, é a Natureza do Sábio, é a Natureza da Consciência, é a Natureza do Ser. Você ama esse silêncio, porque esse Silêncio é você. Nesse Silêncio há pura Compreensão. Há pura liberdade. Nesse Silêncio há paz, Verdade.

Eu estimulo as pessoas a fazer perguntas, porque é só o que as "pessoas" podem fazer: perguntas, barulho! Olhe para você (pessoa): agora ela não é tão importante, não é muito importante. Por isso as perguntas vão cessando, vão desaparecendo... Elas vão desaparecendo com a pessoa desaparecendo.

O que você acha que eu entendo? Se você quer experiência e conhecimento, você tem que ir a um especialista. Se você quer constatar a sua Natureza Real, que é Silêncio, aí você vem a Mim. Se você quer ter respostas para suas perguntas, vá a uma "pessoa" entendida,  um expert, especialista. Se você já cansou disso, e é a Verdade que você procura, a Graça traz você a Mim, ao Silêncio. 

É animador saber que você não precisa de nenhuma especialização para realizar aquilo que você É. É animador saber que você não precisa de nenhum conhecimento, de nenhuma experiência e de nenhum entendimento para realizar Aquilo que você É. É animador... Até eu tive chance (risos), que dirá você!  

A vaquinha de Ramana, a Lakshmi, teve chance. Por que ela teve chance? Porque ela, diante de Ramana, não ouvia suas palavras. Ele não estava interessado em palavras. A vaquinha, diante de Ramana, não só a vaquinha, mas os macacos, os esquilos, todos que se aproximavam Dele, até as árvores das quais Ele se aproximava, podiam ouvir o Silêncio, a fala do Sábio, a Compreensão, a Sabedoria, a Verdade, como você queira chamar Isso. Porém, não chame, jamais chame, de entendimento. Não faça isso. Não se trata de entendimento, e sim de Compreensão, que silencia o pensamento e toda a necessidade de comunicação. Satsang sempre será algo fascinante, porque você não tem que “adquirir” nada, dentro dessa coisa chamada Satsang. Em qualquer outra parte você faz sempre algo para “obter algo”. 

O que é fascinante em Satsang é que é o único lugar que, no intelecto, não vale à pena você entrar, porque ele vai ficar perdido. Será algo tão inútil quanto a crença de que você é "alguém" ali para adquirir, aprender ou obter alguma coisa. A alegria de estar aqui, que você vivencia, você a vivencia pela compreensão que aparece, se apresenta, manifesta-se Nisso que você É, como Aquilo, como a única coisa presente, também, na figura do Guru.

Eu digo às pessoas: façam perguntas! O que eu estou dizendo para elas? Mostrem-me o barulho que vocês trazem. Eu estou dizendo para cada uma delas: "eu quero ver o barulho que você traz". Elas não sabem, mas eu estou estimulando-as a se expressarem, até elas perceberem a estupidez que é ser uma "pessoa" em um espaço chamado Satsang. Assim, elas desistem. Quando eu digo “elas desistem”, eu digo: a mente delas para de tagarelar, pelo toque da Presença, do Silêncio, que traz essa compreensão. São sempre os discípulos novos que fazem mais perguntas, e por quê? Isto porque ainda acreditam, quando chegam, que podem aprender, entender ou ver alguma coisa com o intelecto. 

O amadurecimento do discípulo é algo diretamente proporcional à constatação dessa inutilidade que o intelecto tem, dentro dessa coisa chamada de "visão da realidade", Compreensão, Verdade, Silêncio. 

Como acompanham isso? Ouvindo? Só o ouvir? Ou esse ouvir aí ainda tem um fundo de barulho, quando compara isso com alguma coisa que você já ouviu antes? O barulho do pensamento tentando ajustar isso a um quadro já conhecido? Como você escuta isso? É só o escutar? Nenhum desejo de capturar Isso, apanhar, e  torná-lo claro para si? Como você escuta isso? É só o ouvir, o que eu chamo de Pura Compreensão, sem o “compreendedor”, ou tem "alguém"  aí? 

Participante: eu acho que a diferença entre a conclusão e a compreensão vai ficando bem nítida, quando se percebe que a conclusão é acompanhada de um esforço. Por exemplo, através de uma fala sua, eu concluo que estou fazendo algo de errado, crio uma regra de conduta, e percebo um padrão a partir de uma conclusão. E aí eu vou ter um esforço para cumprir aquela conclusão, para me livrar daquele padrão. E a compreensão se dá e aquilo vai embora sem nenhum esforço. É instantâneo. Eu percebo que o esforço é um excelente indicador de que o que aconteceu foi uma conclusão, foi uma coisa mental.

Mestre: em outras palavras, há um experimentador segurando a experiência do ouvir, do entender.  

Participante: eu percebo dois movimentos. Um movimento em que o Senhor está falando e aí é só o escutar, olhar; um outro em que o Senhor está falando e a mente começa a querer capturar, e a própria mente diz para sair daí e voltar para o coração. Isto, que parte da própria mente, é não natural, uma coisa forçada; é uma cobrança para ficar no coração, enquanto que o outro movimento é natural. 

Mestre: o outro movimento acontece sem você. Por isso é total. O que eu recomendo é: olhe para mim e me escute. O resto eu faço! Eu disse só isso. Não coloque mais coisas. Eu disse “olhe para mim e me escute”.  E aí a mente vem e diz: “escute, entenda, guarde as palavras, faça as ligações, veja onde você está errando, falhando”.  

Eu não disse nada disso. Eu disse “olhe para mim e me escute”. Só isso. Disse, também, “o resto eu faço”. Isso não vai requerer nenhum esforço seu. Eu creio que o trabalho maior que vocês têm, que é  o que eu exijo que vocês façam, que é o único que eu sei que vocês podem fazer, é vir me ver... É ficar por aqui. Isso não é complicado. É só ter uma disciplina mínima, de saber que os nossos encontros não podem ser substituídos por outros encontros. Você não pode substituir esse encontro que nós temos por um casamento, um batizado, um churrasco, uma festa de amigos, ou seja, essas coisas que a mente constrói para nada, para ser importante, sentir-se importante.

Então você vem, fica aqui, escuta a minha fala e olha para mim. Se tirar alguma conclusão da minha fala, eu vou ter paciência, mas não diga que eu disse o que você está dizendo que Eu disse. Diga: "eu entendi o que você disse", "eu entendi o que Ele disse", mas não diga que Eu disse, porque isso é só uma conclusão sua. Isto é uma coisa que Eu vou negar até o final. Eu não estou dizendo nada. Vocês ouviram minha fala. Eu não disse nada agora.

*Transcrito de um encontro presencial na cidade de Fortaleza em Agosto de 2015


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Eu sei quem você é




Essa Consciência é aquilo presente em tudo, e que torna tudo presente! Essa Consciência é Amor,  Bem-aventurança, Paz e Verdade, a Verdade sobre si mesmo!

A Verdade é algo inaudito... inaudito e inalcançável! Quando Isso está presente, “você” não está: você e suas crenças, conclusões, ideias, opiniões; você e suas certezas, dúvidas; você e sua ética, moral; você e suas coisas... Quando a Verdade está, “você” não está!

É fácil se entreter com simulacros, com  imitações. É somente mais uma distração, ainda, do intelecto, que é o ego. Esses estudos que você citou agora, essas práticas, passar anos e anos e anos lendo as falas de acordados, tudo isso é inofensivo para o ego. Isso não vai atingir, como uma flecha, o seu coração e acabar com essa ilusão de “alguém vivo”. Somente quando esse “alguém vivo” está "morto", a Verdade está presente!

Assentar-se aqui já é uma Graça Divina! Não tem outra palavra! Ter a oportunidade de estar assentado aqui, hoje, é uma Graça Divina!

A mente "dá" nome aos dias, e assim hoje é domingo, ontem foi sábado, e amanhã será segunda... Além disso, a mente se localiza no tempo, "dizendo": domingo é dia de praia, ou de estar com a família, e não de Satsang; ou, sábado é dia de festa e não de Satsang. Eu estou dizendo para você: os dias não têm nome. Você só tem um dia de cada vez, para levantar-se de manhã, olhar o céu e dizer: hoje é o dia da Verdade, da Liberdade, da Felicidade! É o dia de Deus! É o dia desse “Eu Sou o que Sou”! É o dia da Sabedoria! É um dia para ser "O que Sou"! É um dia de "não mentira", de "não ilusão", de "não conflito", de "não medo"! É um dia de Bem-aventurança! Um dia de Consciência!

Não é um dia de política, de praia, de futebol, de mudanças sociais. Não é um dia para lembrarmos a independência do Brasil, ou... É um dia desse “Eu Sou o que Sou”, um dia sem estupidez, mediocridade, arrogância, humildade, modéstia... "Um dia sem o mim"!!!

A Existência não vai sentir falta nenhuma de você. O universo não vai ter nenhuma ideia de que você existiu em algum momento! Você não vai fazer falta nenhuma, não vai ser nenhuma tragédia! Um dia sem esse "mim" é um dia sem ser avó, mãe; sem ser pai, filho, neto; é um dia sem medo!

"Um dia sem o mim" não tem vinte e quatro horas, porque "um dia sem o mim" não é um dia. Não há tempo, nascimento, assim como, também, não há morte nesse “um dia sem o mim”!

Quantos estão dispostos a Isso? Posso dizer para vocês: muito poucos! Todos querem viver um dia, sendo "alguém" para alguns ou para muitos... Querem viver muitos dias, anos, assim! Onde está aquele que está disposto a morrer nesse momento? Porque é somente quando você morre, nesse momento, momento a momento, que os dias são assim: sem tempo!

Por isso que, quando você chega perto de mim, querendo ser "alguém", Eu não reconheço a sua importância, mas isto basta! Você não se sente importante diante de mim, mas sente que Eu estou vendo você! Percebe que não é dos outros que você precisa? Você só precisa se ver em Sua Real Natureza! Não é da imagem que você faz de si mesmo de que você precisa! Repito: você só precisa se ver em sua Real Natureza. Essa imagem que você tem de você mesmo é que lhe dá autoimportância, esta que é a ilusão de necessitar dos outros, ser aceito e compreendido por eles, que sentem o mesmo em relação a você: querem ser aceitos, amados, compreendidos... E nada disso é real! Você não é real e eles não são reais.

A coisa curiosa aqui é que você sente que eu estou vendo você, mas não é bem assim, porque Você não é algo separado do que Eu Sou. Quando você me olha, me vê, enxerga "O que Eu Sou", você vê o que Você É, e não tem autoimportância! Quando você vê "O que Eu Sou", que é "O que Você É", não fica aí essa autoimportância! É somente quando você está no ponto cego que acredita estar vendo alguma coisa, entendendo, sabendo, com certeza de alguma coisa, e, aí, você acha que pode me enganar. Nesse ponto cego, você está se autoenganando, porque não está ciente de si mesmo, daquilo que Você É, da Verdade sobre Você.

O valor desses encontros está exatamente nisto: você não pode me enganar, porque eu sei quem Você É! Isso chama-se Satsang: o encontro com a Verdade! 

*Trecho de uma fala de um encontro na cidade de Fortaleza em Agosto de 2015 

 

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