segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Um trabalho se faz necessário




Por que é que não funciona como nós queremos que funcione? Por que a busca é algo que precisa terminar? É muito fácil ter um vislumbre da Verdade! Não há nenhuma dificuldade em você ter um vislumbre desta Liberdade, desta Verdade - um vislumbre desta Liberação. É algo simples e fácil, isto porque a sua Natureza Verdadeira é a Verdade, a sua natureza livre é a Liberdade. Ter um vislumbre de Deus é simples e fácil, porque a sua natureza divina é Deus. Mas, um vislumbre da Liberdade não é a Liberdade, um vislumbre da Verdade não é a Verdade, um vislumbre de Deus não é Deus. Deus, a Verdade e a Liberdade não são o resultado de um vislumbre, e sim o resultado de um trabalho, que não é fácil, embora não seja uma conquista difícil, aliás, não se trata de uma conquista. Quando eu digo que não é fácil, não estou dizendo que é difícil, estou dizendo que é fruto de um trabalho.

Portanto, esse vislumbre da Verdade você pode ter a qualquer momento, ouvindo uma fala como esta, assistindo a um vídeo ou lendo um livro, ou diante do impacto de um momento de encontro com um belo por do sol ou o nascer do sol. Diante deste momento, o impacto da Presença, presente neste instante na Consciência, que não está separada desse evento, momento, instante, dentro e fora, torna possível um vislumbre por não haver separação. Mas, esse vislumbre não é a Verdade, a Liberação, a Libertação ou Deus.

Isso requer o fim de todo condicionamento, de todos os conceitos e crenças, de toda a programação da mente egoica, em seu "movimento de ser", de tentar ser. Por isso, um trabalho se faz necessário. A mente se engana quando quer Isso do modo como ela projeta, e quando acredita que pode realizar Isso sem um trabalho. Este é um trabalho da própria Graça, da própria Presença, da própria Consciência. Como não é a mente que planeja e realiza, este trabalho não toma o formato que ela idealiza. Isto está além da mente, além da sua programação, da sua forma de realizar. Tudo o que a mente pode realizar está dentro do campo dela mesma, é algo dentro do seu próprio condicionamento.

Vocês podem se reunir em grupo e se dedicarem a estudar um determinado livro sagrado, ou alguns livros sagrados, ou podem ouvir falas ou assistir a vídeos e filmes, tudo isso é muito inspirador, mas essa inspiração não passa da egoidade, pois tudo isso ainda está acontecendo no ego. O conhecimento, a experiência, a motivação, a emoção e o desejo estão acontecendo no ego. Toda e qualquer prática, e disciplina idealizada pelo pensamento, está acontecendo no ego. Nada disso constitui real trabalho, porque tudo isso ainda mantém esse fundo de condicionamento, esse padrão do “eu” que, na verdade, é só a mente se ajustando, copiando, criando a sua própria programação.

A mente, em sua imaginação, busca realizar uma liberação, uma verdade, que ela imagina, idealiza, além de um Deus idealizado e imaginado, algo ainda criado por ela mesma. Portanto, nada disso é real: participar de grupos de estudo, de debates ou de fóruns, fazer constantes leituras de livros espirituais, sagrados, místicos ou esotéricos, a prática da meditação, respirar de uma certa forma, cantar algumas músicas, recitar algumas palavras sagradas - os chamados decretos -, ou seja, estas coisas todas que vocês conhecem. Nada disso é Real, funciona, ou tudo isso "funciona" na mente, com a mente, para a mente, a favor da mente.

Depois de um certo tempo você conhece uma habilidade, que é a habilidade de silenciar a mente. A mente silenciando a mente, aquietando a mente, espiritualizando a mente, e, depois de um certo tempo, você se torna alguém bastante espiritual, por sinal, bastante orgulhoso de sua espiritualidade, uma "pessoa", de fato, especial. Mas nada disso é a Verdade, é a Liberação, é Deus... Nada disso é o Despertar. Você passa por muitas experiências, muito aprendizado, alcança muitas virtudes, abandona muitos vícios, passa a falar de uma forma mais suave, comporta-se de uma forma mais espiritual, deseja o bem de todos os seres do planeta, já perdoa com facilidade, não carrega preconceitos, não carrega mais a vaidade, é "alguém" muito humilde, muito espiritual. Porém, eu continuo dizendo: nada disso é Real, aliás, é real na mente, com a mente, pela mente e para a mente, mas isso não é Liberação, não é a Verdade, não é Deus, não é o Despertar.

Escutam isso? Estamos juntos? Alguém irritado na sala depois desta fala? O mundo precisa de boas pessoas, a sociedade conta com boas pessoas. Mas boas pessoas são somente boas pessoas, e uma "pessoa" não está Liberada. Ela pode estar espiritualizada, mas não Liberada. Esse vislumbre da Verdade é algo importante, para que a pessoa perceba que há algo além da "pessoa", além do ego e de todo o sofrimento. Quando o sentido de separação temporariamente desaparece você tem um vislumbre da Verdade. Então, você sabe que não é o "eu", o "mim", a "pessoa" - isso não é você. Você não é esse ''eu" que a mente diz que você é; você não é quem acredita ser. Mas, por mais espiritual, virtuoso e humilde que você seja, por mais mansa que seja a sua fala, você ainda continua preso, cativo, aprisionado, iludido, na ilusão da mente egoica, separatista, dualista; na ilusão da mente vivendo suas crenças, seus condicionamentos, conceitos e desejos; a mente vivendo seus medos, suas experiências e seus conhecimentos, inclusive os conhecimentos da "não mente"; a mente conhecendo a importância do não conhecimento, e da sua experiência na "não experiência"; a mente que sabe, conhece, domina e controla, que sabe muito bem tudo isso. 

*Transcrito de uma fala de um encontro online via Paltalk no dia 7 de Setembro de 2015


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário

Compartilhe com outros corações