sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Este é o meu segredo




O que eu tenho a dizer para você, logo a princípio, é: não se mova, não se mova! Apenas o pensamento se move, mas você se move com ele. Então, não se mova! 

É curioso quando vocês vêm me perguntar sobre essa Liberdade, essa Paz, esse Silêncio, essa Verdade! A impressão que vocês têm é que isso não está presente e não está presente porque há essa ilusão – a ilusão de estar dentro de um determinado movimento – enquanto que, na verdade, o que se move é o pensamento e não você! Você não se move, é o pensamento que se move. 

Então, não se mova! Não se mova para uma opinião, uma sugestão, um desejo, uma conclusão; não se mova para uma ideologia, e nem para uma crença; não se mova para o passado, e nem para o futuro; não se mova para um relacionamento; não se mova para uma associação; não se mova para o patriotismo, e nem para a religião! Não se mova... Não se mova! É só o pensamento que se move! É o pensamento que é patriota, e que carrega uma ideologia, um desejo, uma opinião, uma conclusão, uma fixação, uma crença... É o pensamento que carrega isso tudo! Não se mova! 

Este é Meu segredo: Eu não me movo! 

A única decisão que você pode ter na vida é a decisão de ser Felicidade, ser Paz, ser Liberdade, ser Deus! Este é o único poder que você tem: o poder de ser o que Você É. Mas você abre mão desse único poder que  tem, para assumir o poder que a mente tem e para o qual o seduz, o induz, o convida. É o que a mente faz e, por isto, você se move. Quando você se move do lugar que Você É, move-se para "vir a ser"  ou para "deixar de ser", e isso é infelicidade, é não paz, é não liberdade... 

Pode ser, até, que você carregue uma “liberdade” nesse movimento, mas será a liberdade que contém o contrário, e não a Liberdade Real. 

Nesse movimento da mente todos se sentem livres, mas essa não é a Liberdade Real. Como você pode ser livre e infeliz? Como você pode ser livre e carregar o medo com você, ainda? Olhe para o mundo: todos estão livres... Mas estão livres mesmo? Existe liberdade no mundo? Tudo porque você está se movendo nessa ilusão, na ilusão do movimento do pensamento para "ser" ou "deixar de ser". E eu continuo repetindo para você: não se mova! 

Nesse movimento, todos estão buscando, nessa suposta liberdade, a felicidade, a paz e o amor real! Mas não é possível encontrar – não na mente! Na mente, isso não é possível e é, justamente, onde o movimento acontece, porque você se move. 

Você sai do seu lugar de Ser, para tentar ser... 

Por isso você se mete em todo tipo de encrenca: associações são encrencas, amizades são encrencas, relacionamentos são encrencas... Ou o desejo realizado, porque um filho chegou, ou um marido chegou, ou alguém chegou, ou alguns chegaram... Nessa ideia de um “você” presente nessa coisa, você está encrencado, atado, aprisionado nessa ilusão do movimento. 

Contudo, a Liberdade não requer nada... A Felicidade não requer nada... A Paz não requer nada... A Verdade não requer nada! Mas a mente requer tudo... Ela se move! 

Quando vocês chegam a Satsang acreditam, a princípio, que irão aprender algo. Porém, se tem algo a ser aprendido aqui, este "algo" é parar de aprender sobre todas as coisas, sobre tudo; parar de aprender sobre os valores que a mente atribui a tudo, e ver a estupidez disto! 

Você está aqui, neste instante! Este momento presente contém toda a Verdade, Realidade, Liberdade, Paz, Felicidade; todo o Amor e Silêncio. Contém toda a Completude, Totalidade... A Totalidade de tudo, no momento presente, sem movimento, sem o movimento da mente. 

Nesse movimento da mente, o corpo é um problema, e a própria mente é um problema. No movimento da mente, a "pessoa" é esse movimento, então, ela é o problema! Sem o movimento, tudo já está no lugar. Você não precisa estudar e aprender nada; não precisa crescer em alguma direção, pois não há nenhuma direção, nenhum lugar para chegar! Não precisa ser melhor do que É! Não precisa deixar algo, se livrar de algo, fazer alguma coisa, crescer em alguma direção – seja de uma forma positiva ou negativa; crescer abandonando os vícios ou adquirindo virtudes; tornando-se melhor ou deixando de ser pior... Não precisa de nada disso! 

É como uma espada na mão do samurai: um único movimento e, pronto, tudo termina! Um único movimento! O movimento para o "não movimento"... O movimento que termina com todos os movimentos! Esse movimento eu chamo de "assumir este instante", a Consciência da consciência daquilo que acontece. Agora, você está consciente das minhas palavras, dos meus gestos, das cores deste ambiente, além de estar consciente das pessoas aqui presentes, de como elas estão sentadas, a postura corporal... Eu estou falando da Consciência desta consciência! Com um “golpe”, um único movimento, você está além da mente, além do movimento... além do movimento conhecido pelo pensamento, com suas conclusões, crenças, opiniões, fundamentos, e assim por diante. 

É a Consciência de um olhar, ouvir, falar, sem a mente; do pensamento, sentimento, emoção, sensação, sem a mente. Mente é a ideia de "ser alguém": vítima, culpada ou, de outra forma, bem sucedida, heroína, forte, poderosa... O que estou dizendo é: não há nada a fazer para ser O que você É. Não há nada que você possa fazer, para deixar de ser o que você É. Quando você se move, existe apenas a ilusão de ser alguma outra coisa, além do que, de fato, você É. Então, não se mova!

Acompanha isso que estou dizendo? 

A chuva está caindo ou o sol esta lá fora: isso não é problema seu! O pensamento, um sentimento, uma sensação ou uma emoção estão acontecendo, aqui dentro, porém isso não é problema seu! Aquilo que você chama de “experiência objetiva”, o pensamento diz que não é problema seu, mas aquilo que acontece como uma experiência subjetiva o pensamento diz: “sou eu”, “disso eu cuido”, “eu sou responsável por isso”. E não é verdade! Você está somente se iludindo nesse movimento de ser “alguém” se ocupando com alguma coisa, e essa coisa não é Você. O sol e a chuva lá fora não são Você. O pensamento e o sentimento acontecendo aí dentro não são Você; a emoção e a sensação, também, não são Você... Então, não se mova! Quando você cria a ilusão do movimento, confunde-se e deixa de assumir o que Você É, para assumir uma crença, como a crença do que você acha, pensa ou sente, acreditando que ela é você. 

Vocês chegam até mim e me dizem: “dê-me isso, no final de semana, ou no final de seis meses, ou em um, dois ou três anos”. Eu estou lhe dando isso desde o primeiro dia em que o encontrei, e não estou deixando de dar! Entretanto, você não está prestando atenção no meu presente. Nesses dias, agora em São Paulo, o menino me perguntou isso: “qual é a dificuldade da Graça em dar isso?” Respondi-lhe: “nenhuma”. E ele disse: “então, eu quero”. E eu disse: “Eu estou lhe dando”! 

É como aquele instrumento musical no canto da sala: um violão completo, inclusive com todas as cordas. Por que é, então, que um músico profissional, um expert na arte de tocar violão, não pode “tirar” uma música daquele violão? Porque não basta ter um violão. Esse instrumento precisa estar afinado, perfeitamente afinado, para que o músico possa produzir um som com ele. Quando você vai ao Sábio, ele o vê como um Sábio, da mesma forma que um músico sabe que o violão tem todas as condições de ser tocado, se as cordas estiverem afinadas. Quando você vai ao encontro do Sábio, não sabe que “você é um Sábio, que se esqueceu de que é um Sábio”. Aquele violão tem todo o potencial de produzir música, mas não tem condições, porque isso requer algum tempo, até que todas as cordas estejam afinadas, com cada uma produzindo a sua nota específica. 

Não está faltando o músico, não está faltando o violão. Está faltando, sim, a afinação! Não está faltando o Mestre, não está faltando o discípulo. Estão faltando, somente, alguns ajustes!

Participante: Quem vai fazer isso para a gente?

Mestre: Aquele que entende da arte da música! É esse quem afina o violão! Somente um entendido cuida disso! É o que estamos fazendo aqui. Não dá para pegar esse violão e sair tocando com ele, pois o instrumento tem que estar em condições. Você se confunde com o que você não é, e não dá para “produzir som” assim! 

Você se confunde, sendo uma “pessoa”: uma “pessoa” que não é amada, aceita; que é rejeitada, não especial, infeliz.  A “pessoa” é esse movimento da mente, e você se confunde com ele. Você se confunde com os pensamentos, com as emoções, sensações, e assim por diante; confunde-se com o nome e o corpo; confunde-se com a história, com a família, com o país, com uma ideologia política, social... Você se confunde e sente-se responsável, como “alguém” que acredita ser, no mundo em que acredita viver. Agora, vocês querem consertar o Brasil, a família, as pessoas... Querem consertar a si mesmos e melhorar. Este é o movimento!

Este é o movimento, no qual vocês estão vendo coisas certas e erradas; coisas no lugar e fora do lugar; o que é ético e o que não é ético, bem como o que não é justo e o que é justo; o que pode e o que não pode; o que deve e o que não deve; o que é moral e o que é imoral, bem como o que é sagrado e o que é profano; o que querem e o que não querem; o que é de vocês e o que não é... Este é o movimento em que você vive na dualidade, e viver na dualidade é estar no dualismo. Dualismo é a ideologia de ser dual, de ser a favor ou contra, de ser isso ou aquilo...

E aí? Como é isso? 

Esse é o movimento. Lá está o instrumento e todas as condições de produzir uma boa música com ele, mas as cordas estão desafinadas... O músico é bom, e o material (a madeira, os cavaletes, o encordoamento), tudo o que tem ali, é de primeira, mas o violão está desafinado. Você olha, escuta, fala, sente, deseja, teme e se comporta como uma “pessoa”, e não dá para “produzir música boa” assim! O músico não vai conseguir tocar, porque ele terá que afinar, primeiro, o instrumento, já que as notas não são notas... Uma corda tocada não soa como uma nota musical, e sim como uma coisa estranha, que não lembra, nem de longe, um dó, um sol, um si, um mi, um fá, um lá, um ré. O que acontece em Satsang é que você vem parar na mão do “Músico”! Esse Silêncio presente em Satsang é o diapasão divino! Esse toque, esse olhar, esse Silêncio e esta fala é o cuidado da Graça para organizar a “orquestra de cordas”! 

Esse é o Trabalho! O Trabalho da Graça, o Trabalho de Deus! Isto se chama Satsang.

Tudo em você é este potencial para o músico divino que Você É, em sua Natureza Verdadeira. 

Quando você vai ao encontro de um Mestre vivo, depara-se com um Mestre vivo, – e quando eu digo vivo, estou falando de um Mestre que não está nos livros, na imaginação de uma crença, que não está em uma teoria – está diante desse músico divino que Você É. O Mestre não vai “produzir o músico” que Você É, e sim revelar o músico, que Você É, para você mesmo. 

E como é que você descobre? Quando você percebe que esse corpo-mente, todo esse aparato, mecanismo, organismo, não carrega mais a desarmonia de cordas desafinadas. Imaginem o violão brigando com o músico: “está me apertando muito”, diz uma das cordas; a outra diz “eu não suporto mais isso”, “eu não vou aguentar”, “eu acho que não vai dar”, diz a outra. São seis cordas... E tem violão de doze cordas... É um drama, é um drama.

Talvez não seja nada confortável para o instrumento se ver tão manipulado, literalmente manipulado. Cordas sendo apertadas, pois cada corda precisa produzir um som específico, nem mais, nem menos; um tom completo, não é um semitom – é um tom, um tom fechado. Um mi, um si, um sol, um ré, um lá, um mi... são seis notas... E não pode ser um mi, um si, um sol, um , um , um mi, qualquer. São seis cordas, seis notas, que deverão estar afinadas pelo diapasão; é algo muito preciso. 

Mas imaginem uma das cordas dizendo: “não faça isso comigo”; e a outra: “eu não vou dar conta, me larga”... Imaginem o violão dizendo: “deixe-me cuidar disso sozinho”. O violão, nessa figura de linguagem que estou usando, pode acreditar nisso: “deixe-me produzir o meu som, deixe-me fazer do meu jeito”... O nome disso é arrogância! É possível você ser humilde e essa humildade estar, ao mesmo tempo, carregada de uma grande arrogância. Contudo, é impossível você ser simples e, ao mesmo tempo, carregado de arrogância. Eu não uso a expressão “humilde”, e sim a expressão “simples”, “natural”... Natural em seu Ser, simples, não há arrogância. 

A Verdade é o noivo que procura uma noiva assim para casar. Quando a Verdade, esse noivo, encontra a sua noiva chamada Simplicidade, casa-se com ela. Antes disso, não há casamento, nem pretensão de noivado. A Verdade está bem longe da arrogância, e não importa o nome que essa arrogância tenha, seja até o nome de humildade, pois não dá para enganar a Verdade. A Verdade nunca se engana, e jamais se confunde; só reconhece a Simplicidade, a Naturalidade. A Naturalidade e a Simplicidade estão sempre presentes nesta entrega presente. É quando o violão, com suas cordas, não resiste, não luta, não se orgulha de querer fazer “a seu modo”. 

Então, sinta isso, esteja inteiramente aberto, receptivo, vulnerável a isso: “Seja feita a Tua vontade”; “Tu sabes, eu não”; “Tu podes, eu não”; “Tu queres, eu não”; “Tu reinas, eu não”; “Tu és o Senhor, eu não”. Não verbalize, sinta isso! Nesses dias, eu disse em uma das falas em Satsang: não fique me ouvindo, mas assuma esta fala. Seja o que Você É, sem resistência. Jesus chamava isso de “pureza de coração”: “Bem aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”. Somente sendo simples, nesta Simplicidade, você é uma noiva com quem a Verdade quer se casar, então, Deus se apresenta. Deus não se oculta da Simplicidade, que Jesus chama de “pureza de coração”. A Bíblia diz que “aquele que vê Deus morre”. 

Ontem, alguém conversava comigo: “Mestre, diante das suas palavras eu não sei o que fazer. O que eu posso fazer?” E eu disse: “morra!” Ele estranhou: “como?” E eu respondi: “exatamente o que você ouviu, morra! Você não pode fazer alguma coisa, mas pode desistir de continuar vivo. Você tem esse poder de desistir de ‘ser alguém”. E ele continuou: “mas eu não estou entendendo?” E respondi: “este é o problema, você quer continuar vivo! A prova está aí, pois você quer entender. Amigo, quem morre está morto. Quem morre não sabe, não entende e não busca nada mais!”

É incrível quando a gente conversa com vocês... Acham que estamos falando de alta filosofia, de uma coisa metafísica, e eu estou falando de algo muito direto, com cada um de vocês. Morrer significa estar morto  simples assim! Você está interessado nisso, ou você quer ser feliz? Ser “alguém” feliz, “alguém” amado, “alguém”  aceito, “alguém”  compreendido, “alguém”  Sábio? Ser “alguém”? Você quer ser “alguém”? 

*Transcrito de uma fala em um encontro presencial na cidade de Fortaleza em Agosto de 2015 
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3 comentários:


  1. Palavras Sagradas! Que coisa linda. Gratidão Mestre por se revelar diante de mim!

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  2. Bom dia.
    Quando você fala da morte, vc está falando da morte de um corpo ou da ilusão da morte?

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    1. Estou tratando sempre nestas falas do fim da ilusão, da morte da ilusão da separatividade.

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