segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Como não se perturbar diante do mundo?




Vocês dão muita importância a escolhas, a esse gostar e não gostar tão pessoal. Isso só perturba a Paz Natural que Você é. Vocês estão cheios de opiniões, tem opiniões até sobre o Despertar! Mas isso não perturba esse Estado Natural de Silêncio que é pura compreensão. Compreensão não é o entendimento das coisas, não é a certeza, não é o conhecimento. Compreensão é o Silêncio que se instala quando não há mais o que saber, quando não há mais o que buscar, entender, conhecer, descobrir. O meu enfoque está na compreensão, que é o Silêncio que se instala quando não há mais essa preocupação com gostos e aversões, com ideias e crenças, com escolhas. Abandonem isso!

Eu não me perturbo, porque eu não tenho importância. Eu não sou tão importante para exigir tanto da Vida. Vocês se perturbam porque vocês são muito importantes! Sabem até quando as coisas vão bem ou mal; sabem até o que é certo e errado; o que deve acontecer e o que não deve; o que é justo e o que é injusto; sabem se comparar; sabem sofrer a injustiça e ver a injustiça no mundo! Como podem permanecer em sua Natureza Essencial além da dualidade? Como podem?
  
Precisam abandonar essa ilusão de ser “alguém”. “Alguém” jamais será feliz! “Alguém” jamais será Paz! “Feliz” não é um estado, é a Natureza do Ser. O “feliz” que a mente conhece é um estado. Mas não é desse “feliz” que eu trato. Esse “ser feliz” vocês conhecem: é quando, para a mãe, o bebê nasce; ou quando é o dia do casamento da noiva; ou quando o carro novo é comprado; é “ser feliz” quando se ganha na loteria; “ser feliz” quando as coisas estão bem. Mas não é desse “ser feliz” que eu trato com vocês. Eu trato da Felicidade, não desse “ser feliz”. Felicidade é ser Feliz, a Natureza do Ser é ser Feliz, porém, não está dentro desses opostos que a mente conhece: feliz-infeliz, alegria-tristeza... Estou tratando com vocês desse Espaço, que é Presença, que é Felicidade, que é a Natureza do Ser sem ego, onde não há medo, onde não há desejo, onde Você repousa em Si mesmo, no Coração. Pura satisfação! Pura completude! 

Vocês se pegam com exigências? Sim ou não? Poucas ou muitas? Muitas? Então, muito desconforto, muita inquietude. Quando o pneu do carro aparece, diante do seu olhar pela manhã, murcho porque furou; quando você se depara com isso, com o tempo apertado para chegar ao trabalho, ou a qualquer outro compromisso, como é que bate isso? Você está diante de um fato simples, um pneu furado, ou você está diante de um mundo explodindo aí dentro, um misto de revolta, raiva, senso de injustiça, contrariedade... Como é isso?

Você valoriza muito o que acontece! Eu já não me importo com o que acontece. Só acontece! Qual é o problema? Eu não posso tomar prejuízo se eu não espero lucro; não posso perder se eu não me preocupo em ganhar; não posso sofrer se eu não tenho uma expectativa de desfrutar. Então, eu não me importo! Eu posso estar nesse espaço que Sou, sem me confundir com o que acontece, e esse espaço que Sou me basta! Nele tem espaço para um pneu furado, para uma doença no corpo, para a falta de alguma coisa, como dinheiro, ou qualquer outra coisa. Porque tudo passa e esse Espaço permanece sem ser tocado por nenhuma aparição. Porque tudo isso são aparições – não permanentes aparições. Aparições sem importância, porque eu não me importo.

Estou falando dessa Consciência, desse “Eu Sou” que Você é. Quando você se perde dessa Consciência que Eu Sou, que Você é, aí você valoriza o que acontece, se confunde com isso e se perde nesse mundo de autoprojeção, nesse mundo ideal criado pelo pensamento. Dá para acompanhar isso?

Você vai mudar esse mundo para o ideal? Existe um mundo real ideal? O sentido de ser alguém reside só nisso: no sentido de um mundo ideal, de um mundo idealizado pelo pensamento. É uma imaginação, uma brincadeira cósmica, uma brincadeira divina, uma brincadeira da Existência.

Você acha muito estranho uma criança acreditar em Papai Noel, e se diverte com essa brincadeira no final do ano, mas você sabe que a realidade do Papai Noel é só uma crença. Porém, você não percebe que o “seu mundo” também é só uma crença. Você dá muita importância a esse “seu mundo”, e é nele que você é alguém... alguém que sofre mais do que desfruta.

Estou lhe apontando o mundo da Consciência, que não é um mundo. É onde todos os mundos aparecem e desaparecem, inclusive o mundo de faz de conta da Chapeuzinho Vermelho, do Papai Noel, as historinhas do Walt Disney, e as historinhas que você tem, chamadas trabalho, família, relacionamento, viver, criar filhos... Têm a mesma qualidade: são só historinhas.

 *Transcrição do trecho de uma fala ocorrida num encontro na cidade do Rio de Janeiro em Julho de 2015

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