terça-feira, 1 de setembro de 2015

A Loucura de Deus



E lá vamos nós novamente nessa aventura! Essas falas são sempre uma aventura, pois estamos desbravando, entrando em um território novo e desconhecido. Esses encontros significam uma proposta de reconhecimento da Verdade. Nas primeiras vezes em que você vem, uma fala como essa é algo que soa bastante estranho. Aqui, nós estamos falando a você sobre essa Liberdade – a Liberdade do Estado Natural, o qual não é algo conhecido. Apesar de natural, não é algo comum, e aqui começa a sua estranheza. 

Eu estou falando sempre com você, em Satsang, sobre encontrar esse “lugar” aí dentro. Estou indicando um “lugar” dentro de você, um espaço, algo aí dentro que não quer alterar nada, que não quer mudar nada, e, por isso, é inteiramente livre. Quando você encontra isso que está aí,  que já está presente, todo desespero e sofrimento terminam. Essa coisa aí dentro de você, que não quer alterar nem mudar nada, também não deseja e não tem medo de nada. É pura Liberdade, carregada desse perfume de Silêncio. É como quando você para na beira de um Rio e vê a água descendo suavemente. Sem pressa, ela desce e cria as suas ondulações, desvia-se das pedras... Ela, luminosa, debaixo do sol, suavemente desce. Assim é você nesse “lugar”, sem qualquer resistência, nessa indescritível flexibilidade, na habilidade de não estar preso a nada. 

Quando isso, que é Você, é encontrado aí, toda ilusão termina. Agora mesmo, alguém entrou na sala e disse: “Tem louco para tudo!” A verdadeira loucura é a resistência à vida como ela se apresenta, àquilo que não pode ser mudado, porque carrega o próprio destino, o modo de ser, o modo de acontecer, o modo de se mover. Quando a mente, em sua resistência, luta contra isso, estamos diante da insanidade. 

Aqui, estamos falando dessa Liberação, dessa Verdade, dessa Realidade, indicando para você esse "lugar" que não quer alterar nada. Somente aí você está realmente em seu próprio lugar. Somente aí existe sanidade! Sem isso, na mente, todos são loucos! Essa frase do menino que entrou na sala é bastante inspiradora, e, talvez, seja exatamente isso o que nós estamos fazendo aqui: encontrando uma espécie de loucura, algo que é uma loucura aos olhos da mente. Nessa loucura de resistência, viver sem resistência é que é loucura; nessa loucura do medo, viver sem medo é que é loucura; nessa loucura do desejo, viver sem desejo é que é loucura; nessa loucura do apego, viver livre da ideia de ser dono de algo é que é loucura. Então, aqui, essa sanidade é a santa loucura; é a Graça em loucura. Um sábio na Índia, chamado Ramakrishna, dizia: “Todos choram por alguma coisa, ou por muitas coisas. São capazes de derrubar baldes de lágrimas pelos seus desejos, mas a coisa mais rara de se encontrar é alguém que esteja disposto a derramar algumas poucas lágrimas para realizar Deus”. 

Todos são loucos nesse mundo! A maioria é louca pelo próprio mundo, e alguns raros, poucos, são loucos pela Verdade, pela Liberdade! Estes estão dispostos a encontrar, em si mesmos, esse lugar, essa coisa que não quer mudar nada, que não precisa de nada, que não deseja, que não teme: a Verdade de Deus! 

É o que traz você aqui a este encontro, que faz você investigar isso como um verdadeiro louco; que o fez procurar por isso em livros, vídeos e falas como essas. Foi isso que fez você se envolver em todo tipo de religião e práticas espiritualistas. Você já fez todo tipo de coisa, porque há algo aí dentro que sente, sabe e percebe que  deve haver alguma coisa fora dessa loucura do mundo; tem que haver alguma loucura de plena sanidade, algo fora do mundo, fora do tempo, do corpo, da mente, fora desse seu passado conhecido, ou desse seu futuro imaginado. Você está aqui porque eu o convidei a vir! Porque Eu sou Isso! Eu sou Isso, aí dentro, que não quer alterar nada, mudar nada. Eu sou o que Você é, e Você é Isso! Você é a Verdade, a Sanidade, a Sabedoria; Você é Consciência, é Presença, é Deus! Amor é a sua Natureza Real; Liberdade é a Sua Natureza Real, e é isso que você sente quando me encontra. Quando você me encontra, você se encontra! Você se descobre quando me descobre! Não há nenhum outro lugar para ir depois que você encontra, dentro de si mesmo, Aquilo que Eu sou, Aquilo que Você é, essa coisa que não quer mudar nada. 

Há uma música que toca em um ritmo conhecido. A música é nova, mas o ritmo pode ser reconhecido. Observo que, na sala, alguns de vocês são novos aqui. Vocês nem mesmo sabem porque entraram nessa sala, nem  porque continuam aqui, apesar de ouvirem algo tão estranho  mas que não é estranho. O ritmo é conhecido, a música é nova... só que a música não parece tão nova. Talvez o ritmo seja estranho, o que dá no mesmo. 

O fato é que você está ouvindo esse convite para ser um louco assim. Esse espaço se chama Satsang. Essa é uma palavra indiana que significa “encontro com o que é”, "encontro com a Verdade", o que aqui eu acabo de chamar de "loucura de Deus". 

É muito louco tudo isso! Eu tenho prevenido todos vocês desde o início. Eu já repeti muitas vezes, para vocês, que isso aqui é a coisa mais louca, mais sem sentido, mais ilógica que vocês poderiam encontrar. Como disse o nosso amigo: “tem louco para tudo”. 

Enquanto todos estão preocupados em mudar o mundo, aqui está você ouvindo falar de algo dentro de si que não quer mudar nada... Algo dentro de si que não pode sofrer por nada, temer ou desejar nada. 

Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro. Namastê!

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