segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Observação e desidentificação do movimento da mente


Participante: Mestre, eu percebo que tenho esse movimento de me fechar, de ficar deprimido, de me afastar das pessoas, e, em cada retiro, parece que “reseta” tudo, parece que explode tudo – esse medo, esse afastamento... E, então, depois dos retiros, eu fico com medo disso voltar de novo.

Mestre: Então, é como se depois do retiro você ficasse liberto dessa coisa? Como se essa coisa se soltasse, se liberasse, mas depois a mente vem e se contrai de novo? É isso?

Participante: Isso, e aí vai ficando tudo pesado de novo... Eu não sei porque.

Mestre: A mente funciona como a maré: uma hora está alta, outra hora está baixa; ela fica variando. Se vocês se olharem, se observarem bem, observarem o movimento interno da Consciência, vão perceber que esse movimento interno da Consciência é a mente, e que a Consciência mesma não se move. Então, esse movimento da mente funciona como a maré: uma hora está alta, outra hora está baixa; uma hora cresce, outra hora diminui. Não dê importância a isso! Não dê importância a isso! Mais uma vez, você está diante de uma aparição! O que é uma aparição? É só uma aparição! Que importância tem uma aparição? Nenhuma!

Você energiza a mente, não é a mente que energiza você. Você pode conhecer o movimento, mas o movimento não pode conhecer você. Repare em suas palavras: “após o retiro explode esse sentido introspectivo, essa contração, e o medo é que isso volte”. O que é isso aí que observou essa contração presente antes do retiro e também essa contração indo embora depois do retiro? Que observou essa introspecção presente antes do retiro e essa introspecção indo embora depois do retiro? O que foi isso? Esse é o movimento, ou é Aquilo que constata o movimento? Percebem? A mente vê Você ou é você quem vê a mente? Os pensamentos passam por você ou é você quem passa pelos pensamentos?

Participante: Os pensamentos passam pela gente!

Mestre: Então, você pode ver o pensamento, mas o pensamento não pode ver você; você pode ver a ansiedade, mas a ansiedade não pode ver você; você pode ver o medo, a tristeza, a alegria, a euforia, o desejo, mas nenhum deles pode ver você. Então, aquilo que pode ser visto pode dominar você? O desejo pode dominar você? O medo, a tristeza, essa contração, essa introspecção e o estado introspectivo podem dominar você? Não! Porque você é Aquilo que vê isso, não é? Porque isso é só uma aparição!

Você diz: “eu estou tão feliz hoje!”, mas no momento seguinte está triste. No entanto, você viu a tristeza chegar e ir embora; a alegria chegar e ir embora; o pensamento, esse suposto “amor”, a atração, todos eles chegarem e irem embora.

Os pensamentos são um fluxo de imaginação, uma espécie de rio imaginário da Consciência. A Consciência tem um rio que deságua no mar, como todos os rios fazem. Esse rio é o rio imaginário dos pensamentos no seu fluxo, a base de todas as crenças, de tudo que pode ser aprendido, praticado. Esse mar, no qual esse rio deságua, é a própria Consciência, a Fonte desse movimento da imaginação. Apresente-me um pensamento fora da imaginação. Quem tem um?


*Extraído de um encontro presencial na cidade de São Paulo em Junho de 2015  


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