segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Como não sofrer? Desidentifique-se!

 

Estamos aqui sempre falando de algo que não pode ser colocado dentro do próprio conhecimento. Não podemos traduzir essa experiência que, na verdade, não é uma experiência no sentido que, também, damos a esta palavra. 

Poderíamos chamar Isso de uma experiência intraduzível, algo intraduzível para o conhecimento. Satsang nos aponta para a percepção da Verdade última, daquilo que não pode ser alcançado, obtido, realizado pelo intelecto. Falamos de uma "experiência" intraduzível. Falamos de uma Realização que o conhecimento não alcança, que a palavra não traduz.

Por mais absurdo que isso possa nos parecer, eu tenho para lhe dizer que a grande dificuldade é este hábito que a mente "traz" de conceitualizar, e essas conceitualizações nos impedem de olhar diretamente para aquilo que se apresenta. 

Não temos contato com a realidade como ela é, porque a mente funciona como um véu. A mente está profundamente condicionada, aprisionada dentro de suas racionalizações, presa dentro de sua intelectualidade, de sua lógica, e aqui estamos falando de algo que vai além da lógica, do intelecto. Não podemos colocar isso em termos de ideias, porque aqui a dialética não funciona; a Verdade não é assim.

A verdade se encontra além do racional, do explicável. Nosso convite, único, é o silêncio. Só temos este convite. Nós nunca convidamos você para uma troca de ideias. 

Estamos aqui, apenas, tentando algo impossível, compartilhando com você uma "experiência" intraduzível. Esta é a Verdade do Amor, da Felicidade e da Liberdade... A Verdade da Sabedoria... A Verdade dessa Realização Divina, da Realização de Deus.

Estamos sempre falando sobre a Natureza Real de cada um de nós; sempre tratando disto aqui: a Natureza Real, a Natureza Essencial de cada um de vocês, que é felicidade. Não essa felicidade que experimentamos, que, como uma experiência explicável, vem e vai. Uma felicidade que deriva de experiências externas, que se levantam em razão de experiências externas agradáveis, é a felicidade de mais uma experiência; é a experiência de mais um momento de felicidade. É algo temporário, que experimentamos quando a mente se acalma. Sempre que qualquer desejo encontra um preenchimento, a mente se acalma, e é quando você vivencia a experiência de uma felicidade temporária, momentânea.

Este assunto chamado “despertar”, “realização”, que é intraduzível, é realmente fascinante. Estamos tratando dessa arte, a arte da felicidade, a arte da Consciência, a arte de Ser.

Estamos falando sobre essa liberação, sobre a libertação da mente egoica. Nós podemos passar uma vida toda lendo, estudando e aprendendo sobre isso, mas, depois de todo esse tempo, ainda estaremos no campo da lógica, do conhecimento, da teoria. Esta Felicidade, esta Liberdade, o Ser, a Consciência é algo disponível aqui, nesse instante, porque esta é a sua Natureza Real, é a sua Natureza Verdadeira. 
 
Esta é a natureza da Realidade... É a natureza deste “Eu Sou”. O que nos traz a Satsang é este momento de reconhecimento Disso que somos. Na mente vivemos esquecidos, e por isso você está esquecido de sua Real Natureza, identificado com pensamentos, com experiências mentais. A investigação, em Satsang, remove este esquecimento, que não é parte de sua Natureza Real. O "esquecimento" de quem você É não está em seu destino; não é Real em sua Natureza Verdadeira. Você não está destinado a viver neste esquecimento. Você tem a liberdade, total liberdade, desta lembrança. Ouviram isto? Isto é muito importante. É muito importante saber que você tem esta Liberdade, e que não está destinado a viver neste esquecimento. Isto é algo que você pode realizar, é algo presente aí, com o poder de decidir.

Este é o único poder real que você tem: assumir a sua Natureza Real, que é Felicidade, Amor, Paz, Sabedoria, Deus!

Você tem toda liberdade de se desidentificar do corpo e da mente - das atividades da mente e do corpo. Você tem toda liberdade de ir além desse "esquecimento", e desidentificar-se das ideias ''eu sou o corpo'', "eu sou esses pensamentos", "eu sou esses sentimentos", e "eu sou essas emoções", que é onde ele está. Você tem a liberdade de não se confundir com as ações do corpo e com o movimento da mente.

A cada momento você tem essa liberdade, a Real Liberdade de não sofrer. Para não sofrer, basta não se identificar com as experiências do corpo ou da mente. Você não pode culpar Deus por seu sofrimento. O seu sofrimento é só uma escolha de permanecer identificado com a ilusão, com aquilo que não é você... A escolha de estar identificado com a mente, em seus desejos, com a mente egoica e suas escolhas. Você não pode culpar a Verdade, a Realidade! Você não pode culpar Deus... Não pode culpar Aquilo que É por essa ilusão de estar identificado com historinhas mentais, com crenças.

O que estou dizendo é que essa liberdade é a Liberdade da Consciência, a Liberdade da sua Natureza Verdadeira! Se você está identificado com a mente, já fez uma escolha. Se está identificado com os desejos, você já fez uma escolha, que é a escolha da suposta entidade separada, da ilusão de "alguém". Portanto, não pode culpar Deus por isso.

Procurem observar isso em si mesmos, e logo perceberão o quanto são indulgentes com a mente egoica, com a mente e seus padrões de desejos; o quanto são indulgentes com "o esquecimento" da Felicidade, da Liberdade, da Consciência que é o seu Estado Real, o Seu Estado Natural.

O que estou dizendo é: traga Consciência para este momento; desidentifique-se! É aí que está a ação da Presença, da Graça, da Consciência. A Graça é algo sempre presente! A Presença é algo sempre presente!

Você passa a maior parte do seu dia identificando-se com os pensamentos, perdendo-se em pensamentos, e confundindo-se com eles. Esta é uma escolha equivocada. Trabalhe isso! Solte isso! Desidentifique-se! Portanto, solte essa identificação, até que este Estado Natural se assente e assuma completamente o lugar Dele; esta entrega é fundamental! A investigação da natureza ilusória do pensamento é fundamental! Esta desidentificação é fundamental!

Participante: Observar de fora...

Mestre: Nada de observar de fora, pois isto é mais um pensamento. Essas técnicas não funcionam. Abandonem tudo isso que vocês aprenderam antes de chegar a Satsang. Não é nada disso que estou falando, e sim outra coisa. Essas técnicas não funcionaram para vocês até agora. Portanto, não façam nada - este é o ponto. O trabalho de vocês é ficarem quietos, não identificados. Quando vocês se colocam para fazer alguma coisa, mais uma vez estão se identificando com "alguém" na ação.

Vamos ficar por aqui? Valeu pelo encontro! Namastê!


*Transcrito a partir de uma fala de um encontro online no dia 24 de Agosto de 2015
Encontros todas as segundas, quartas e sextas feiras as 22h - Participe!

 

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